Esportes

Paulinho vai fazer gol de placa
ou vai dar furada monumental?

DANIEL LIMA - 04/03/2022

O prefeito Paulinho Serra tem oportunidade de ouro para consagrar-se no futebol, mesmo sendo perna de pau como este que escreve. O prefeito de Santo André está entre um gol de placa e um furada monumental debaixo da trave do Inacreditável Futebol Clube.  

Tudo depende apenas dele, embora a magnitude do projeto exija participação de inúmeros agentes. 

Se errar, Paulinho Serra vai pagar caro quando a história do Esporte Clube Santo André for contada a partir deste 2022.  

Se acertar, poderá comemorar um gol de placa.  

Prometo aos leitores que não vou perder o rumo nem o prumo, mas é preciso, para entender essa bagaça, pegar o timão de conceitos básicos para que o prefeito entenda o que o colocaria numa encruzilhada.  

Aliás, só existiria mesmo encruzilhada se o prefeito desprezasse o básico.   

BÁSICO DOS BÁSICOS  

Tomara que seus assessores para assuntos ligados ao futebol profissional não o atrapalhem. Essa assessoria especial de Paulinho Serra é coisa recente.  

Para ser mais preciso, surgiu a partir de analises que fiz nesta revista digital sobre o interesse (mais que isso, a necessidade) de o Santo André deixar o formato de clube associativo e virar clube-empresa nos preceitos da legislação da SAF, Sociedade Anônima do Futebol, recentemente aprovada.  

Afinal, o que é o básico dos básicos? A parcela monolítica do básico dos básicos é que não incremente o pavão em direção a dificuldades que possam levar o trem do futebol profissional da cidade ao descarrilamento.  

E como o trem do futebol é um dos vagões mais importantes, senão o mais importante, da identidade de Santo André, identidade no sentido abrangente, não se deve brincar com o assunto.  

MARIA FUMAÇA 

Precisamos sair do que chamaria da Era da Maria Fumaça no futebol profissional para a Era do Trem Bala. E sem a livre-iniciativa experiente na indústria da bola é impossível chegar a tanto.  

Aliás, a indústria da bola por mais competente que seja, e é em muitos aspectos, ainda não é no conjunto da obra que imagino e a demanda por uma sociedade mais interativa exige. 

E não é porque converge todos os sentidos em direção aos negócios da bola, com a bola no centro de tudo, quando a bola no centro de tudo poderia ser consequência natural.   

Ver apenas a bola como a maioria dos clubes associativos e empresariais veem é algo como acreditar que uma laranja só é da metade para cima, ou da metade para baixo.  

Ou que o presidente da República manda para valer quando se tem um Congresso ávido por barganhas e um Supremo Tribunal Federal ávido por poder.   

Aliás, tudo isso forma um caldo de cultura que explica, sem legenda, porque podres poderes e poderes podres são expressões que se confundem tanto que a semelhança na distribuição de letras e adereços filosóficos não é um jogo de cena nem coincidência, é consequência pura.  

MORANDO É ESPELHO  

O básico dos básicos é o prefeito Paulinho Serra seguir a trilha do vizinho Orlando Morando que, demonstrando personalidade, fez da equipe profissional mais representatividade de São Bernardo, o São Bernardo Futebol Clube, que é um clube-empresa, o destinatário natural da concessão. 

Orlando Morando não se deixou seduzir por terceiros, foi pragmático, cobrou uma taxazinha camarada do clube-empresa, livrou-se de despesas de mais de R$ 2 milhões ao ano e, como fez com outras propriedades do Município, entregou a terceiros que são do ramo. Foi assim com a Cidade da Criança, por exemplo. 

A situação do Esporte Clube Santo André para ganhar o direito histórico que lhe assiste, ou seja, tomar conta do Estádio Bruno Daniel, é mais profunda ainda quando comparada à decisão de Orlando Morando em relação ao São Bernardo Futebol Clube.  

Qual é a mágica? Não existe na cidade nenhuma representação de futebol profissional. E se existisse, nem chegaria aos pés do Esporte Clube Santo André.  

CLUBE INVENTADO 

Estão inventando um clube com o nome do Santo André, com o sobrenome antigo do Santo André, no caso Santo André Futebol Clube, mas é algo sem pé nem cabeça se a intenção é atrapalhar o Esporte Clube Santo André. Se for para se tornar uma rede colaborativa, seria ótimo.  

Coopetição é o nome do jogo há muito tempo no capitalismo humanizado, ou seja, que não cheire a oportunismo sob encomenda.  

Uma das deficiências congênitas da histórica econômica e social do Grande ABC é a vinculação explícita à concorrência que despreza cooperação. O retrato fiel desse descompasso sempre se cristalizou no coração econômico da região, a indústria automotiva. 

Aqui, como em poucos lugares do mundo, as grandes montadoras e mesmo as sistemistas, que estão diretamente ligadas à produção, sempre viveram de um aperto geral e irrestrito nas pequenas e médias empresas do setor, levadas ao canibalismo produtivo. Apertaram tanto o cerco, inclusive com a ajuda sindical obtusa, que vivemos nos anos 1990, principalmente, a dinamitização das empresas familiares.  

O Grande ABC de um país de impostos exorbitantes, típicos de governo desproporcional, carrega essa cultura de liquidação dos pequenos e médios. E isso transpassa o ambiente industrial, comercial e de serviços. Faz parte da cultura regional. Mais que da cultura nacional.  

Então, partindo do básico dos básicos (não custa repetir o que se torna uma expressão, porque tem gente com dificuldade de entender as coisas), restaria o gol de placa a ser comemorado. E o gol de placa vai muito além das fronteiras do Paço Municipal.  

UM SALTO MAIOR  

É nesse ponto que o Santo André Sociedade Anônima faria a diferença. É indissociável à concessão do Estádio Bruno Daniel um plano de crescimento inovador. Que a nova agremiação fure o teto de conservadorismo do esporte-rei.  

Vou elencar alguns pontos essenciais à transformação do Esporte Clube Santo André em Santo André Sociedade Anônima (seguindo a legislação da Sociedade Anônima do Futebol, que deverá revolucionar o futebol brasileiro) de modo que as medidas superem largamente o pragmatismo não só de Orlando Morando mas da totalidade de prefeitos de municípios que contam com equipes de futebol profissional e que se lançam ao regime de concessão.  

Anotem alguns pontos que poderiam revolucionar o futebol profissional de Santo André e cujos efeitos poderiam se espalhar aos demais clubes da região.  

Esses pontos conceituais envolvem tanto a Administração Pública quanto a gestão profissional que se espera do Santo André Sociedade Anônima.  

Na edição de segunda-feira salto dos conceitos rumo às explicações necessárias:  

1. Liberdade ao empreendedorismo. 

2. Colaboração logística e institucional. 

3. Interatividade com associados.  

4. Representatividade acionária. 

5. Representatividade social. 

6. Abertura a parcerias.  

7. Transparência organizacional. 

8. Independência administrativa. 

9. Marketing interativo.  

10. Relacionamentos institucionais.  



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