Desci aos vestiários do Santo André ontem à noite, logo depois do brilhante empate com a Portuguesa pela Série B do Campeonato Brasileiro. O Santo André é uma das minhas paixões esportivas, mas isso não me confere título de fidelidade. Há torcedores muito mais dedicados e apaixonados.
Fui aos vestiários porque queria cumprimentar o técnico Sérgio Soares, moço decente que trabalha duro e tem o apoio de todo o elenco. Tanto tem que recentemente tentaram lhe puxar o tapete depois de alguns maus resultados naturais de um time formado às pressas.
Dei um abraço em Sérgio Soares, cumprimentei alguns jogadores e, quando corria os olhos para uns quadros pendurados na parede, fui chamado para retirar o veículo do estacionamento, porque estava atravancando todo mundo.
Sabia que iria atrapalhar os mais apressados quando desci aos vestiários. Fui um dos últimos a chegar ao Estádio Bruno Daniel. Estacionei a caminhonete velha de guerra praticamente no derradeiro espaço disponível.
Foi a burrada de entupir o estacionamento que me impediu de ir mais a fundo no questionamento daqueles gráficos que retratam o desempenho do Santo André e de outras equipes no campeonato. Tudo detalhado. Saído de planilhas de computador. Multicoloridos.
Até uns tempos atrás as informações gráficas sintetizadas em formulários convencionais não passavam de dados simplificados. Agora não. Pelo que vi apressadamente, há detalhamento esclarecedor a que todos os jogadores têm acesso. O Departamento de Futebol Profissional do Santo André está alinhadíssimo às facilidades do mundo da Tecnologia da Informação.
Nada mais interessante porque, embora tenha virado empresa já há algum tempo, os acionistas do clube ainda não conseguem enxergar algo semelhante quando se trata de obter respostas a perguntas essenciais. Os elementos disponíveis são um parto da montanha.
Está certo que se está trocando um regime associativista e voluntário por um modelo empresarial e isso leva algum tempo, principalmente porque não faltam barreiras culturais a impedir maior velocidade das ações.
Talvez um ou outro acionista que tenha feito pressão para a demissão de Sérgio Soares até recentemente, e que poderá voltar à carga diante de duas derrotas seguidas, deveria procurar o treinador e os demais membros da Comissão Técnica para adaptar a metodologia de compartilhamento e transparência de dados explicitada naquela parede dos vestiários do Estádio Municipal.
Tenho cá comigo que o técnico Sérgio Soares tem na ponta da língua todas as respostas que os acionistas demandarem sobre o desempenho da equipe desde que ele assumiu o cargo. Uma sabatina com o treinador, que considero uma das medidas mais democráticas no mundo do futebol-empresa, mostraria o quanto ele é um executivo preparado e, portanto, uma peça da engrenagem da equipe que não pode ser glorificada nem execrada individualmente.
Infelizmente o Santo André Gestão Empresarial não conta com réplica de um Sérgio Soares, por conta do atravancamento ditado pela burocracia mesclada pelo patrimonialismo cultural.
O Santo André só atrairá mais investimentos se der uma guinada na política de relacionamento com os acionistas e com a sociedade.
O time de futebol presta contas a cada rodada do Campeonato Brasileiro. O empate com a Portuguesa foi uma prova de abnegação de todo o grupo de jogadores. É preciso ser muito pessimista para acreditar em rebaixamento. Sérgio Soares deveria ter chegado bem antes.
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