Administração Pública

Sem respostas, Aidan dá ordem:
nada de entrevista à CapitalSocial

DANIEL LIMA - 14/02/2012

Já andava desconfiado, mas agora uma fonte me transmite a certeza de que existe uma recomendação, ou ordem, do prefeito Aidan Ravin: nenhum secretário deve conceder entrevista a este jornalista. Não imaginava que fosse tão importante, embora saiba que até mesmo as chamadas à leitura das edições desta revista digital causam desconforto em instâncias públicas. Sobretudo em Santo André. Que posso fazer se o prefeito Aidan Ravin, boa praça mas trapalhão administrativo, não dá conta do recado e aplica o princípio da linha dura dos ditadores a quem não lhe beija a mão?


 


Fosse melhor assessorado na área de comunicação, ou se ao menos ouvisse mais atentamente especialistas que a Prefeitura mantém em seus quadros, Aidan Ravin saberia que não vivo necessariamente de entrevistas diretas nem dele nem de qualquer um de seus secretários. É fácil explicar: não dependo de um nem de outros para dar conta de meu trabalho. Basta me informar com aqueles que os rodeiam e vasculhar principalmente as entrelinhas das matérias publicadas na mídia regional.


 


Possivelmente Aidan Ravin jamais tenha ouvido falar de um ícone do chamado Novo Jornalismo. Gay Talese esculpiu o mais saboroso, detalhado e revelador perfil do cantor Frank Sinatra para a revista Esquire, em 1965, sem ter tido um único encontro com o protagonista. Para saber sobre a Administração Aidan Ravin não necessariamente preciso ouvi-lo, e também a seus secretários. Se o preço às entrevistas for a condescendência, o dobrar de espinha, a lambeção dos áulicos, prefiro mesmo distância. Não faltam opções adocicadas para atender aos desejos do prefeito.


 


Agora, se pensam Aidan Ravin e seus secretários que este jornalista estará sempre a postos para fustigar-lhes os traseiros gerenciais, procurando paranoicamente todos os pontos falhos para apontar críticas, estão absolutamente enganados. O grau de acuidade à gestão de Aidan Ravin é o mesmo que dedico às demais administrações municipais. A diferença que separa o prefeito petebista dos demais é que comete tantas falhas, expõe de tal maneira as limitações gerenciais, que é impossível fechar os olhos, tapar os ouvidos e congelar os dedos para aplacar o desejo inerente ao jornalismo, ou seja, dedilhar textos.


 


Complicações demais


 


Quem em sã consciência mantém um primeiro ministro durante três anos consecutivos e, na reta de chegada de uma disputa eleitoral e também de uma série de definições administrativas, perde completamente o controle político e vê seu principal aliado bater asas não em direção aos oposicionistas, mas à preparação da própria campanha rumo ao Paço Municipal? Somente isso bastaria para deixar a Administração Aidan Ravin entre a cruz da estupidez e a caldeirinha da desfaçatez. Um acidente de percurso, dirão os mais otimistas. Pode ser. Mas mesmo para esses casos a saída encontrada pela Administração Aidan Ravin foi a janela dos fundos, quase envergonhada.


 


Mas tem muito mais, como se pode acompanhar mesmo nos jornais que durante todos esses anos lhes entregaram as cuecas. Estão aí a crise do futebol da cidade, o desmantelamento do esporte semiprofissional, o caso mais que cabeludo do assalto na Secretaria de Obras, o apagão geral da energia elétrica da cidade por conta de uma burocracia imprevidente, o noticiário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico plenamente unilateral, festivo e irreal, a burrice mesclada de vaidade que cerca o caso da Cidade Pirelli, a negativa de uso do Teatro Municipal para a homenagem aos 10 anos sem Celso Daniel. Tudo isso e muito mais que me vêm à cabeça num piscar de olhos demonstram o quanto a Administração Aidan Ravin é uma sucessão de equívocos.


 


Mas mesmo com esse quadro caótico aos olhos de todos, não é que estou procurando um ponto importante no qual possa fixar umas estacas de elogios meritocráticos à Administração Aidan Ravin porque também entendo que meu ofício envolve o cavoucar de temários positivos? Aliás, não foi por outra razão, caro prefeito, que durante 15 anos do Prêmio Desempenho Empresarial, do Prêmio Desempenho Cultural e do Prêmio Desempenho Social, coordenei a entrega de 1.718 troféus a empresas, entidades e pessoas físicas da Província do Grande ABC, inclusive às Nossas Madres Terezas e aos nossos Freis Galvão.


 


Quem tiver uma ficha minimamente semelhante a esta, em qualquer período histórico desta Província, que se apresente. E tudo sob controle ético rígido, inclusive com auditorias externas.


 


Há um vereador na praça que sabe do que estou falando quando me refiro a uma pendência administrativa positiva do prefeito de Santo André. Dependo de algumas informações consistentes para levar a estas páginas digitais uma resolução do Paço Municipal que, se confirmada, seria um tiro certeiro num determinado setor abusivamente deletério e ganancioso.


 


Um desafeto a mais


 


O que o prefeito Aidan Ravin precisa entender, se ainda não entendeu, é que não será com contrapartidas que fará desse jornalista mais uma porção do cordão de puxa-sacos que o cerca. Santo André é, entre os municípios da Província do Grande ABC, o que mais exige intervenções públicas no campo econômico, porque mais sofreu nas três últimas décadas, e a isso jamais o prefeito de plantão deu a menor atenção. Muito pelo contrário.


 


Talvez Aidan Ravin não tenha a ideia de que pouco me lixo para aumentar a lista de desafetos que o jornalismo sério e independente impõe. Tê-lo ao lado de Sérgio De Nadai, Ronan Maria Pinto, Milton Bigucci e outros poucos mais não me fará nenhuma diferença. Não perderei um minuto de meu sono, porque o sono dos justos me acompanha. Entrevistá-lo ou não, entrevistar seus secretários, ou não, não diminuirão em nada o potencial bélico em defesa da comunidade de Santo André. Muito pelo contrário.


 


Tantos outros personagens precários da vida regional passaram pela minha carreira e se foram diretamente para o anonimato. Ou estão aí, como é o caso da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) que precisou de uma disputa presidencial para que os dois concorrentes repetissem boa parte das análises críticas que produzi ao longo dos anos.


 


O tempo, caro prefeito, é o senhor da razão. Deixar emburradamente de participar destas páginas digitais não assegura que não o teremos aqui. Muito ao contrário. Para o bem e para o mal. Gay Talese já nos ensinou lá atrás que quanto mais obstáculos opõem à informação, mais nos lançamos à empreitada reservada pelo destino. Esse é o meu destino, que se cruzou com do caro prefeito. Vida que segue, portanto.


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