Administração Pública

Administração Marinho é como
aquilo: quanto mais se mexe...

DANIEL LIMA - 11/10/2013

O Diário do Grande ABC volta à carga em manchetíssima de primeira página para transmitir o óbvio indispensável: a Administração Luiz Marinho é em termos éticos e de moralidade pública aquilo que todo mundo obrigatoriamente faz, alguns mais, outros menos. Pode o leitor supostamente mais refinado ou hipócrita condenar a linguagem, mas o que posso fazer se acordei desbocado e não resisti a ousar dizer em público o que a maioria faz no privado? Se é que me entendem. 


 


E pensar que Luiz Marinho até outro dia era incensado, inclusive pelo próprio Diário do Grande ABC, como candidato em potencial ao governo do Estado. Mesmo com o presidente Lula da Silva, mais ponderado, opondo-se sutilmente à barbaridade que condenaria o PT a uma derrota fragorosa num Estado conservador que não tem nenhuma vocação a aceitar sindicalista no Palácio dos Bandeirantes.


 


Esse juízo de valor está clarificado nas pesquisas e não tem nada a ver com a opinião deste jornalista, é bom que se diga antes que e-mails mal-educados entupam minha caixa postal. É possível que um ou outro sindicalista, bem como um ou outro advogado, médico e até jornalista tenham condições técnicas de dirigir o Estado de São Paulo. Até porque não precisam ser nada de extraordinários: Geraldo Alckmin está aí para provar. Mas Luiz Marinho seria demais, convenhamos.


 


Somente agora a ficha da realidade está caindo para a maioria até então crédula na sustentabilidade de uma administração medíocre: Luiz Marinho faz parte de uma confraria de engodos muito bem lubrificados pela máquina sindical, pela máquina partidária, pela máquina acadêmica e pela máquina de interesses entre capital e trabalho que se cruzam e se retroalimentam. São conluios de força sistêmica que transformam córregos em cataratas. 


 


Areia demais


 


As qualidades pessoais que detém, como a capacidade de receber impactos e assimilá-los dentro de um nível emocional típico de quem está treinado a desventuras, não são suficientes para remeter Luiz Marinho à grandiosidade política que se insinuou ao longo dos anos. Tê-lo na chefia da Prefeitura de São Bernardo e alçá-lo à condição de chefe de Estado de esquerda na Província do Grande ABC foram provas acima de suas limitações. Talvez ele mesmo tenha se reconhecido uma carroceria muito aquém da carga lhe imposta, a ponto de fugir até recentemente da presidência do Clube dos Prefeito. Instância já ocupada por tantos medíocres sem a menor vocação à regionalidade de verdade. 


 


Descobriu o Diário do Grande ABC que Luiz Marinho foi financiado na última campanha eleitoral pela mesma empresa que arrebatou uma licitação pública delatada em cartório de registro de documentos um dia antes de se conhecer o resultado final que encareceu às alturas o custo de compra de salsichas da Sadia.


 


A cada nova revelação do Diário do Grande ABC, agora mais objetivo na trajetória errática de pegar no pé do prefeito, descobre-se o quanto a Administração Luiz Marinho enrola-se em suas próprias pernas de interesses obscuros.


 


Uma cronologia das trapalhadas jurídicas da Administração do petista mostraria que há uma correlação direta com a inapetência administrativa. A empresa que superfatura com as salsichas de Luiz Marinho provavelmente é apenas mais uma entre os muitos fornecedores da Prefeitura de São Bernardo.


 


Provas e desconfiança


 


Tenho todo o direito de desconfiar por suposição, além dos fatos já noticiados, entre outras razões porque há provas evidentes de descaminhos irrebatíveis, não bastasse o engavetamento vergonhoso e irresponsável (que agora o Ministério Público investe para valer na apuração) do caso do terreno arrematado de forma fraudulenta pelo empresário Milton Bigucci, até outro dia odiado e agora de braços dados com os petistas. Quem sabe o empreendimento Marco Zero, no terreno da trapaça, não seja a melhor resposta à omissão de Luiz Marinho? 


 


Uma Administração Publica que tem a ousadia de indicar um Xangola qualquer para comandar uma instituição, a Fundação do ABC, dona de um orçamento que ultrapassa a R$ 1,2 bilhão, não é uma Administração Pública que mereça confiança alguma. A meritocracia submete-se claramente à subjetividade e à semântica do protecionismo partidário, ideológico e outros mais.


 


O caso das salsichas é café pequeno perto da potencialidade destrutiva do que restaria de reputação da Administração Luiz Marinho se as entranhas da Fundação do ABC fossem abertas pelas autoridades ministeriais. Mas, nesse caso, não há interesse da mídia em geral. A Fundação do ABC é um conglomerado multipartidário do qual todos usufruem à custa de dinheiro público carimbado do Sistema Único de Saúde.


 


Quem acredita que o estoque de irregularidades da Administração Luiz Marinho já se encerrou não conhece um terço da missa. Há sempre uma nova etapa no ar. O grupo que lhe dá assessoria, bem como o governo paralelo do PT na gestão da Administração da Prefeitura mais rica da Província do Grande ABC, têm apetite pantagruélico. Há frondosas ramificações de esclerosamento dos critérios de responsabilidade administrativa e social. Quem viver verá.


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