Esportes

O que falta e o que têm as equipes
da região no Campeonato Paulista

DANIEL LIMA - 24/01/2011

Um diagnóstico preliminar das equipes do Grande ABC que disputam a Série A do Campeonato Paulista me leva à conclusão precária, sujeita a mudanças, de que o São Bernardo é um time-elenco em busca de equilíbrio, que o Santo André é um time em busca de um elenco e o São Caetano é um elenco em busca de um time.


É muito cedo para estabelecer sentenças definitivas sobre a performance do trio do Grande ABC no principal campeonato estadual do País. Por isso mesmo defini que as sete primeiras rodadas compõem o que chamo de Fase Estrutural, seguida de novos sete jogos da Fase de Consolidação, até chegar aos cinco jogos finais, da Fase Decisiva.


Com 15% dos jogos disputados, não se tem mais que um entreabrir de portas das possibilidades de definições.


Mesmo assim, não creio que esteja incorrendo em precipitação quando afirmo que o São Caetano é um elenco em busca de um time, que o Santo André é um time em busca de um elenco e o São Bernardo um time-elenco em busca de equilíbrio.


Quem está melhor na fita da competição é o São Bernardo, com quatro pontos ganhos em nove disputados, o que dá 44,44% de índice de aproveitamento, pouco abaixo do mínimo necessário (por volta de 48% a 50%) para chegar entre os oito primeiros que disputarão a fase de mata-matas. O Santo André ganhou apenas dois dos nove pontos (22,22%) e o São Caetano, surpreendentemente, não fez um ponto sequer ou mesmo marcou um gol. Jamais na história a equipe mais vitoriosa do futebol do Grande ABC terminou a terceira rodada do campeonato estadual em situação semelhante.


Sempre com o alerta de que esse diagnóstico é resultado de exame clínico superficial, não de ressonância magnética, o time-elenco do São Bernardo em busca de equilíbrio está exposto nas facilidades para criar e sofrer ataques contundentes. Um time mais ajuizado, mais uniforme, taticamente mais confiável, não se dá ao luxo de sofrer tantos golpes dos adversários.


Só o Santos de Dorival Júnior e agora de Adilson Batista pode levar a emoção ao paroxismo, porque conta com talentos para mudar o enredo de qualquer jogo.


O São Bernardo de limitações orçamentárias, mesmo para o padrão de clubes pequenos e médios do futebol brasileiro, correrá sérios riscos de capotamentos se mantiver postura quase camicase.


O Santo André é um time em busca de um elenco porque é notório que o técnico Pintado já deu uma ajeitada tática interessante no grupo de titulares e sabe quais os recursos de que dispõe no banco de reservas para eventuais alterações no decorrer de cada jogo. Entretanto, são poucos os valores para suportar o ritmo da competição de forma homogênea. Há desníveis demais em várias posições da equipe quando substituições se tornam providenciais. A vantagem do treinador em situação como essa é que procura tirar leite de pedra e muitas vezes acaba dando certo por insistência compulsória, mas isso é um grande risco.


Já a situação do São Caetano é oposta: há um elenco enorme, jogadores de reconhecida capacidade técnica, mas o time não consegue engrenar. Talvez o excesso de alternativas deixe o técnico em pânico. Toninho Cecílio suportou apenas dois jogos depois de experimentar substituições que acabaram por atingir a estrutura do grupo que disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Muitas vezes ter jogadores em excesso é um complicador.


Se tivesse que recomendar alguma coisa ao São Bernardo diria que talvez esteja na hora de dar uma calibrada no entusiasmo de debutante no Campeonato Paulista porque os adversários, de nível mais elevado que os da Série B do Campeonato Paulista, não costumam desperdiçar oportunidades. Um jogo aparentemente sob controle, por conta de ofensividade massacrante, vira tormento após contragolpe mortal.


Já ao Santo André recomendaria paciência com o técnico Pintado, ao que se informa um profissional trabalhador, ouvindo-o também quanto às premências básicas para que o elenco disponha de alguns novos valores que preencham buracos comprometedores. O meio de campo, por exemplo, parece vulnerável demais a contragolpes, por ser excessivamente leve.


Ao São Caetano talvez o melhor conselho seja a contratação de um treinador que tenha paciência suficiente, conhecimento adequado, coragem cautelosa e bom relacionamento interpessoal para reequilibrar o grupo emocionalmente.


O time do presidente Nairro Ferreira está em estado de choque depois de três rodadas em que pretendia acumular pelo menos sete pontos positivos. A Fase Estrutural do Campeonato Paulista é o melhor período para o São Caetano acumular pontuação, mas está se transformando em desastre. Nessa hora, o melhor é parar para recomeçar todo o projeto de pontuação. Daqui a pouco o rebaixamento começa a incomodar.


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