O homem que pode atrapalhar para valer a carreira do prefeito Aidan Ravin vai depor em 15 de dezembro na Polícia Federal em São Paulo. Trata-se do empresário Hélio Tanaka, dono de uma gráfica em Itu, a mesma gráfica procurada pelo então pouco conhecido e absolutamente sem dinheiro Aidan Ravin para forrar Santo André de panfletos às vésperas do primeiro turno da disputa à Prefeitura. Hélio Tanaka vai ser ouvido pelo delegado Ricardo Sancovich.
Mais que ser ouvido, Hélio Tanaka promete entregar cópias de documentos que provam diferença enorme entre o que o vencedor Aidan Ravin declarou na prestação de contas à Justiça Eleitoral e o que de fato se deu no campo de batalha para que derrubasse o petista Vanderlei Siraque, cantado em verso e prosa como prefeito em primeiro turno.
Como se sabe, faltou pouco mais de um ponto percentual para Vanderlei Siraque conquistar o Paço Municipal ao final do primeiro turno e, no segundo, ficou oito pontos percentuais abaixo de Aidan Ravin, depois de três semanas que gestaram a maior reviravolta eleitoral já conhecida num segundo turno no País.
Não há nada na literatura eleitoral que chegue aos pés da zebra verificada em Santo André.
Sei que o prefeito Aidan Ravin detesta a metáfora zoológica, mas não o faço por provocação, porque o respeito como autoridade e como cidadão de Santo André. Apenas a utilizo porque é a melhor definição do resultado. Aqueles que não o fazem em público, lambuzam-se nos bastidores.
Talvez o próprio prefeito tenha se sentido assim, uma enorme zebra ao final daquele domingo consagrador. A estrondosa comemoração provavelmente confirme essa impressão. Nem o badalado Ibope, como se sabe, ousou, às vésperas da disputa, retirar o resultado do campo enigmático da margem de erro que, como se sabe, em muitos casos é apenas uma proteção a possível derrapagem numérica.
Quando escrevi o primeiro texto sobre as irregularidades eleitorais de Aidan Ravin no antigo blog por mim assinado (em 5 de fevereiro último, sob o título “A todo custo”) e que está incorporado a este site, não faltaram críticas. Mais que isso: houve tentativas articuladas de desestabilização deste jornalista. Consideram-me aliado do PT de Santo André.
Pobres diabos que do mundo político não sabem nada, porque o fogo ateado contra o prestígio de Aidan Ravin não vinha de nenhum vermelhinho de plantão, mas de apoiadores e financiadores da campanha do prefeito eleito, os quais rebelaram-se porque, afirmam, foram traídos. O Aidan que os procurou em busca de material de campanha e que detinha votos minguados nas pesquisas eleitorais não era mais o Aidan que subiu a rampa do Paço Municipal.
Diria mais: se alguma instituição errou ao longo do tempo no tratamento estratégico dos escorregões do então candidato do PTB foi o próprio PT de Santo André. Sem atropelos, a agremiação poderia manter-se à distância do quebra-pau que envolve Aidan Ravin e ex-aliados. Ao integrar-se publicamente no projeto de derrubada do prefeito petebista, os petistas reduziram o peso das denúncias e as tornaram, sob a esperta observação do grupo de Aidan Ravin, simples choro de derrotados. O fato de seis vereadores petistas já terem sido ouvidos pelo delegado da Polícia Federal reforça essa observação.
Hélio Tanaka e o grupo que arregimentou ajudaram a levar Aidan Ravin à vitória. Não interessa a proporção dessa participação, porque normalmente a subjetividade é quem dá as cartas em tal tipo de medição. Quando se ganham eleições, multiplicam-se os créditos de estrategistas e das lideranças. Quando se perdem é um deus-me-livre. Todos se escondem e terceirizam responsabilidades.
Não só vi com meus próprios olhos como senti com minhas mãos parte da documentação guardada a sete chaves por Hélio Tanaka e sem a qual, acreditem porque não sou leviano, jamais teria dedilhado uma única frase denunciatória do caso. E observem todos que em nenhum momento desci aos detalhes do que me fora apresentado porque tinha o compromisso de resguardar esses mesmos detalhes. Algo que respeitei até que o ABCD Maior, devidamente liberado, revelou parte do conteúdo do explosivo dossiê preparado por ex-aliados de Aidan Ravin.
O mais grave de tudo aos olhos deste jornalista — e que parece também o ser aos olhos do advogado Everson Tobaruela, especialista contratado pelo grupo de colaboradores que se considera traído e lesado por Aidan Ravin — são aqueles 26 recibos assinados por moradores da Favela Tamarutaca, em Santo André. Eles, todos integrantes da igreja evangélica da qual Hélio Tanaka é uma das lideranças, foram requisitados e pagos para atuar como bocas-de-urna tanto no primeiro quanto no segundo turno. Trabalharam intensamente. Haveria fotos que também comprovariam a participação irregular desses sensibilizadores de votos. Como se sabe, boca de urna é atividade proibida.
Aos leitores que indagam razões pelas quais não denunciei o caso à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público, porque não só tinha conhecimento do caso como também tive acesso à massa de comprovações materiais do delito, respondo reto e direto: não sou policial. Mais ainda: cumpri rigorosamente os ditames profissionais, expondo num veículo de comunicação informações e análises mais que suficientes para que qualquer cidadão ou autoridade minimamente interessada em conhecer a verdade se manifestasse nos canais competentes.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO