Ainda vai demorar um bocado para a expressão “clube-empresa” deixar o gueto de preconceitos. Os mais conservadores, que imaginam que futebol é atividade romântica, abominam qualquer tipo de parceria que minimamente caracterize um clube profissional como agente capitalista. Principalmente nestes trópicos latinos de tradições paternalistas de Estados nacionais tão mandatários quanto perdulários, o capitalismo é visto com desconfiança.
Os mais modernos, que, em suas atividades, já se acostumaram com o empreendedorismo como sinônimo de comprometimento com o futuro das próximas gerações, mesmo que apresentem apetite maior pelo individualismo, os mais modernos, como dizia, sentem-se receosos de que venham a ser caracterizados de oportunistas.
Por isso, é mais que providencial que o Santo André saia da toca em que se meteu em matéria de marketing e, além de se proteger de eventuais restrições descabidas, chame a sociedade como companheira nessa empreitada de permanecer entre os clubes mais importantes do País — é o 13º colocado no ranking estadual da Confederação Brasileira de Futebol e o 62º no ranking nacional.
O rebaixamento à Série B do Campeonato Paulista, num período de digladiações políticas internas que contaminaram atividades empresariais do futebol, é sintomático dos novos tempos que se apresentam: de nada adiantarão as conquistas do passado se no presente os olhos não estiverem bem abertos, a boca fechada para não entrar mosca e o coração sensível a reconsiderações e ponderações. Sem contar os bolsos razoavelmente fornidos para enfrentamentos com adversários que cada vez mais se aparelham também com parcerias empresariais para se manterem na vitrine das grandes competições.
Está em evidente morosidade a atividade empresarial do Santo André, entre outras razões, porque muitos dos acionistas ainda não se aperceberam que, embora o futebol seja a essência do empreendimento, é impossível resistir à carência de estrutura gerencial no sentido mais amplo da expressão.
Sem o suporte de vários departamentos comandados pelos próprios acionistas, de acordo com suas especialidades, o futebol flutuará ao sabor de ocasionalidades. Por exemplo: tudo indica que o time que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro não será saco de pancadas e pode até, com alguns reforços, sonhar com o acesso à Série A; entretanto, a sustentabilidade desse desempenho no futuro é um ponto de interrogação.
O Santo André tem muitas tarefas a cumprir para permanecer entre os principais clubes brasileiros. Mais que um desafio, essa constatação deve ser a plataforma de embarque a iniciativas ousadas que necessariamente não prescindem de recursos financeiros volumosos. Há massa crítica de competências entre acionistas e também entre conselheiros do clube social que não pode ser ignorada, muito menos subestimada.
O Santo André não pode cair na besteira de separar a empresa do clube social, no sentido de sinergia, embora para o bem de todos e felicidade geral do Ramalhão deva consolidar a sede empresarial fora dos limites do Parque Jaçatuba.
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14/10/2025 SANTO ANDRÉ ANTECIPOU SAFIEL DO CORINTHIANS