O sindicalismo dos metalúrgicos de São Bernard fez história trabalhista e política no País e atraiu olhares influenciadores em direção ao Grande ABC. Entretanto, agora está se consolidando como sindicalismo de conveniências que sufocam o próprio histórico de glórias corporativas, independentemente de juízo de valor sobre os efeitos colaterais fora dos muros da categoria.
O centro de destruição da reputação de sindicalismo corporativo está ganhando a forma de sindicalismo de trabalhadores desprezados por conta de anexação das lideranças locais aos desígnios do Estado Federal comandado pelo ex-sindicalista Lula da Silva. O mesmo Lula da Silva que liderou o movimento sindical a partir do final dos anos 1970. São Bernardo e o Grande ABC deixaram de ser um apêndice geográfico da Capital.
Esse mesmo Lula da Silva que liderou as grandes greves em São Bernardo e ajudou a minar as arbitrariedade do Regime Militar é apontado como dócil entreguista nas relações comerciais com os chineses de eletrificação de veículos em massa.
Estou pouco me incomodando se os sindicalistas em geral vão me condenar por essa que é mais uma análise que desmascara lideranças. Eles conduzem trabalhadores como rebanhos em direção a um matadouro de desindustrialização em forma de invasão chinesa no setor automotivo.
Como se sabe, a Industria Holandesa Automotiva ainda carrega o Grande ABC nas costas, mesmo de joelhos diante da concorrência cada vez mais internacionalizada e despudoramente abusiva. Caso dos chineses de regime político ditatorial e regime capitalista sob controle estatal.
Trata-se de um desenho de competitividade internacional que não resiste a nenhuma sabatina séria que investigue as relações trabalhistas entre tantos estupros às conquistas ocidentais. Inclusive no Grande ABC de São Bernardo e de lideranças que emergiram com a consagração do metalúrgico Lula da Silva.
MANIFESTÇAO INVERSA
Fico imaginando que, mesmo que complete uma vida centenária como apontou algo próximo disso uma quiromante, jamais presenciarei uma passeata dos metalúrgicos na Via Anchieta, como no passado de sindicalismo corporativista.
Que tipo de passeata? Uma passeata em defesa da classe mas, nesse caso, de revolta dos peões contra os mandachuvas sindicais que se dobram à política partidária sem limites à preservação da espécie dos metalúrgicos.
A história dos revoltosos peões do passado ganha portanto uma inversão de valores econômicos e sociais. Invadir o mercado automotivo do Grande ABC e do País como um todo está liberado, desde que os olhos puxados combinem com a consciência vazia ou oportunista da rede de proteção a um socialismo predador e a ganância tupiniquim pela manutenção do poder.
Não bastasse o passado recente de patacoadas de lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, o que temos para o cardápio de surrealismo trabalhista nos últimos tempos são espertezas que procuram encontrar porto seguro fora da geografia regional, mais precisamente em Brasília. Calar-se diante dos chineses especialistas em dumping social é a fina flor da incoerência sindicalista de São Bernardo.
Os desbravadores sindicalistas que pararam as linhas de produção em defesa da valorização da classe devem estar rasgando os próprios macacões que guardariam de lembranças dos tempos passados de relações mais justas principalmente nos chãos de fábricas.
SILENCIO PROGRAMADO
O silêncio dos trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo é o preço pago propositadamente para auxiliar forças políticas e econômicas externas. Já imaginaram os leitores se o comando do Palácio do Planalto fosse à direita do espectro político-ideológico e o desmonte gradual do setor automotivo entrasse na pauta dos metalúrgicos?
A passividade controlada seria substituída pelo aguerrimento fanatizado. A seletividade de indignação parece colocar os metalúrgicos de São Bernardo e o sindicalismo regional sob regramento santificado.
As lideranças metalúrgicas de São Bernardo seriam vacas sagradas que jamais poderiam ser tocadas criticamente sob qualquer aspecto. Daí reagirem a eventuais críticas. O jornalismo profissional só teria valor se combinasse a linha editorial com a linha de produção automotiva sob o domínio de mandachuvas sindicais.
PEÇA DO DESTINO
Parece que o destino pregou uma peça dramática nos trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo, transformando-os em vítimas de lideranças que, como na Revolução dos Bichos, de George Orwell, acompanham o controle da fazenda de veículos de São Bernardo em longo experimento socialista.
Talvez os trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo já tenham percebido que vivem à sombra de uma tragédia anunciada.
As lideranças dos metalúrgicos de São Bernardo são mais iguais que os demais metalúrgicos. Eles vivem num patamar diferenciado na hierarquia político-sindical e por isso mesmo estão comprometidos com alinhamentos que sabotam a própria manjedoura de conquistas trabalhistas tão alardeadas mas já duramente impactadas com a redução gradual e sistemática do universo de trabalhadores do setor. Fichinha perto do potencial bélico dos chineses predadores.
O mais engraçado de tudo isso, se é possível dizer há algo de engraçado nessa tragédia que adiciona combustível na crise econômica regional, é a reação de algumas lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, os mais iguais que os peões de chão de fábrica que um dia também o foram.
ZERO DE MOBILIZAÇÃO
Por questão de confidencialidade genética da lista de leitores de CapitalSocial no aplicativo WhatsApp, reservo-me o direito de não revelar nomes. Mas vários deles parecem previamente organizados ao se juntarem para espicaçar o anúncio antecipado por este jornalista sobre a pauta.
Rio a valer de todos eles. Até porque não seria a primeira vez. Durante o segundo mandato desastroso da presidente Dilma Rousseff, especialmente entre 2015-2016, foram decepados quase 100 mil empregos com carteira assinada no setor industrial. O PIB Tradicional caiu 26% naqueles dois anos. Nenhuma mobilização foi levada a campo em forma de protesto. O silêncio daquele período de maior recessão da história do Grande ABC era igualmente conveniente às relações exteriores centralizadas em Brasília.
Mas a bem da verdade e numa prova provada de que já não se fazem mais lideranças metalúrgicas como nos anos 1980, igual silêncio marcou a passagem do presidente Fernando Henrique Cardoso num ciclo em que igualmente 100 mil carteiras assinadas desapareceram das fábricas.
ANTIGAS LIDERANÇAS
A passividade diante de um adversário político que comandava Brasília revelava já naquele período o quanto o movimento sindical minguou como força institucional do Grande ABC. Na prática, os trabalhadores estão órfãos há muito tempo, embora os rescaldos definidos como Custo ABC resistam. Com Dilma Rousseff e agora com Lula da Silva, máquina federal à disposição, o silêncio dos trabalhadores obedece ao enquadramento da cúpula sindical. A resistência ao patronato dos tempos de greves virou relações espúrias com o Estado Federal.
Fossem as antigas lideranças do sindicalismo metalúrgico de São Bernardo preocupadas de fato com a categoria que levou o Grande ABC às manchetes internacionais nos anos dourados dos trabalhadores de fábricas, o mínimo que poderiam contribuir para colocar ordem na casa seria exigir prestação de contas dos atuais dirigentes, entreguistas ao capital invasivo dos chineses.
Entretanto, como acreditar em algo semelhante se, na velocidade de acordos e acertos ideológicos, todos estão no mesmo veículo com destino ao precipício de novo ciclo de esvaziamento industrial do Grande ABC?
QUIMIOTERAPIA ECONÔMICA
Ou alguém tem dúvidas sobre isso? Ainda ontem o jornal Valor Econômico publicou nova reportagem dando conta do quanto os chineses avançaram no mercado nacional no primeiro semestre com seus veículos profusamente protegidos pelo sistema oriental de dominar o mundo dos elétricos.
As lideranças metalúrgicas de São Bernardo precisam passar por uma sessão especial de quimioterapia econômica. Entretanto, não seriam as velhas lideranças que saltariam ao estrelato nacional e internacional que contrariariam a ordem geral de Brasília. A mesma Brasília que tem facilitado o intercambio dessas mesmas lideranças com ditadores metalúrgicos chineses.
Ingenuamente, ou mais espertos do que parecem, nossos sindicalistas metalúrgicos ainda recentemente ganharam manchetes de jornais como esperançosos líderes que atrairiam industrias chineses para o Grande ABC. O anúncio já completou dois anos e não se tem informação alguma de como seria esse milagre ou essa estultice de atrair capital chinês para o Grande ABC metalúrgico sem que a medida não levasse correnteza abaixo todas as chamadas conquistas trabalhistas das lideranças do passado, principalmente sob a chancela espetacular do sindicalista Lula da Silva.
As iniciativas das lideranças dos metalúrgicos de São Bernardo devem ser vistas com o olhar crédulo de que temos um grupo aparvalhado no comando dos peões. Se essa turma não for de trapalhões, o patrimônio espetacular de insurgência sindical cultuado pela mídia não teria passado de uma obra de engenharia política sob o pretexto de revolta contra os desajustes trabalhistas.
Como não se acredita, até prova em contrário, na versão de equívocos aleatórios no presente, resta saber até quando os líderes metalúrgicos vão insistir em trair a própria classe.
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30/06/2026 DILMA FURAÇÃO É INSUPERÁVEL