Esportes

Rebaixamento é dança de
números que exige atenção

DANIEL LIMA - 28/02/2022

Com 10 o risco é imenso, menos de 10, então, nem se fala. Com 11 é melhor não brincar. Com 12 pode ser a porta da salvação. Mas o melhor mesmo nessa loteria de sofrimento é completar 13 pontos. Eis o resumo da ópera que cerca a tensão das equipes na Série A-1 do Campeonato Paulista.  

Os números interessam nesta temporada diretamente a duas equipes da região: o Santo André que acabou de completar 10 pontos ao virar um jogo espetacular em Campinas contra o Guarani, ganhando de três a dois depois de sofrer dois a zero ao fim do primeiro tempo, e o Água Santa de Diadema, com sete e um jogo hoje à tarde contra o São Paulo, no Estádio do Inamar.  

Há mais equipes que olham a tábua de classificação e ficam na expectativa do que virá. A Ponte Preta tem oito pontos ganhos, a Ferroviária tem 10, o Novorizontino apenas três e o Internacional de Limeira oito. Todos estão ameaçados, juntamente com o Santo André e o Água Santa. Estão mesmo? 

SEXTO ANO DE DISPUTA  

Fui ao site da Federação Paulista de Futebol e fiz o básico nessa lição explicativa. Pesquisei as cinco últimas edições da competição. Por que as cinco últimas? Porque a atual forma de disputa foi introduzida na competição de 2017, com 16 equipes divididas em quatro grupos e as duas últimas sendo rebaixadas. Anteriormente, eram mais equipes, 20, com quatro rebaixamentos. 

Mexi os pauzinhos e descobri que, com 12 pontos, nenhuma equipe caiu até agora. Daí para baixo caíram várias. Mas estou de olho na atual temporada. Pode ser que com 12 não se escape. Com 13 é muito provável que a ameaça estará desfeita.  

Então, é melhor chegar aos 13 nas três rodadas que faltam. O Santo André tem três pontos a ganhar em nove a disputar (joga em casa com Ituano e o Internacional de Limeira, na rodada final). O Água Santa joga hoje com o São Paulo e na penúltima rodada com o Santo André em casa. Sai duas vezes. 

DINÂMICA EXPLICA  

O que se pergunta é a razão de não haver um número mágico de defina as duas últimas posições e consequentes rebaixamentos numa temporada. Mais precisamente a linha de corte da penúltima colocada, que completa a dupla que disputará a Série A-2 da próxima temporada. 

Afinal, por que falta um número preciso, certeiro, imutável? Ora, porque a dinâmica do campeonato é isso mesmo, ou seja, dinâmica.  

São 16 equipes que disputam três pontos a cada jogo. São 12 rodadas na fase classificatória, a etapa da competição que seleciona os dois primeiros de cada grupo para as quartas-de-final e os dois últimos na classificação geral, independentemente de agrupamento, rebaixados sem dó nem piedade. 

No conjunto da obra, serão disputados 288 pontos ao longo da fase classificatório. Cada rodada conta com oito jogos que valem três pontos cada. Basta multiplicar 24 pontos por 12 rodadas e se chega a 288 pontos.  

A distribuição desses pontos define os dois primeiros colocados de cada grupo e dois últimos na classificação geral, correto? Essa dança de números impõe situações erráticas que estatísticas não detectam com a certeza de que não se cometerá erro de avaliação.  

CAMINHO DA ESPECULAÇÃO  

Por isso, o acumulado histórico dos jogos, do mesmo formato da competição, que já são cinco edições, talvez sirva para iluminar o caminho da especulação.  

Ainda não há um conglomerado de dados que garanta sentenças definitivas. Prevalece de forma arriscada a sugestão de que 12 pontos é a linha de corte, a fronteira da salvação. Mas ainda há mais temporadas a testar esse limite. 

Na primeira edição, da temporada de 2017, sob esse novo formato, Foram rebaixados o Audax com nove pontos e o São Bernardo com 10. O São Bento fez 13 pontos e ficou na antepenúltima colocação.  

No ano seguinte, em 2018, os rebaixamentos colheram o Santo André com oito pontos e o Linense com 10. Quem mais se aproximou da dupla foram a Ponte Preta e o Mirassol, que fizeram 12 pontos.  

Em 2019, o São Bento de Sorocaba fez apenas sete pontos e o São Caetano, oito. Foram rebaixados. O Mirassol escapou com 11 pontos, juntamente com o Botafogo de Ribeirão Preto.  

Em 2020, caíram o Água Santa de Diadema com 11 pontos e o Oeste de Barueri com 10. O Botafogo também fez 11 pontos, mas escapou nos critérios de desempate.  

NOVORIZONTINO SURPREENDENTE  

No ano passado, o São Bento que subira no ano anterior voltou a cair, agora com nove pontos. Mesma situação do São Caetano, que caíra junto com o São Bento, subira junto com o São Bento e voltava a cair junto com o São Bento, agora, em 2021, com três pontos.  

Nesta temporada, com apenas três pontos ganhos, o Novorizontino está praticamente rebaixado. Sobraria, portanto, uma única vaga à queda. Praticamente rebaixado não significa rebaixado. Há nove pontos a disputar.  

O Novorizontino acabou de subir para a Série B do Campeonato Brasileiro. É um caso que precisaria ser estudado profundamente. Afinal, como pode uma equipe que vem do circuito nacional, ano após ano, estruturando-se a cada temporada, cair de forma até agora vexatória na classificação geral da Série A-1 Paulista?  

A fórmula do fracasso pelo menos até aqui do Novorizontino deveria ser objeto de estudo a toda agremiação de porte médio ou pequeno que sonha em estar no calendário nacional. Está certo que o Campeonato Paulista é de tiro curto, de apenas 12 rodadas classificatórias, e que, portanto, desajustes circunstanciais podem se tornar fatais, mas a distância entre um recém-integrante da Série B do Brasileiro e os pequenos e médios sem calendário nacional que disputam a Série A-1 Paulista é enorme. Ganhar apenas três pontos em 27 disputados é uma calamidade.  

DOZE OU TREZE? 

Com quantos pontos é possível escapar? Essa questão atormenta a todos os potenciais ameaçados. Há indicações de que a barra eliminatória da temporada da Série A-1 vai subir neste ano. Será que pela primeira vez chegará a 12 pontos? Treze pontos é praticamente impossível, mas não custa antepor obstáculos. 

Certo é que os times que jogam de olho no rebaixamento como princípio de sobrevivência, ou seja, a expectativa de uma vaga nas quartas de final não passa de suplemento, estão em efervescente pressão.  

Não adianta apresentar estatística garantido que com 11 pontos apenas existiria risco de 20% de queda, porque apenas em uma de cinco edições quem atingiu esse total de pontos acabou caindo. 

Tampouco discursar que com 12 pontos o risco é zero, porque nenhuma equipe sofreu rebaixamento nas cinco edições desse mesmo desenho regulamentar.  

TERRORISMO TOTAL  

O que dirigentes, comissão técnica e jogadores dos times ameaçados mais querem é respirar aliviados quando chegarem a 13 pontos (uma margem de segurança além dos 12 pontos não custa nada), independentemente da rodada em disputa.  

A expectativa das três equipes da região é de continuarem na competição. E, quem sabe, contar com o reforço do São Caetano de volta à disputa, agora que o São Caetano tem novo investidor e muito dinheiro para corrigir os erros que parecem se rivalizar com os acertos na atual disputa da Série A-2 do Campeonato Paulista.  

A sorte do São Caetano é que a fase classificatória da Série A-2 é uma grande oportunidade a correção de equívocos, porque nada menos que metade dos competidores – oito dos 16 – classifica-se à etapa seguinte, em regime de mata-mata.  

Na última vez que o Santo André subiu, terminou a fase classificatória da Série A-2 em oitavo lugar, ou seja, na última posição possível, e, rodadas adiante, fez a festa do título. Mata-mata é um convite ao surpreendente. 



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