Esportes

São Caetano continua a sofrer de
Síndrome dos 15 Minutos Finais

DANIEL LIMA - 19/09/2011

O São Caetano que sofreu o gol de empate do Americana sábado no Estádio Anacleto Campanella aos 40 minutos do segundo tempo segue com a Síndrome dos 15 Minutos Finais. Foi assim contra Ponte Preta, Barueri e Sport Recife. Sem contar o gol sofrido em Campinas diante do Guarani e eventualmente outros que a memória deixou escapar.


É impressionante como o Azulão não consegue manter vitória em casa em situações perfeitamente controláveis. Só nesses jogos foram desperdiçados oito pontos na classificação geral.


Sei lá se outras equipes da Série B do Campeonato Brasileiro repetem a sina do São Caetano. Tenho quase certeza de que isso é mesmo marca registrada da equipe da região. Nos jogos anteriores, sob o comando de Márcio Goiano e Oswaldo Vadão Alvarez, os percalços em casa devem ser debitados ao descaso.


Foram situações em que a equipe poderia ter cuidado mais do sistema defensivo, com substituições providenciais, mas optou por observar os adversários avançarem sobre suas linhas.


Sábado foi diferente: o técnico Márcio Araújo até que tentou fortalecer a marcação, substituindo um cansadíssimo Kleber por um quarto volante, Léo Mineiro.


A troca foi coerente, embora o mais conveniente mesmo fosse a entrada de um terceiro zagueiro, porque o Americana recorria sistematicamente a levantamentos na área. Uma falta desnecessária de Antonio Flávio na intermédia, uma batida forte do especialista Fumagalli, um desvio de cabeça de Souza (o melhor do time) e a bola no fundo da rede: o Americana chegou ao empate.


Possivelmente o técnico Márcio Araújo já tenha detectado um dos problemas da equipe: o excesso de infrações na entrada da área. De que adianta, como se viu sábado, a equipe se dedicar para valer na marcação, fechando os espaços laterais e centrais, se em determinadas situações cai na bobagem de interromper o avanço adversário com infrações dispensáveis?Antes do gol de Fumagalli no final do jogo, o Americana esteve às portas de abrir o placar no começo do segundo tempo após cobrança de falta na entrada da área, pela esquerda. O goleiro Fábio teve de se virar na defesa.


De qualquer forma, o empate com o Americana não foi um desastre porque o adversário está muito bem organizado e justifica posicionamento entre os quatro primeiros. Além disso, Vila Nova, Icasa e Guarani, com quem o São Caetano parece começar a disputar uma corrida maluca para fugir do rebaixamento, perderam jogando em casa. Salgueiro e Duque de Caxias já estariam mais que encaminhados ao descenso.


O que o jogo de sábado deixou de positivo para o São Caetano foi a mensagem de evolução no padrão de jogo durante os 90 minutos, depois de começar cambaleante, deixando-se dominar por um adversário que marcava adiantado e não permitia a armação de um meio de campo formado por três volantes (Souza, Augusto Recife e Ricardo Conceição), um meia-articulador(Kleber) longe dos melhores dias, e dois atacantes distantes demais entre si (Ricardo Xavier e Antonio Flávio). Sem contar que, nitidamente abalado pela falta de confiança de três derrotas seguidas e pela troca de treinador, o São Caetano parecia movimentar-se numa cristaleira, com todo o cuidado para não errar.


Somente a partir dos 20 minutos, quando o Americana reduziu a força de marcação por pressão, o São Caetano pode reconhecer-se como mandante. E mesmo sem poder de penetração, chegou várias vezes ao gol adversário em chutes da entrada da área.


Poderia ter terminado o primeiro tempo em vantagem.


No segundo, agora avançando pelo menos dois dos volantes, principalmente Souza, e com um Kleber mais dinâmico, o São Caetano começou a criar espaços, até que chegou ao gol, após um chute forte de Souza, rebote do goleiro e complemento de Ricardo Xavier.


Mal sofreu o gol o Americana do técnico Sérgio Guedes abandonou o sistema que replicava o Santo André, com três volantes, substituindo um deles por um atacante, Marcinho. Deu-se ao São Caetano a opção do contragolpe que só não encaixou na velocidade e com a contundência esperada porque Kleber já não suportava o peso do cansaço e Antonio Flávio tem dificuldades para construir jogadas a partir do meio de campo. É muito mais um atacante.


A vitória parecia consequência natural dos cuidados defensivos do São Caetano a obstar o maior volume de jogo do Americana, mas eis que Antonio Flávio entregou de bandeja o que Fumagalli tanto esperava: a oportunidade de exercer, pela terceira vez no jogo, a contundência de cobrança de falta forte, cortante, sempre à espera de uma cabeça. Souza não merecia ter levado o Americana ao empate.


Agora restam 14 jogos ao São Caetano. São 42 pontos em disputa. É preciso ganhar 21, ou 50%, a se confirmar a tendência histórica de que se escapa do rebaixamento com 46 pontos ganhos. Nada melhor que ganhar os próximos seis — contra o Icasa no Anacleto Campanella e o lanterninha Duque de Caxias no Rio de Janeiro. Dependendo dos resultados desta semana, o São Caetano sai do rebaixamento no sábado. Seria ótimo.


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