A transformação do Esporte Clube Santo André em Santo André Sociedade Anônima poderá significar ganho múltiplo extraordinário tanto à cidade quanto ao Grande ABC. Depende apenas de uma porta inicial que deve ser aberta sem oportunismo de qualquer espécie Porta é pouco. O que é preciso mesmo é um portal: que a Prefeitura de Santo André siga o padrão dos dirigentes públicos em geral e não crie dificuldades para o futebol profissional avançar.
O prefeito Paulinho Serra vai resistir à tentação do lobby que o cerca?
Esse é o passo mais representativo do Paço. O resto, ou quase todo o resto, para não dizer complemento, tem muito a ver com o próprio Esporte Clube Santo André e a sociedade de maneira geral, além, claro, de possíveis empreendedores do negócio chamado futebol.
O maior ativo cultural de Santo André, que o ativo de chuteiras, ganhará novo impulso se algumas iniciativas forem deflagradas a partir do tiro de larga do clube-empresa que se pretende, mas cujo desfecho ainda é incerto.
O condicionamento à empreitada tendo a Prefeitura de Santo André como elemento-chave não é paranoia. É preciso estabelecer limites para que tudo não desande.
Trata-se de pura realidade, respaldada por um movimento nos subterrâneos do Poder Público que pretende criar embaraços que afastariam eventuais investidores sérios, do ramo de futebol de negócios de verdade.
Para ser mais claro e objetivo: quanto mais a Prefeitura meter a colher onde não deve, mais colocará em risco o futuro do futebol da cidade. Será a primeira vez na história que algo se daria. Um escândalo sem tamanho.
Por essas e outras, o futuro do Santo André a partir deste ano de 2022 está vinculadíssimo ao que o prefeito Paulinho Serra e seu entorno pretendem fazer. O melhor é não fazer nada que fuja do natural.
Quando se misturam política e futebol tudo pode acontecer. Inclusive uma complicação dos diabos.
Na administração de Celso Daniel a aproximação obedeceu a princípios preservacionistas que deram muitos frutos, como a Copa São Paulo de Futebol Júnior e, em seguida, mesmo sem Celso Daniel, mas em consequência do trabalho executado, o título maior do Santo André, a Copa do Brasil.
Na situação atual, tudo parece diferente. E invasivo. Secretários de Paulinho Serra que já andaram soltando as asas em direção a um intervencionismo tão questionador quanto precipitado precisam puxar o freio de mão.
Mais que isso: precisam parar de se meter onde não devem. Eles não são do ramo e não contam com assessoria especializada para tanto.
Essa é uma tarefa que cabe ao Esporte Clube Santo André e eventual parceria. Exceto, claro, se a Prefeitura confessar publicamente que tem vocação ditatorial no ramo esportivo.
A lógica de que o Esporte Clube Santo André pode dar com os burros nágua da transformação em Santo André Sociedade Anônima é simples: os empreendedores dos negócios do futebol não querem entrar em bola dividida.
E quando agentes públicos sem competência em determinada atividade privada entram em campo, empreendedores privados que não sejam falsos empreendedores dão no pé. Fogem mesmo. Sobram empreendedores suspeitos de que futebol é apenas um pretexto para outras operações.
Onde o Poder Público se mete a fazer o que não sabe, ou delega a terceiros que também não sabem, mas que têm ambições desregradas, a tendência de fracasso do empreendimento é compulsória.
Terceiros sem competência técnica, mas com segundas e terceiras intenções são perigosos.
O que se espera do prefeito Paulinho Serra é uma iniciativa que já tarda.
Qual? Que venha a público e diga para o bem da sociedade e felicidade geral de quem gosta de futebol que não vai permitir que o Esporte Clube Santo André seja passado para trás em qualquer quesito que se refira à concessão do Estádio Bruno Daniel.
Ou seja: que Paulinho Serra seja um Orlando Morando dos dias de hoje e um Luiz Tortorello do passado.
Que Paulinho Serra repasse a responsabilidade da cessão do Estádio Bruno Daniel a quem decidir aceitar a SAF do Esporte Clube Santo André. Nada de interventoria pública.
Fora isso, qualquer iniciativa em contrário, com digitais diretas ou indiretas do Paço Municipal, não passaria de trapaça. Não dá para conceber outro adjetivo.
Afinal, é acintoso que, por conta dos bastidores que pululam em direção a uma invasão de domicílio do Esporte Clube Santo André, a simples possibilidade de ocorrer essa aventura de cartas marcadas seja considerada.
Foi por conta disso que elaboramos o que podemos chamar de “Dez Mandamentos para o Esporte Clube Santo André virar Santo André Sociedade Anônima” com compromisso social. Vejam um resumo da ópera:
1. LIBERDADE AO EMPREENDEDORISMO
A Prefeitura de Santo André não tem que meter o bedelho onde não deve, entre outras razões porque não entende nada de futebol, de negócio de futebol, de empreendedorismo do futebol. Deixe as respectivas forças se entenderem, a partir da concessão sem imposições descabidas do Estádio Bruno Daniel ao Esporte Clube Santo André. Como a totalidade das prefeituras o faz em relação aos clubes que representam os respetivos municípios. Contenha, portanto, o ímpeto invasivo. Fique no respectivo território institucional.
2. COLABORAÇÃO LOGÍSTICA E INSTITUCIONAL
Faça a Prefeitura, com convênio com o Santo André Sociedade Anônima, o que tem de ser feito no campo de logística e institucional. O que isso significa: que facilite o entranhamento da agremiação nos ativos sociais e culturais da cidade. Um exemplo, para não se estender a muitos outros? Participe de campanha permanente de inserção do futebol da cidade nas escolas de Primeiro Grau, onde a maioria carrega na documentação a identidade de Santo André como lugar de nascimento. Alguma coisa nesse sentido foi feita nos anos 1970 e os resultados foram fabulosos.
3. INTERATIVIDADE COM ASSOCIADOS
O Esporte Clube Santo André que vai virar Santo André Sociedade Anônima não terá mais relações jurídicas com o Parque Esportivo Jairo Livolis, no Jaçatuba, mas pode fazer o que jamais foi realizado de forma sistemática: estreitar as relações entre o quadro associativo e o futebol. Há mil maneiras de fazer algo produtivo que dê densidade representativa à agremiação dentro e fora de campo.
4. REPRESENTATIVIDADE ACIONÁRIA
Que as negociações que transformariam o Esporte Clube Santo André em Santo André Sociedade Anônima reservem um naco não necessariamente grande nem representativo de ações à agremiação cedente. Quem sabe não mais que 10% das ações podem ser preservadas pelo Esporte Clube Santo André, com direito à reunião de acionistas, sejam eles quais forem em quantidade e diversidade? Essa aproximação permitiria que o conhecimento histórico do Esporte Clube Santo André seja imantado ao negócio chamado clube-empresa. A troca de modelo jurídico não pode significar, portanto, desprezo à longeva experiência.
5. REPRESENTATIVIDADE SOCIAL
O Santo André Sociedade Anônima pressupostamente mais forte financeiramente poderá dedicar-se a uma outra vertente que o sempre encalacrado Esporte Clube Santo André jamais efetivou: construir uma rede de ações de marketing para se aproximar, encantar e usufruir de representatividade maior da sociedade de Santo André. São 800 mil consumidores disponíveis. Alargar a fatia atual é uma iniciativa inadiável para que o negócio chamado futebol seja mesmo diferente do modelo associativista. E nem se fale do entorno de Santo André. São três milhões de consumidores no Grande ABC.
6. ABERTURA A PARCERIAS
Não seria a configuração de nova razão social de uma representação corporativa fortemente vinculada a resultados financeiros que interditaria a formulação de parcerias do Santo André Sociedade Anônima com eventuais interessados em fortalecer ações em várias atividades, inclusive na revelação de jogadores. Traduzindo: todos os interessados em participar da grande rede de formação de atletas que abasteceriam a dinâmica de vendas de ativos do Santo André Sociedade Anônima teriam espaço suficiente para o que poderia ser chamado de operações ganha-ganha. Nenhum empreendimento capitalista com inserção social negaria a possibilidade de contar com nichos do futebol de base.
7.TRANSPARÊNCIA ORGANIZACIONAL
Um clube-empresa voltado ao fortalecimento de uma marca à qual teve acesso jamais perderia a oportunidade de mostrar-se integralmente à sociedade como modelo desenhado para obter credibilidade. É isso que se deve colocar na pauta nas relações negociais entre o Esporte Clube Santo André e os eventuais interessados em formular o Santo André Sociedade Anônima. Transparência sempre faz bem. Inclusive para os cofres privados. Mas sem qualquer interferência abelhuda do Poder Público.
8. INDEPENDÊNDIA ADMINSITRATIVA
Não se pode confundir parceria, transparência, participação acionária complementar e tudo o mais com quebra de independência de gestão. Os investidores do Santo André Sociedade Anônima não podem jamais ser submetidos a qualquer tipo de restrição que torne o processo gerencial-administrativo satélite de forças estranhas. Tudo que for deliberado no Conselho de Administração é tudo que poderá ser aplicado.
9. MARKETING INTERATIVO
É um enorme guarda-chuva de possibilidades o que está encapsulado no significado de Marketing Interativo. De fato, é a soma e a multiplicação de vários vetores que serão incorporados aos desígnios do Santo André Sociedade Anônima, passando inclusive pelos poderes públicos, notadamente o Poder Executivo. O Santo André Sociedade Anônima não pode ser visto como elemento esportivo à parte na geografia de Santo André. Diferentemente disso: é uma alavanca interessantíssima à maior propagação do marketing mais barato e mais rentável do Município: a bola jogada no gramado e a propagação da cidade em todas as partes do globo.
10. RELACIONAMENTOS INSTITUCIONAIS
Uma das porções importantes que deverão nortear medidas administrativas e de marketing do Santo André Sociedade Anônima é que tudo poderá ser conduzido a relacionamentos institucionais que acrescentarão valor ao produto final. O Santo André precisa estar mais presente nas entidades locais, e isso só será possível e, mais que isso, ganhará musculatura, na medida em que missionários se espalharem aos quatro cantos da cidade. O Santo André Sociedade Anônima precisa ser mais que um clube-empresa. Deve ser um clube-cidade.
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