Administração Pública

Marinho Daniel (3)

DANIEL LIMA - 19/01/2009

É proposital a junção parcial da identidade de Luiz Marinho e de Celso Daniel no título desta série.


Pensei inicialmente em “Luiz Celso Marinho Daniel”, mas desisti. Achei que ficaria comprido demais e contrariaria, com isso, o espírito de síntese dos títulos deste espaço.


Marinho Daniel é mais provocante. Desperta mais idiossincrasias porque supostamente seria um contra-senso aproximar homens públicos de estilos tão diferentes.


Marinho Daniel é uma forma de transportar para o entendimento da gestão do novo prefeito de São Bernardo muitos dos preceitos que mobilizaram as duas últimas administrações de Celso Daniel, entre 1997 e 2001.


Celso Daniel amadureceu gigantescamente nesse período como gestor público liberto de amarras ideológicas do primeiro mandato, iniciado em 1989. Daí o rompimento político e familiar definitivo com o irmão mais novo, Bruno Daniel, extremista de esquerda, e o esticamento da frustração do irmão mais velho, João Francisco Daniel, direitista de carteirinha como o pai Bruno José Daniel.


O fosso ideológico entre Celso Daniel e os dois irmãos não tem valor algum para muitos leitores, mas é uma das explicações mais consistentes para os desdobramentos das investigações que opuseram a Polícia Civil e o Ministério Público.


Pretendo com esta série viajar nas asas do conhecimento acumulado principalmente nos anos 1990 e nesta década do novo século para matar três coelhos com uma única cajadada.


Primeiro, recuperar parte do legado intelectual, administrativo e filosófico do maior gerenciador público do Grande ABC em todos os tempos, cuja data de falecimento, 20 de janeiro, completa nesta terça-feira exatamente sete anos.


Segundo, procurar dar encaminhamento ao que o jornalismo diário tem dificuldade de expor porque se limita a noticiar, a informar: a importância da atuação de Luiz Marinho que, goste-se ou não, está vários degraus acima dos demais prefeitos da região pelo simples fato de que é um potencial concorrente ao governo do Estado e como tal ele se comporta. Tanto é verdade que Luiz Marinho ocupa frequentemente páginas dos grandes jornais brasileiros.


Terceiro, não permitir que o arcabouço institucional gerado pelo visionarismo de Celso Daniel caia no vazio da ineficiência ou seja anabolizado pelo triunfalismo irresponsável e, como tal, venha a ser vendido, como já se tentou, como realidade palpável.


A dispersão institucional do Grande ABC provavelmente seja a melhor explicação para a ausência de análises e avaliações permanentes dos anos em que a região viveu sob a influência de Celso Daniel.


Sem o menor receio de parecer cabotino, porque sobram provas, a grandeza do então prefeito de Santo André só não escorreu pelo ralo da maledicência da versão do assassinato que chocou o País há sete anos porque à frente da revista LivreMercado e de veículos virtuais produzi milhares e milhares de caracteres tanto com relação à obra do petista quanto para retirar da zona cinzenta a versão artificializada de que fora vítima de crime político.


O maior crime que cometeram contra Celso Daniel, além da morte fisica propriamente dita, foi a omissão dos espectros político-ideológicos que o envolveram: a centro-esquerda e a centro-direita agiram o tempo todo sob a condicionalidade da conveniência.


Explico: a centro-direita jamais deixou de admitir a fertilidade intelectual e administrativa de Celso Daniel, mas o faz intra-muros e publicamente apenas de vez em quando, quando lhe interessa, caso de Aidan Ravin ainda recentemente; a centro-esquerda, temerosa da contaminação da versão de crime político e de denúncias de irregularidades administrativas, tornou-se reticente em valorizar mais claramente a atuação do prefeito de Santo André.


Um dos pontos aparentemente inconciliáveis entre Luiz Marinho e Celso Daniel está na cronologia das carreiras, mas é sobretudo por isso que se construiu a raiz desta série: Celso Daniel deixaria a Prefeitura de Santo André para virar ministro do governo Lula da Silva e daí disputaria o governo do Estado, enquanto Luiz Marinho fez um caminho oposto, começando como ministro em duas pastas, invadindo a área da Prefeitura de São Bernardo para, na sequência, terreno avaliado, lançar-se ao governo do Estado.


A ordem dos fatores temporais e funcionais necessariamente não altera o produto final. A absorção do legado regional de Celso Daniel depende de Luiz Marinho e equipe.


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