Quando começarem a cair, os muros que cercam as instalações vazias da Cerâmica São Caetano vão participar de um ritual de forte significado simbólico. Com os velhos tijolos vão sumir também marcas de um passado que a cidade quer esquecer para poder sonhar com um destino diferente. Nos 363 mil metros quadrados do terreno será erguido empreendimento imobiliário onde 70% do espaço vai ser dedicado a prédios comerciais e de serviços. O restante está projetado para edifícios residenciais. Tamanha diferença é proporcional à pressa que São Caetano tem de atrair empresas e elevar a arrecadação que foi embora junto com grandes indústrias como ZF, Manessman, Confab e Brasinca.
O Projeto Cerâmica já existe e é resultado de parceria entre a Magnesita, dona da área, e a construtora Sobloco. O tiro de partida das obras foi dado com o envio de projeto de lei da Prefeitura à Câmara de Vereadores na última semana de agosto e que altera a atual lei de zoneamento. Assim, criam-se as condições legais para o projeto sair do papel. A aposta de Sobloco e Magnesita é que assim que a velha cerâmica sair de cena e o terreno ganhar nova estrutura urbanística, investidores comprarão os lotes para erguer os edifícios planejados. Segundo os empreendedores, o condomínio vai ter infra-estrutura adequada à instalação de prédios de alta tecnologia, próprios para empresas da era digital.
Se tudo ocorrer como planejado, será um passo ambicioso para São Caetano suprir a saída de pesos pesados industriais com a chegada de empresas de serviços e de tecnologia que façam a cidade sair do 17º posto do ICMS no Estado. Sem grandes espaços e encravada numa região pela qual grandes indústrias demonstram cada vez menos interesse, São Caetano sabe que sua vocação precisa mudar. A começar pelas regras de ocupação do solo. A nova lei de zoneamento, teoricamente, abre caminho para vários empreendimentos. Sua essência é possibilitar a construção de prédios mais altos do que o permitido até então. Não só no Centro, mas em outros bairros. A lei altera também a classificação de algumas áreas da cidade, direcionando para novas atividades.
O projeto de lei da Prefeitura começou a ser elaborado como uma das condições colocadas pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico inaugurado nesta segunda gestão de Luiz Tortorello e que sugeriu a mudança para facilitar a tarefa de atrair novos investidores. O pedido já havia sido feito outras vezes à Prefeitura, mas nunca com peso tão decisivo. "Estamos começando uma nova fase na vida do Município" -- confia o presidente do conselho, André Beer, ex-vice presidente da GM.
O papel da Administração Pública vai ter de ir além, como combater problemas com enchentes e a timidez de ruas e avenidas fundamentais. As obras públicas vão começar pelas áreas próximas à antiga cerâmica. A Avenida Fernando Simonsen, onde estão a Prefeitura e o Parque Chico Mendes, vai ser prolongada até a Avenida Guido Aliberti, que margeia o Ribeirão dos Meninos. Para isso, vai cortar o terreno onde será construído o condomínio comercial.
A Guido Aliberti será duplicada no trecho em que ladeia a antiga Cerâmica São Caetano. A Prefeitura calcula serem necessários R$ 4 milhões e seis meses para conclusão dessas obras. No caminho existem linhas de transmissão de energia que serão transpostas para a várzea do rio, mas a operação depende de acerto com a Eletropaulo.
No combate às enchentes, a Prefeitura planeja elevar em 1,5 metro seis pontes que ligam a cidade a São Bernardo e São Paulo. A única que já tem verba é a Ponte Preta, localizada na entrada da Vila São José. O governo estadual emprestou R$ 500 mil para o projeto. "Isso deve minimizar as enchentes em 70%" -- calcula o secretário de Obras, Júlio Marcucci. A administração municipal ainda promete revitalizar o Centro e avenidas de forte concentração de lojas.
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