O Esporte Clube Santo André faz na noite de amanhã, sexta-feira 13, no Restaurante Baby Beef Jardim, uma festa que vai muito além de um cardápio variado regado a bebida e discursos. Tampouco se importa com a cultura negativista da data. Mesmo que não seja agosto. Sexta-feira 13 é sexta-feira 13 no imaginário popular.
Os 300 convidados deverão compreender o ambiente que domina o clube algumas horas antes da estreia na Série A-1 do Campeonato Paulista.
A Série A-1 é a competição mais importante do calendário paulista. São Bernardo Futebol Limitada e Água Santa de Diadema, clubes empresariais, também estarão na disputa. O Santo André é um clube associativo que se está preparando para da salto rumo ao empreendedorismo privado.
FITA DE LARGADA
A apresentação oficial da nova diretoria do clube agora presidido por Celso Luiz de Almeida deve se tornar a fita de largada de um desafio múltiplo nas áreas de competividade esportiva propriamente dita, institucional, social e empreendedora no sentido negociável mais amplo do conceito.
O Santo André dos dirigentes mais experientes e da torcida mais ajuizada sabe que festa por festa a tradição do clube mais longevo da região já fez muitas ao longo dos tempos.
Agora a festa é a senha a uma empreitada que pretende encaixar o clube no novo figurino do futebol nacional e internacional.
Esse novo figuro está condensado na legislação federal que criou a SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
MISSÃO MAIOR
Uma confraria de supostos bem-aventurados clubes de futebol já domina competições diversas mundo afora porque viraram empresas esportivas dentro e fora de campo.
Quando o Esporte Clube Santo André virar Santo André Futebol Limitada, estaria cumprida integralmente a missão imposta pelos desafios que aguardam a nova direção do clube. O ponto de ruptura benigna se daria, portanto.
É provável que não haverá nada no jantar de amanhã que faça oficialmente qualquer menção direta à nova legislação esportiva da qual alguns dos grandes clubes brasileiros (Cruzeiro, Vasco, Botafogo) já fazem uso. Nem deverá virar pauta do encontro.
Afinal, obviedades não precisam ser expressas num ambiente festivo, como se espera.
DUPLA PERSONALIDADE
O Santo André do modelo associativista estará presente em cada mesa, mas viverá uma noite de dupla personalidade. O empreendedorismo inescapável vai permear cada milímetro do restaurante mais badalado da região.
Transformar o Esporte Clube Santo André em Santo André Futebol Limitada é, portanto, o maior desafio da diretoria comandada por Celso Luiz de Almeida.
A concessão do Estádio Bruno Daniel ainda não é uma etapa superada. Sem estádio não haveria investidor sério que colocaria dinheiro no Santo André. Trambiqueiros não faltam na praça. Eles estão sempre preparados para aproveitar vazios diretivos.
Ter artistas para uma peça teatral e dar com a porta na cara de um teatro fechado à exibição ou sob condições restritivas é suicídio.
EXPERIENCIA ACUMULADA
Ninguém parece estar mais talhado a liderar o processo imperativo ao futuro de uma agremiação a caminho de 60 anos de fundação do que Celso Luiz de Almeida.
Celso Luiz de Almeida é um dirigente esportivo além-fronteiras do Grande ABC. Tem relacionamentos fortes com a direção da Federação Paulista de Futebol e com a cúpula dos dirigentes das federações estaduais, onde ocupa cargo de tesoureiro na entidade que os representa.
Celso Luiz de Almeida é um executivo do futebol que todo clube que preza valores deveria ter.
A escola diretiva que frequentou, o próprio Esporte Clube Santo André, é a resposta pragmática ao aprendizado que coleciona.
SOMA DE LÍDERES
Um dos últimos dos dirigentes que acompanham ou participam da história do Santo André, Celso Luiz de Almeida aprendeu muito com vários presidentes. É o somatório de homens que ajudaram a perpetuar o Santo André mesmo diante de borrascas financeiras.
Jairo Livolis e Breno Manoel Gonçalves viraram história na agremiação, entre outros.
Fosse produzido um case com características principais de personalidades que formataram o histórico do Santo André, certamente seria esculpido um modelo imprescindível de qualidades a serem copiadas.
Celso Luiz de Almeida sabe disso porque faz parte do mosaico de especificidades que forjaram o Santo André.
MAIS COMPROMISSOS
A missão de levar o Santo André à condição de nova identidade jurídica e novos planos esportivos, é uma dimensão a ser tratada como prioritária, mas não única.
O Santo André que vai sair da representatividade seletiva de perto de 300 convidados na noite de amanhã provavelmente ganhará embalo.
E precisa ganhar embalo. Na tarde do dia seguinte, inicia-se participação na Série A-1 do Campeonato Paulista. Enfrenta o Guarani, no Estádio Bruno Daniel. O gramado geralmente é a prova dos nove da competência diretiva. Mas o gramado com extensão nos negócios do gramado é outra coisa. Mais completa e contemporânea.
A nova direção do Santo André deverá dedicar-se intensamente ao que se chamaria de relações institucionais.
É preciso levar adiante duas máximas que se entrelaçam: Mais Santo André no Santo André e Mais Santo André em Santo André.
FORÇA DA TORCIDA
Trocando em miúdos: a nova diretoria do Santo André, independentemente de possíveis negociações que culminem na configuração legal de SAF, deve atacar em todas as frentes para que o Santo André adense relacionamentos com instituições. E que resulte em mais representatividade nas arquibancadas.
O que se viu no jogo com o Santos pela Copa São Paulo de Futebol Júnior foi uma avalanche de torcedores do Santo André, um dos bens mais preciosos proporcionados pela tradição e efetividade sistemática nos campos de futebol.
O Santo André tem peso nas arquibancadas, embora nem sempre detectado.
TUDO APROVADO
O calendário restrito, de poucos meses de atividades, e a força dos grandes times da Capital, não são suficientes para dissuadir espessas camadas de jovens nascidos na cidade e que se sentem naturalmente representados nos gramados.
Esse é um dos cenários desafiadores no horizonte do Santo André Sociedade Limitada.
Os indicadores de que o jantar de amanhã no Santo André será espécie de largada a novas jornadas não podem ser desprezados.
A resistência interna como clube associativo em meio a um futebol cada vez mais ditado por empreendedorismo já foi eliminada.
Tanto que não há oposição alguma à premissa de que a SAF é inquestionável como plano de voo. A iniciativa, aliás, já foi aprovada pelo Conselho Deliberativo.
ACERTANDO FORMATO
O formato ainda está sendo analisado. Depende, entretanto, de interessados que relutam em aceitar a ausência de garantia formal de uso do Estádio Bruno Daniel.
Acredita-se que tudo será solucionado nos próximos dias. Até porque a arremetida pretendida pelo Santo André passa obrigatoriamente por um plano ambicioso no qual o eventual futuro controlador do Santo André em formato de SAF precisa ter uma série de requisitos para dinamizar a agremiação dentro e fora de campo.
Que seja entre outras ramificações do esporte mais valioso do planeta uma reprodução mesmo que miniaturizada dos grandes conglomerados futebolísticos do mundo.
JUNTANDO ESFORÇOS
O Santo André Futebol Limitada do futuro não se depreenderia do Esporte Clube Santo André que um dia também foi Santo André Futebol Clube.
Os eventuais novos acionistas do Santo André receberiam um prêmio especial: teriam uma agremiação associativista convertida em associação empresarial seguramente impregnada de cidadania esportiva.
Há um valor intangível no Esporte Clube Santo André a caminho de Santo André Futebol Limitada. O peso de dirigentes e colaboradores que sabem como agregar valor ao produto.
O Santo André que vai virar clube-empresa pode, mais que isso, tornar-se um modelo a ser copiado.
Um modelo que fugiria do mercantilismo natural dos negócios do futebol e se converteria num negócio do futebol sem se descuidar da representatividade social hoje abaixo do potencial que a diretoria de Celso Luiz de Almeida pretende resgatar e aperfeiçoar.
TORCIDA JOVEM
A torcida jovem que se rivalizou com a torcida do Santos ontem à tarde no Estádio Bruno Daniel conta com certidão de nascimento diferente da maioria dos pais que viram o Santo André nascer há quase seis décadas.
Os migrantes e imigrantes que embalaram o Santo André deixaram de legado herdeiros de naturalidade local.
Ninguém esquece a terra natal nem onde mora. O Santos sentiu isso ontem à tarde. Os investidores não podem negligenciar esse ativo.
O São Bernardo, o Água Santa e o São Caetano, que está na Série A-2, também precisam colocar mais gente como prioridade no modelo de clubes-empresas que ostentam.
Diferentemente da pregação regionalista, não há nada mais salutar no Grande ABC que incentivar o municipalismo clubista. Rivalidade no campo esportivo fertiliza a cidadania.
Vargas Llosa, peruano que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, escreveu certa vez que futebol é emoção vazia. Errou. Futebol pode transformar ou ajudar a transformar uma sociedade porque gera interação.
Quem conhece Porto Alegre, por exemplo, sabe que o ar que os gaúchos respiram não é um ar vazio. O Gre-Nal está em todos os poros. Da mesma forma que em outras localidades com outros rivais. O Grande ABC precisa de um catalizador social que gere novos catalizadores. O futebol é um caminho apreciável.
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