Vale a pena ganhar uma eleição a todo custo?
Esse é o caso de um prefeito que venceu a disputa em outubro passado.
O preço do mandato está salgadíssimo. Dizem até que, se bobear, vão impichá-lo.
Qualquer comparação com o destino de barata em galinheiro não é exagero.
A falta de experiência, de habilidade e de precaução, bem como o excesso de apetite, vai na contramão da administração.
A situação se deteriora na exata proporção da teimosia em tentar reinventar a roda.
A necrologia do mandato já foi encomendada pelos que se dizem mais bem informados.
Provavelmente há exagero em pintar com cores tão berrantes um quadro pra lá de complicado, mas que ainda não chegou ao extremo do desmanche.
Qualquer argumento mais detalhado que venha a usar certamente sugeriria o autor das trapalhadas que os mais versados em administração pública identificam.
Por isso mesmo preciso ser cauteloso. Qualquer palavra, qualquer frase, qualquer subjetividade que formule sem cercar o touro da especulação à unha, certamente entregaria a cabeça de bandeja para salomés que não faltam na praça.
Os mais próximos entre os circunvinhos partidários já dão em retirada porque não querem que lhes sobrem estilhaços políticos. Os adversários regozijam-se, mas sabem que não vale a pena, ainda, empurrá-lo para o matadouro, porque, num golpe de mestre, sempre possível em política, ele poderá virar do avesso a situação e de vilão, vítima tornar-se.
Há, entretanto, quem não concorde com essa última possibilidade, porque o quadro situacional é de tal descontrole que a administração estaria pronta para cair de podre. Seria melhor se caísse de porre, porque ao menos os efeitos etílicos dariam prazer por algum tempo.
Sei lá até quando vai durar a travessia no cabo de aço das complicações que se agigantam e se agravam com a tempestade de novas descobertas. Pode ser que prefiram sangrá-lo indefinidamente até a exaustão, esticando a agonia por tempo suficiente até que se encaixem medidas mais drásticas a um contexto inapelavelmente indefensável.
Derrubá-lo seria, portanto, questão de tempo.
Dizem, entretanto, que é mais fácil ele precipitar-se abismo abaixo, poupando a oposição de qualquer esforço.
Os próprios aliados, ou ex-aliados, tratariam de remetê-lo às profundezas da desmoralização.
Certo mesmo é que a batata de um dos prefeitos eleitos em outubro no Grande ABC está assando para valer. Não faltam panos quentes de parceiros de jornada, mas sobram incendiários.
Os níveis de segurança administrativa esgarçam-se num jogo típico de pressões e contrapressões que, entre os objetivos, pretende apear o prefeito do que muitos chamam de plataforma de arrogância.
Preciso, portanto, controlar a ânsia de definições mais aprofundadas. Bastariam algumas palavras, nem mesmo uma frase completa, para botar tudo a perder.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO