O prefeito de São Caetano começa na frente a disputa pelo Troféu Celso Daniel de Gestão Pública. A iniciativa é de CapitalSocial, voltada aos prefeitos de Santo André, São Bernardo e São Caetano. No ano que vem eles vão completar dois mandatos seguidos de administração.
Sair na frente não quer dizer que José Auricchio Júnior seja favorito quando os seis quesitos forem apurados.
Sair na frente no caso de José Auricchio significa essencialmente que somou pontuação não mais que discreta quando se consideram os pesos relativos das diretrizes definidas.
O primeiro quesito analisado é de “Governabilidade” e vale apenas um ponto dos 10 que determinarão o ranking do Troféu Celso Daniel.
MELHOR NOTA
Auricchio obteve a nota oito de zero a dez. Orlando Morando, de São Bernardo, recebeu a nota cinco. Paulinho Serra, de Santo André, não passou de nota três.
Quando se metaboliza a nota de cada um dos três prefeitos com base no peso relativo, Auricchio somou 0,8 ponto, enquanto Orlando Morando não passou de 0,5 ponto e Paulinho Serra de 03.
O Troféu Celso Daniel está dividido em seis diretrizes. Os maiores pesos relativos se concentram em dois eixos que valem o total geral de 6,0 pontos.
Regionalidade vale 3,0 pontos dos 10,0 pontos em disputa. Desenvolvimento Econômico vale iguais 3,0 pontos dos 10,0 pontos.
REFERÊNCIA DE NOTAS
Só haverá entrega simbólica do Troféu Celso Daniel aos concorrentes que obtiverem no mínimo a nota geral 6,3, que corresponde à 70% da nota 9,0 do ex-prefeito de Santo André, assassinado em janeiro de 2002 e largamente o maior homem público regional da história.
Celso Daniel tratou o futuro de Santo André e da região com planejamento além fronteiras municipais. Até hoje o Grande ABC não se deu conta que é Grande ABC apenas da boca para fora em institucionalidades. Mais que Grande ABC escasso é Complexo de Gata Borralheira, ou seja, a subordinação à Capital vizinha e pujante.
Pior que se dobrar à cidade de São Paulo é fingir que a cidade de São Paulo não está entranhada na estrutura sociológica da região.
Ou seja, o Complexo de Gata Borralheira é, entre tantos sentimentos e materialidades, uma gigantesca contradição.
O Troféu Celso Daniel de Gestão Pública conta com peso de 1,0 no quesito Governabilidade. É pouco para uma projeção do que teremos ao fim dessa disputa também subjetiva. Uma subjetividade que passa pelo terreno da materialidade, de provas, de sedimentação de projetos e propostas.
SUBJETIVIDADE
A subjetividade, portanto, passa mais pelo critério da nota em si do que dos elementos que se consumaram como motivação à empreitada de medição das ações públicas dos três prefeitos eleitos em outubro de 2016.
CapitalSocial não está considerando, no caso de José Auricchio, os dois mandatos anteriores. José Auricchio é tetraprefeito com influência visceral nos destinos de São Caetano neste século.
Alguns pontos precisam ser compreendidos para que o critério de governabilidade, o primeiro dos indicadores a ser desvendado por CapitalSocial, não seja visto como aleatório.
Governabilidade é a capacidade de um gestor público comunicar-se com frequência com setores da sociedade. E também de interagir com a sociedade na gestão pública de forma efetiva.
CONSELHOS MUNICIPAIS
A qualidade desses encontros não é necessariamente abordada de forma crítica, mas a iniciativa em si enseja avaliação do quanto e como um prefeito comunica-se presencialmente ou por meio de veículos de mídia.
Nesse caso, José Auricchio Júnior está acima de Orlando Morando e de Paulinho Serra. O tucano criou série de conselhos de moradores da cidade, com os quais se encontra periodicamente para prestar contas conforme a cartilha que mais lhe interessa, mas sempre supostamente sujeita a escrutínio de terceiros.
Orlando Morando e Paulinho Serra não incorporaram com frequência esse tipo de relacionamento com entidades sociais e econômicas de São Bernardo e Santo André. E tampouco fizeram algo próximo ao que José Auricchio desenvolve em São Caetano.
COMUNICAÇÃO SOCIAL
Também pesa nas notas no quesito Governabilidade o relacionamento público dos prefeitos com a sociedade em forma de comunicação social. Nesse caso, é impossível não levar em conta a clareza, a precisão e a interação com os consumidores de informações.
De maneira geral os três prefeitos articulam-se por meio de publicações digitais e impressas da região num regime de quase mão única. O que isso significa?
Significa que o material que se transforma em massa de informações geralmente está desidratado de aspectos críticos. São noticiários adocicados, por assim dizer. Mas esse não é um problema dos administradores públicos. Eles apenas fazem uso do que o mercado oferece.
O que pesou desfavoravelmente ao prefeito Paulinho Serra quando em confronto com os demais no tocante a nuances de governabilidade é que o tucano faz uso ostensivo da mídia para oferecer cardápio de meias-verdades, quando não de mentiras inteiras.
PANFLETARISMO
O excesso de panfletarismo autobajulativo que colocou a gestão de Paulinho Serra como um modelo recordista de premiações sem lastro e de duvidosa procedência, quando não de interrogações qualificativas, ultrapassou todos os limites éticos de uma administração municipal.
São tantos os arroubos orquestrados por conquistas de prêmios mais que desimportantes, quando não manipulados, que é impossível a gestão de Paulinho Serra não ser observada como governabilidade de baixa credibilidade. O referencial sempre será, para todos os prefeitos, os cinco anos da Administração de Celso Daniel, entre 1997 e 2001.
Além de as conquistas da Administração de Paulinho Serra estarem recheadas de dúvidas e imprecisões, ainda contêm um pecado capital de se atribuir todos os louros supostamente consagrados.
REPETINDO LULA
Paulinho Serra lembra, nesse caso, o presidente Lula da Silva que, nos arroubos de grandeza, sugere ou transforma em convicção a lorota de que todas as mazelas do Brasil são frutos de antecessores e todas as virtudes de sua liderança.
Nem José Auricchio Júnior nem Orlando Morando se dedicaram a criar o que poderia ser chamado de Secretaria de Promoção de Prêmios Conquistados, ou algo semelhante.
À falta de planejamento para mitigar a maior e crucial herança maldita de antecessores, no caso o empobrecimento social fruto da desindustrialização, a gestão de Paulinho Serra esmera-se em vender ilusão de prêmios diversos. A paternidade não interessa, se individual ou coletiva ao longo dos tempos.
Não é exagero garantir que a Administração de Santo André subestima os consumidores de informações ao deflagrar política autobajulativa de premiações.
MISTIFICAÇÃO
A pretexto de aumentar a autoestima dos moradores de Santo André, o real interesse da gestão de Paulinho Serra é outro. Ao mesmo tempo em que fecha os olhos a questões substantivas e transformadoras, trombeteia parafernália de acessórios públicos engendrados por marketing de mistificação.
A governabilidade de Santo André e de São Bernardo são semelhantes, mas não são iguais.
O prefeito Orlando Morando é mais comedido, não sai cantando pneus furados propagandísticos que se rivalizem com Paulinho Serra. Há eventuais escorregadelas, porque é difícil segurar marqueteiros que querem mostrar serviço, mas nada se compara ao staff promocional de Paulinho Serra.
No caso de José Auricchio Júnior, o comedimento na Imprensa e nas redes sociais poderia ganhar roupagem mais ativa. Conselhos sociais estruturados pela Administração são de fato novidade como gestão pública, por mais que supostamente não tenham ingredientes que estabeleçam ou estimulem contraditórios.
A sensação que fica ao se observar atentamente a política de comunicação dos três prefeitos, e que é uma peça fundamental à governabilidade, é que escapa um meio-termo mais profissional e apropriado à assimilação da sociedade.
Ou seja: São Caetano de menos, Santo André de mais e São Bernardo sem encaixe, praticam um marketing de relações públicas inadequado.
O QUE FALTA
São Caetano poderiam popularizar mais os encontros com os grupos setoriais, Santo André deveria abrir as planilhas principalmente dos troféus sob encomenda que nutrem triunfalismo exacerbado e São Bernardo poderia chamar mais representantes sociais e econômicos para adensar os resultados obtidos com políticas administrativas.
Para completar, e sobre a liderança de São Caetano no indicador de Governabilidade, o mais recente boletim da Administração de José Auricchio dá conta de seminário sobre o que chama de Controle Social da Administração Pública. O encontro reuniu representantes do Poder Público e integrantes dos conselhos municipais. Todos esses conselhos estão sob o guarda-chuva do Concipas (Conselho Municipal de Cidadania e Participação Social), que, segundo o boletim oficial, atuam de forma voluntária “a aperfeiçoar os atos de controle da municipalidade”.
Os conselhos sociais de São Caetano: Saúde, Assistência Social, Direitos da Criança e do Adolescente, Segurança Alimentar e Nutricional, Acompanhamento e Controle Social do Fundeb, Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental, Meio Ambiente e Políticas sobre Drogas.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO