Esportes

Quantos pontos podem
salvar o São Caetano?

DANIEL LIMA - 12/03/2019

Vamos direto às respostas? Um pode ser suficiente, mas é muito improvável que o seja. Dois melhoram a situação, mas também é muito arriscado sugerir que bastam. Três melhoram bastante a situação, mas ainda podem ser insuficientes. Quatro colocariam o São Caetano com um pé fora da Série B do Campeonato Paulista do ano que vem. Seis (cinco é impossível porque vitória vale três pontos e empate apenas um) seriam o passaporte para a festa. 

Se o leitor não entendeu até onde queremos chegar, é melhor ler atentamente. 

Tudo pode acontecer na reta de chegada (faltam duas rodadas) da fase classificatória da Série A do Campeonato Paulista. Único representante da região na principal competição estadual do País, o São Caetano está com a corda do pescoço. 

A derrota de ontem à tarde em Novo Horizonte contra o Novorizontino por dois a um comprometeu ainda mais uma campanha pífia. Mas ainda há esperança fundamentada no contexto dos jogos que restam. 

Alternativas possíveis 

Para tornar mais didáticos os cenários que elencamos para revelar as variáveis que aguardam pelo São Caetano na luta contra o rebaixamento, é preciso situar a classificação dos piores. Sem deixar de lembrar que os dois últimos colocados na classificação geral da primeira fase serão rebaixados. 

O São Bento de Sorocaba carrega a lanterninha com apenas quatro pontos ganhos, nenhuma vitória e saldo negativo de 10 gols. Pode chegar ao máximo de 10 pontos. 

O São Caetano é o penúltimo colocado com sete pontos ganhos, uma vitória e saldo negativo de sete gols. Pode chegar ao máximo de 13 pontos. 

O Botafogo de Ribeirão Preto tem a terceira pior campanha com sete pontos ganhos, duas vitórias e saldo negativo de cinco gols. Pode chegar ao máximo de 13 pontos. 

O Mirassol vem a seguir com nove pontos ganhos, duas vitórias e saldo negativo de nove gols. Pode chegar ao máximo de 15 pontos. 

São essas as quatro equipes mais seriamente ameaçadas de rebaixamento. O detalhamento classificatório leva em conta o regulamento do campeonato. Depois de pontos ganhos vem o número de vitórias e, em seguida, o saldo de gols. Vamos agora aos cenários que esperam pelo São Caetano.

Com um ponto 

Para seguir na Série A do Campeonato Paulista com apenas mais um ponto ganho, o São Caetano precisa empatar no próximo jogo com a Ferroviária em Araraquara ou, na despedida da competição, em casa com o São Paulo. Além disso, o Botafogo precisa perder para o Mirassol fora de casa e em casa contra o Santos. Além disso, o São Bento não pode ganhar mais que três pontos nos jogos que restam contra o Red Bull em Campinas e, como mandante, contra o Bragantino. 

Com dois pontos

Para o São Caetano voltar a disputar a Série A no ano que vem somando apenas dois dos seis pontos que restam na competição é preciso que o Botafogo não faça mais que um ponto nos jogos contra Mirassol e Santos e que o São Bento não some mais que quatro pontos diante do Red Bul e do Bragantino.

Com três pontos

Se ganhar três dos seis pontos que disputará na reta de chegada (Ferroviária fora e São Paulo em casa), o São Caetano precisa torcer para o Botafogo não somar mais que dois pontos contra Mirassol e Santos, ou que o Mirassol perca os dois jogos que restam, contra o Botafogo e o Oeste, em Barueri. O São Bento pode até ganhar os jogos contra o Red Bull e o Bragantino, porque perderia no critério de vitórias. 

Com quatro pontos

Com quatro pontos a mais na classificação (empate e vitória nos dois jogos que vai disputar), basta ao São Caetano que o Botafogo seja derrotado num dos jogos finais, contra Mirassol e Santos.  O São Bento pode ganhar os dois jogos que nada mudaria. Já o Mirassol, se perder em casa para o Botafogo, precisará empatar em Barueri com o Oeste e contar com a vitória do Santos. 

Com seis pontos

Com produtividade de 100% na reta de chegada, o São Caetano chegaria a 13 pontos ganhos e não dependeria de qualquer resultado dos adversários na luta contra o rebaixamento porque o confronto direto entre Mirassol e Botafogo é um salvo-conduto à tranquilidade. 

Chance de Gol

O site Chance de Gol, ferramenta estatística que mede probabilidades em múltiplas dimensões de competições nacionais e internacionais alterou o percentual de risco das equipes que procuram fugir do rebaixamento na Série A do Campeonato Paulista. 

A derrota do São Caetano em Novo Horizonte foi interpretada como um peso a mais de complicações à equipe do técnico Pintado. Agora o São Caetano, segundo o Chance de Gol, tem 65,9% de possibilidades de ser rebaixado. Só perde para o São Bento, com 96,3%. O Botafogo tem 26,4% de risco de queda e o Mirassol apenas 9,9%. 

Não é a primeira vez que discordo do Chance de Gol. A distância estatística entre Botafogo e São Caetano é elevadíssima demais e não corresponde às condições que se apresentam nas duas últimas rodadas. As duas equipes estão com o mesmo número de pontos. A vantagem do Botafogo é o número de vitórias (duas contra uma). O questionamento é simples: é mais fácil para o Botafogo arrancar ponto no confronto com o Mirassol, que decide em casa a permanência na Série A, ou para o São Caetano, que vai a Araraquara enfrentar uma Ferroviária praticamente classificada às quartas de final? O tom mais dramático parece estar reservado ao jogo em Mirassol.

E na última rodada, tanto o São Caetano quanto o Botafogo jogam em casa. O Botafogo enfrenta um Santos que já está classificado, mas que quer somar o máximo de pontos para ter sempre a vantagem de jogar em casa na fase de mata-mata, enquanto o São Caetano pode enfrentar um São Paulo precisando de pontuação para chegar à próxima etapa como primeiro colocado do grupo. 

Não parece muito ajuizada a avaliação do site Chance de Gol. Os 65,9% de risco de o São Caetano cair são exageradíssimos quando confrontados com os 26,4% do Botafogo. 

Técnico trapalhão 

Estou cada vez mais convicto de que o técnico Pintado está conseguindo o que pareceria impossível: levar o São Caetano para a Segunda Divisão. O jogo de ontem em Novo Horizonte somou-se a tantos outros em que o treinador insistiu em equívocos técnicos e táticos. Paradoxalmente, a derrota confirma essa avaliação porque, apesar das bobagens de Pintado, o São Caetano merecia um resultado melhor pelo segundo tempo intenso, valente, decidido. Tanto que encurralou o Novorizontino. 

A situação só chegou a esse ponto (ou seja, à impetuosidade desesperadora do São Caetano) porque Pintado escalou muito mal a equipe. Onde já se viu transformar um zagueiro, Carlos Henrique, em primeiro volante? O jogador que veio do Botafogo de Ribeirão Preto substituiu o suspenso Vinícius Kiss, um dos melhores do elenco. 

Deixar no banco de reservas três jogadores da função e improvisar um zagueiro é o fim da picada. Imaginem Henrique de volante no Corinthians, Bruno Alves no São Paulo, Gustavo no Santos ou Edu Dracena no Palmeiras? Tem cabimento? 

São tão pronunciadamente distintas as especificidades funcionais de zagueiro e de volante que só de imaginar improviso dói na alma. Pois foi isso que Pintado patrocinou. 

Acaso muda equipe 

O São Caetano foi totalmente dominado no primeiro tempo por conta disso, entre outros erros. Sorte de Pintado que Carlos Henrique se contundiu aos 20 minutos e deixou o campo. Hora de colocar quem? Claro que Ferreira, que deveria ser titular da equipe. Mas o que fez Pintado? Escalou Williams, fora de rimo de jogo. O veterano Williams fora experimentado em outros jogos e se deu mal. Ferreira, diferentemente, sempre foi bem. Não é necessariamente um primeiro volante, mas sabe exercer a função. 

Como o nível técnico e tático das equipes médias do futebol paulista é bastante baixo, porque o calendário assim o determinada e o marketing esportivo assim o impõe, mesmo com falhas o São Caetano empatou o jogo no primeiro tempo numa cobrança de falta do lateral Alex Reinaldo. 

O São Caetano faz das bolas paradas a principal arma. Jogo empatado, hora de neutralizar o domínio adversário com posse de bola e rápidos contragolpes pelas extremas com os velozes Minho e Diego. Mas não demorou cinco minutos para uma cobrança de lateral na área virar gol do Novorizontino. Todo mundo ficou a olhar a bola quicar e sobrar para um adversário. 

O São Caetano dominou inteiramente o segundo tempo não porque tenha sido exuberante. Foi valente, impôs marcação forte no campo adversário e mostrou que conta com individualidades que não se reproduzem na classificação geral. Quando precisou novamente do treinador, Pintado falhou. Demorou para escalar Ferreira, mas tirou do time o único jogador com capacidade criativa e de finalização para mudar o resultado, o ponta de lança Vitinho, craque máximo na vitória contra o Mirassol. Poderia, também, ter mantido em campo Pablo, um volante móvel, retirando o já cansado e pouco produtivo Williams. 

A subida de rendimento do São Caetano durante o jogo e as imprecisões de finalização no período de controle emocional e tático do jogo só provam o quanto Pintado ainda erra nas escolhas individuais que se refletem no coletivo. Com um zagueiro de volante, com Ferreira no banco de reservas, com a retirada de Vitinho no exato período em que o jogador emprestado pelo Palmeiras ocupava espaços vazios, tudo isso pesou muito mais que o apenas esforçado e repetitivo Novorizontino. 

É muito esforço para manter o São Caetano na zona de rebaixamento. 



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