Há um movimento intrauterino que pretende tirar do Esporte Clube Santo André o que é do Esporte Clube Santo André. Um verdadeiro estupro institucional. O Estádio Bruno Daniel é uma concessão que deve ser transferida sem malabarismos e invencionices ao Esporte Clube Santo André para o Esporte Clube Santo André ganhar força de tração e virar Santo André Sociedade Anônima. É virar clube-empresa ou perecer.
O mundo de entretenimento do futebol tornou-se negócio do futebol. No caso do Santo André, entenda-se negócio do futebol como a salvação da lavoura. Ou vai ou racha, porque trincado já está. Nem poderia ser diferente com a concorrência externa apertando o cerco.
Como sempre jogo limpo e não faço movimentos que possam tornar a região ainda mais sofrível em cidadania, vou deixar um recado reto e direto: tudo o que acontecer com o Santo André a partir de agora, do futebol esperado e indispensável como clube-empresa, deverá ser debitado ou creditado à gestão de Paulinho Serra.
PREFEITO É RESPONSÁVEL
A responsabilidade do prefeito de chamar para si a partitura que vai orquestrar a modelagem de concessão do Estádio Bruno Daniel é intransferível.
O que se projeta nos bastidores da própria Prefeitura, no sentido de que tem boi de oportunismo e de outras coisas na linha, é acintoso golpe contra o clube mais tradicional da região, o mais popular da região.
Um clube que precisa de transformações, como já cansei de escrever, mas tudo passaria, de imediato, pela concessão em termos dignos, colaborativos, transparentes e sensatos do Estádio Bruno Daniel.
O Estádio Bruno Daniel é mais do Esporte Clube Santo André do que o Estádio Anacleto Campanella é do São Caetano Sociedade Limitada e também mais que o Estádio Primeiro de Maio do São Bernardo Futebol Limitada.
Mais no sentido de que o Santo André é um clube associativo que, para dar um salto em direção ao clube-empresa, precisa da garantia de que terá uma casa para os jogos. Como o São Caetano e o São Bernardo, clubes-empresas, têm. Tanto o São Caetano que está aí e o São Bernardo que está aí não têm a representatividade social do Santo André, mais antigo e enraizado na história da cidade.
MANUAL DE INSTRUÇÃO
Como prometi na edição de 16 de fevereiro, vou destrinchar os 10 pontos cardeais à concessão do Estádio Bruno Daniel ao Esporte Clube Santo André. Um manual que preparo como barricada contra a artilharia pesada de gente que pretende dar um trança-pé no clube.
É contra ações arbitrárias que levanto essa trincheira. Não é possível que a anomia também tenha impregnado o futebol da cidade. E produzido o ovo da serpente de ardilosa operação de desmonte do futuro do Esporte Clube Santo André, quando não da invasão de domicílio.
Quem pode assegurar que não se está urdindo a tomada do clube na mão grande de um maquiavelismo de poder absoluto do território municipal?
Quem acompanha os bastidores que começam e terminam no Paço Municipal sabe o que estou querendo dizer.
Vamos então ao manual de instrução à concessão do Estádio Bruno Daniel.
SIMPLIFICAÇÃO REGULATÓRIA
Qualquer conjunto de artigos e parágrafos que coloque o edital de concessão do Estádio Bruno Daniel num quarto de despejos de inutilidades, redundâncias e exigências descabidas que enforquem a agremiação num momento em que já respira com dificuldade, será espécie de assassinato social.
HISTÓRICO SOCIAL E ESPORTIVO
Apenas ao Esporte Clube Santo André, exclusivamente ao Esporte Clube Santo André, somente ao Esporte Clube Santo André, deverão ser considerados os termos legais da concessão. Nada de trambique para permitir agora ou no futuro próximo derivativos que resultem na fuga de eventuais investidores. O Santo André não é a cereja do bolo de futebol de negócios a ponto de desdenhar da cronologia como elemento crucial à configuração societária.
ENQUADRAMENTO NO FUTEBOL
O gramado do Estádio Bruno Daniel é para uso exclusivo da equipe de futebol, nada além disso. Até porque o piso do gramado agora artificial não tem bases sólidas para suportar alternativas arrecadatórias. E mesmo que contasse com tecnologia e infraestrutura apropriadas, a autonomia do clube em gerir o espaço jamais poderá ser ferida.
TEMPO DE CONCESSÂO
O tempo que deverá ser disponibilizado para o Esporte Clube Santo André apropriar-se com responsabilidade do Estádio Bruno Daniel deverá ser extenso o suficiente para o planejamento e execução do modelo de clube-empresa. O desenho aprovado em São Bernardo pelo prefeito Orlando Morando é um bom referencial. São 10 anos com extensão de outros cinco. Nada de prazo indeterminado que, além de afugentar eventuais investidores, seria cláusula de pressão permanente à politização do espaço.
COMPARTILHAMENTO REGULATÓRIO
Já que existe e está em atividade uma comissão que trata da concessão do Estádio Bruno Daniel, não há burocracia regulamentar que impediria uma ação informal de compartilhamento de ideias e propostas contando-se com um ou mais representantes do Esporte Clube Santo André. O clube não foi ouvido até agora. E poderia ser ouvido. Inclusive poderia contratar um especialista na matéria para contribuir imensamente. A isso se dá o nome de transparência, não de subversão. Quem subverte a legislação é quem faz reuniões clandestinas com determinados setores econômicos.
ANALISE DE CUSTOS
Entre os pontos considerados vitais à concessão do Estádio Bruno Daniel é preciso entender que se trata de um alvo, o Esporte Clube Santo André, que precisa do espaço construído exatamente para que o utilize. Quanto menos custo à concessão, como o foi em São Bernardo e praticamente nada se retirou do São Caetano, melhor para a agremiação ir a campo e receber propostas de investidores. O Esporte Clube Santo André só será atrativo se, entre outros pontos, o modelo apresentado aos interessados incluir contrato de concessão do Estádio Bruno Daniel que não seja fruto de atropelamentos de bastidores no Paço Municipal, como se pretende.
VALORAÇÃO DA OPERAÇÃO
A Prefeitura não tem de se meter em qualquer coisa relacionada ao clube-empresarial que supostamente adviria da concessão do Estádio Bruno Daniel ao Esporte Clube Santo André. As relações entre o clube ainda associativo e os interessados no futebol empresarial são arbítrios dos envolvidos diretamente. A Prefeitura, em qualquer instância, não tem de meter o dedo nessa cumbuca. Quanto menos fizer, melhor será. A Administração Pública já tem atribuições suficientes para atender à comunidade.
LIBERDADE DE AÇÃO
Embora o campo de futebol seja o espaço principal do complexo do Estádio Bruno Daniel, o esperado Santo André Sociedade Anônima deverá contar com cada metro quadrado em forma de perspectivas para usos indistintos que projetem reforços de arrecadação. Nada é mais valioso ao futebol de Santo André do que contar com um Esporte Clube Santo André transformado em Santo André Sociedade Anônima com pressupostos de responsabilidade social. E responsabilidade social envolve muitas coisas. Das quais trataremos em outro texto. O mundo do futebol é um contínuo movimento de aperfeiçoamentos e, embora a bola seja o mais importante, por trás de cada bola existe muitas possibilidades. Uma cidade de quase 800 mil habitantes tem potencial de gerar robustas ações de marketing tendo o Estádio Bruno Daniel como endereço apropriado.
ATRATIVIDADE EMPRESARIAL
Não se deve esperar que a concessão do Estádio Bruno Daniel se converterá em pó de pirlimpimpim a eliminar todas as dificuldades enfrentadas pelo Esporte Clube Santo André, detentor do Parque Poliesportivo Jairo Livolis, no Jaçatuba. A atratividade do Esporte Clube Santo André para se tornar clube-empresa está focalizada na concessão do Estádio Bruno Daniel, do entorno interno do Estádio Bruno Daniel, mas também no ambiente do Município e da região. O Grande ABC de quase três milhões de habitantes/consumidores e próximo da Capital é atrativo especial que reforça a perspectiva em torno do negócio futebol. Há muito a Administração Pública não faz nada de marketing colaborativo para o Santo André. O clube-empresa não deverá ser impedimento. É a imagem da cidade que está em jogo. A melhor imagem da cidade. O Esporte Clube Santo André, caindo ou não pelas tabelas, é marca nacionalmente conhecida. E respeitada.
DIREITOS À CONCESSÃO
Nada, absolutamente nada, deverá impedir o Esporte Clube Santo André de ser o destinatário natural da concessão do Estádio Bruno Daniel. Nenhuma outra agremiação poderá sequer ser cogitada para formar alguma coisa que lembre parceria, compartilhamento, sociedade ou algo semelhante. A subversão desses princípios será uma pedra gigantesca na trajetória esperada rumo ao clube-empresa. É preciso que a gestão de Paulinho Serra não caia na gandaia ética de achar que qualquer clube recentemente constituído ou a ser constituído no futebol profissional tem direitos líquidos e certos para reivindicar alguma coisa. Essa possibilidade existe, segundo se constada nos corredores do Paço Municipal. Seria a preparação do funeral do clube-empresa chamado Santo André Sociedade Anônima e o buraco de inferno de estrangulamento do Esporte Clube Santo André.
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