Administração Pública

Novo escândalo de Marinho. E se
ele fosse candidato a governador?

DANIEL LIMA - 30/09/2013

Do jeito que a Administração Luiz Marinho está destrambelhada, fico a imaginar se não valeria a pena introduzir mais uma modalidade no Observatório de Promessas e Lorotas, que o prefeito petista de São Bernardo lidera com certa folga. Que tal o Observatório de Promessas, Lorotas e Escândalos? Sou levado à sugestão por conta da manchete do Diário do Grande ABC de ontem, que denuncia o petista de abrir portal de facilidades à realização de uma obra portentosa em custos e discutível em bom senso, o Museu do Trabalho e do Trabalhador, a uma empresa que tem como sócio um desempregado de Diadema que de fato não passava de laranja bichada de beira de estrada.


 


É claro que estou apenas zombando da gestão Luiz Marinho quando sugiro que o Observatório de Promessas e Lorotas incorpore a categoria de descaminhos administrativos. A medida teria um aspecto cruel, de passar a ideia de que já teria transitado em julgado qualquer escândalo que venha a ser veiculado pela mídia. Só por isso não adoto a iniciativa. Haveria uma contaminação na credibilidade dos vetores “promessas” e “lorotas”, contabilizados com base exclusivamente nas próprias declarações dos respectivos administradores municipais da região e do secretariado que os servem. 


 


Se querem saber o que acho sobre mais um potencial escândalo da gestão Luiz Marinho, mesmo reconhecendo que o Diário do Grande ABC tem por mania editorial uma vocação incrível a publicar apenas o que lhe interessa circunstancialmente, o que acho, estava dizendo, é que a situação está feia demais para o petista. Já imaginaram os leitores se Luiz Marinho tivesse cacife partidário e eleitoral para se lançar para valer mesmo, não apenas como ferramental de marketing, ao governo do Estado, como é seu sonho de consumo? Seria triturado pelos opositores e pela mídia da Capital que mantém a Província na penumbra de informações porque nos considera apenas gatas borralheiras. É só Luiz Marinho se candidatar à Cinderela que apanharia tanto quanto cachorro que cai de caminhão de mudança.


 


Chute na canela


 


Esse laranja de beira de estrada da empresa que constrói o Museu do Trabalho e do Trabalhador, de R$ 20,8 milhões de orçamento, é um chute na canela da credibilidade licitatória de Luiz Marinho. Não para este jornalista, se querem saber. Desde que o petista caiu nos braços do empresário Milton Bigucci e abafou administrativamente o escândalo do terreno que dá vez ao empreendimento Marco Zero, tenho os dois pés atrás. Nem precisaria ser avaliada a administração da Fundação do ABC, que seu protegido Maurício Xangola Mindrisz comanda com a habilidade e a independência de déspotas financiados por interesses estrangeiros.


 


O que me intriga, mas nem tanto, é saber qual é ou quais são as fontes que alimentam as escorregadelas da Administração de Luiz Marinho na Redação do Diário do Grande ABC. Antes do caso do Museu do Trabalho e do Trabalhador, que num País sério causaria a cassação do mandato do prefeito, estourou a irregularidade da nomeação do secretário de Saúde, Arthur Chioro, flagrado em, segundo especialistas, flagrante impedimento, porque tem participação acionária mais que relevante numa empresa de consultoria também na área de saúde, com contratos firmados com várias prefeituras paulistas, inclusive de petistas.


 


Água no chope


 


Afinal, quem está jogando água no chope da Administração Luiz Marinho? Quem está atirando pedras na lagoa até então farta de peixes? As especulações são explosivas. Além dos dois principais grupos de oposição suspeitos, dos deputados Orlando Morando e Alex Manente, que querem ver Luiz Marinho e o pretendido sucessor petista nas profundezas da desmoralização, também não faltam informações sobre fogo amigo. Ou seja: seriam petistas muito próximos do centro de operações da gestão Marinho a disparar foguetes de efeitos morais, éticos e judiciais.


 


As especulações sobre o fogo amigo petista se dividem em várias vertentes, duas das quais ganham as apostas nos guichês de idiossincrasias. Falam-se muito sobre os dois agrupamentos que estão concorrendo em raias distintas à Assembleia Legislativa. Um, do supersecretário sem pastas, Luiz Fernando Teixeira; outro, da deputada Ana do Carmo e do diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Teonilio Barba.


 


É verdade que faltariam nexo e lógica ao fogo amigo petista, porque as denúncias que alimentam o Diário do Grande ABC desgastam o PT como um todo, não exclusivamente o prefeito Luiz Marinho. Mas quem conhece até que ponto a política é um barril de pólvora defende a tese de que estariam sendo emitidos sinais de descontentamento que levariam a um acerto dos ponteiros antes que se alimente a imprensa com mais irregularidades. As doses teriam sido devidamente calibradas para reequilibrar o jogo interno do PT. No caso de estrategistas de Ana do Carmo e de Teonílio Barba, os foguetes lançados demonstrariam o descontentamento em relação à suposta prioridade que Luiz Marinho daria ao dono do cofre paralelo, Luiz Fernando Teixeira. Já no caso de atribuir-se a Luiz Fernando Teixeira a tática do vazamento de informações, coloca-se como peça a ser considerada eventual contrapartida de apoio do jornal à candidatura de alguém que tem toda a força do mundo e um pouco mais.


 


Certamente não faltam outras formulações destinadas a botar fogo nesse circo de horrores de gestão pública. Sobriamente fico com os tentáculos de Alex Manente e Orlando Morando. Os leitores que indagarem a razão de tanto um quanto outro não aparecerem para assumir a denúncia terão como resposta algo que não pode ser considerado uma saída evasiva: a sombra da dúvida sobre a autoria da onda de denúncias os mantém a salvo de eventuais e possíveis represálias.


 


Seja lá quem está a atear fogo no paiol de barbaridades da Administração Luiz Marinho, a pergunta que certamente os leitores estão a fazer é a seguinte: o que vai acontecer além das manchetes nas páginas do Diário? Como os demais veículos de comunicação da região não têm por hábito apanhar a bola de furos de reportagem no fundo da rede da naturalidade no mundo da informação, optando pelo silêncio, o desgaste de cada caso denunciado será localizado e receberá de uma camada de leitores ares de desconfiança sobre a veracidade das notícias, preferindo-se dar-lhe conotação de perseguição política.


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