Esportes

Ramalhão pode desaparecer se
Ronan Pinto confirmar renúncia

DANIEL LIMA - 11/04/2011

O empresário Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC e condutor de três rebaixamentos seguidos do Ramalhão, poderá deixar o futebol de Santo André em situação de terra arrasada. Tudo porque há movimento de conselheiros e dirigentes do Esporte Clube Santo André para evitar que o Saged, a empresa criada para gerenciar o futebol local, devolva o Ramalhão.


A terceirização da gestão da equipe de futebol é um fracasso tão retumbante que não faltam cenários quanto às cifras acumuladas como prejuízo monetário. O Saged conduziu a administração do futebol de forma independente e pouco transparente.


O anúncio de Ronan Maria Pinto de que renunciaria ao cargo caso o Ramalhão fosse rebaixado à Série B do Campeonato Paulista soou como bravata publicada pelo Diário do Grande ABC na última sexta-feira, véspera do jogo decisivo com o São Bernardo, no Estádio Primeiro de Maio. Na edição de sábado não houve qualquer menção ao assunto. A explicação é que Ronan Maria Pinto teria se arrependido da declaração.


Aguarda-se para esta segunda-feira novo pronunciamento do dirigente, sempre através do Diário do Grande ABC. No mínimo, Ronan Maria Pinto confunde o particular como o público. O Ramalhão não é um bem particular que em situação de normalidade democrática devesse excluir o conjunto da mídia de informações relevantes. O Diário do Grande ABC é o canal pelo qual o dirigente se manifesta. Apenas o Diário do Grande ABC.


Fosse adepto da democracia da informação, Ronan Maria Pinto tomaria a iniciativa de convocar uma entrevista coletiva para responder a todos os questionamentos da Imprensa sobre o histórico do Ramalhão sob o controle do Saged.


Há especulações sobre a declaração de sexta-feira de Ronan Maria Pinto, construindo-se dois cenários distintos.


O primeiro daria conta de que o dirigente estaria apenas blefando. Ou seja: propagaria a intenção de renunciar ao cargo para forçar a direção do Esporte Clube Santo André a lhe fazer todas as vontades de transposição do Saged para uma nova empresa gestora que fique livre dos passivos acumulados. Algo parecido com a versão de que Jânio Quadros renunciou à presidência da República apenas para dar um golpe de Estado.


O segundo cenário seria mesmo uma declaração de quem estaria decidido a atender pedidos familiares.


Em qualquer uma das situações e de eventualmente outras que decorreriam dessas duas há inquietações de acionistas do Saged e de dirigentes do Esporte Clube Santo André.


Não se tem números confiáveis sobre os rombos financeiros em quase quatro anos de Saged. Uma contabilidade que leve em conta vários quesitos chega à conclusão que os valores somariam R$ 40 milhões.


Esse montante não é necessariamente o que se tem a pagar a credores privados e a instâncias governamentais por conta de impostos atrasados. Envolveria também recursos financeiros capitalizados com a transposição do Ramalhão de equipe associativa para equipe empresarial, além da venda de jogadores.


Certo mesmo é que há um grande desconforto nas relações entre o Esporte Clube Santo André e o comando do Saged. Principalmente porque Ronan Maria Pinto tenta imputar parte do fracasso da empresa que administra o Ramalhão à engenharia burocrática legal que supostamente impediria o Saged de atuar como clube-empresa. Nada que deva ser levado a sério, mas que é espécie de cavalo de batalha de Ronan Maria Pinto.


A consistência do argumento do presidente de que faltou autonomia para o Saged fazer o que mais lhe convinha do futebol nos últimos quatro anos é semelhante à justificativa de que o aumento da criminalidade em Diadema no ano passado tem origem na eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.


Certo mesmo e indiscutível é que o desaparecimento do Ramalhão do cenário esportivo brasileiro, depois de tantas estocadas que rebaixaram o prestígio de quem já ganhou a Copa do Brasil, não é uma encenação dos dirigentes do Esporte Clube Santo André. Até porque, não há recursos financeiros para a manutenção da equipe. Daí, inclusive, o surgimento do Saged no firmamento esportivo da cidade. Uma alternativa que parecia adequada para oxigenar o Ramalhão mas que, sob controle centralizador de Ronan Maria Pinto, tornou-se inesgotável fonte de comprometimento e decepções.


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