Lá já não existem vozes.
Nem ambiente agitado, burburinho.
De felicidade ou decepção.
Já não se escutam gritos.
Lá dentro não mais ecoam vaias.
Tampouco aplausos a cada gol, a cada drible.
Já não existem olhares atentos e poderosos?
Aqueles, que desviam a trajetória da bola fatal.
Lá não existe vida. Nem alegria.
Já não batem corações descompassados.
Felicidade? Emoções? Lágrimas?
Nem pensar! Só passado! Só saudade!
A sensação de tristeza é infinita.
A dor, cortante, dilacerante.
O silêncio, sepulcral.
A sombra, mortal.
Olhar amplo e sensibilidade aguçada fazem imaginar.
Fazem sonhar com os gols de Tulica e Sandro Gaúcho.
Com defesas de Tonho e arrancadas de Da Silva.
Permitem sonhar com Adãozinho e o pênalti do acesso.
No imaginário, há, sim, vozes.
De Wigand, Amazonas, Celso Lara, Jairo,
Germano, Breno, Celso Luiz, Lauro Oliani,
Passarelli e outros dirigentes-torcedores.
Com certo esforço, dá pra ouvir a
voz do Samuca, do Anderson, do Dedé, do Zezão...
Também do Renatinho, do Ovídio, do Esquerdinha.
E de tantos outros torcedores de verdade.
Alguns deles já se foram.
Já não gritam "burro", nem "uuuh" no quase gol
Tampouco saboreiam o mel da grande vitória.
Por sorte, não testemunham o sofrimento de um doente terminal.
Lá, na velha curva, ninguém mais escala.
Também não vibram, nem substituem.
Ninguém contrata nem demite treinador.
Só se ouve o som irritadiço do casal de quero-quero.
Já não existem bilheterias.
Nem ingressos para o grande duelo.
Já não existem marquises.
Nem as numeradas de tanta história.
Onde está o pipoqueiro?
E o Galinha, do amendoim?
E o sorveteiro, por onde anda?
Falta vida. Sepultaram o encanto!
É triste olhar para o nada.
É vergonhoso ver um barranco.
O portão fechado é uma afronta.
É uma ferida que não cicatriza.
Lá, já não se externam sentimentos.
Não existem vozes a favor ou contra.
Lá, não entra torcedor comedido nem fanático.
Direito à manifestação popular é utopia.
Diante do Corinthians, mais de 23 mil vozes.
Contra o Palmeiras, um passado de 21 mil vozes.
Diante do Macaé, um presente vergonhoso, sem vozes.
Ontem, contra o Brasiliense, a derrota do desprezo.
Diante de olhos cansados e marejados.
Aidan e Ronan agem como coveiros.
Os donos do poder encenam. Parece teatro! Má vontade!
Dão de ombros e desrespeitam a paixão do torcedor.
Por isso o Ramalhão da Fúria, da Tuda e de tanta gente está assim.
Sem norte, sem porto, sem campo e ainda sem o calor da torcida.
Por incompetência do Saged e negligência do prefeitão.
Nosso já pobre futebol agoniza e pode até morrer.
O Bruno Daniel está calado, amordaçado.
Os gritos do rico, do pobre e do cidadão comum já não ecoam.
A ausência da emoção soa como um chute no coração.
Sem povão, falta alma. Sobra tristeza.
Falta comprometimento. Falta diálogo. Falta vergonha!
Falta postura! Falta transparência. Falta caráter!
Sobra menosprezo. Sobra conivência entre os poderosos!
Resultado? Cusparadas imperdoáveis no rosto e na alma do torcedor.
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05/08/2024 Conselho da Salvação para o Santo André