A adoção de um marketing fantasioso da Administração de Paulinho Serra, que conta com a cumplicidade de parte da imprensa, veio abaixo com a dinamite restauradora do Ranking de Competitividade dos Municípios, macroindicador que contêm algumas imperfeições metodológicas, mas é um mapeamento respeitável de saúde econômica, institucional e social.
Produzido pelo CLP (Centro de Liderança Pública), o ranking coloca Santo André na 73ª posição. Está muito abaixo da 14ª colocada São Bernardo e, ainda mais distante, da quinta colocada São Caetano. Mauá ocupa a posição 203, um pouco acima de Diadema, 155ª colocada.
O CLP divulgou a quarta versão da competição e provocou estragos em Santo André. A primeira edição foi lançada em 2020, depois da experiência e do sucesso obtidos com o Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, lançado em 2011.
TRÊS DIMENSÕES
A primeira dimensão do Ranking de Competitividade dos Municípios analisa as instituições de cada Município, centralizando atenção nos pilares de sustentabilidade fiscal e funcionamento da máquina pública.
A segunda dimensão observa vetores sociais e o atendimento à sociedade, compondo os pilares de saúde, educação, segurança, saneamento e meio ambiente.
Por fim, o terceiro pilar revela a dimensão econômica, incluindo os pilares de inserção econômica, inovação e dinamismo, capital humano e telecomunicações.
Na Dimensão Econômica, São Caetano ocupa a 13ª colocação, São Bernardo a 55ª e Santo André apenas a 148ª. Na Dimensão Institucional, São Bernardo é a 13ª colocada, Santo André a 67ª e São Caetano a 136ª. Na Dimensão de Sociedade, São Caetano é a primeira, São Bernardo a 8ª e Santo André a 60ª colocada.
MARATONA DE INDICADORES
A liderança geral do Ranking de Competitividade dos Municípios Brasileiros é ocupada por Florianópolis, Capital de Santa Catarina, com 65,92 pontos dos 100 possíveis. São Paulo, Barueri, Porto Alegre, São Caetano, Curitiba, Campinas, Vitória, Santana de Parnaíba e Santos completam os 10 primeiros postos.
O Ranking de Competitividade dos Municípios é uma maratona de indiciadores envolvendo 65 temáticas e conta com a participação de 410 municípios com pelo menos 80 mil habitantes. Praticamente nada relacionado à gestão pública escapa ao inventário da organização.
A estrutura do ranking conta com o que os organizadores chamam de 13 pilares temáticos e três dimensões: instituições, sociedade e economia. E não se pode contestar os dados gerais, traduzidos no ranking, porque há metodologia a associar todos os resultados.
FALSO PARAÍSO
A ideia difundida por marqueteiros e mídia de que Santo André é um paraíso regional a salvo de críticas e de reparos não resiste aos dados. O erro constante de Paulinho Serra, prefeito difusor de propaganda enganosa ao festejar prêmios de encomenda, preparados especificamente para ações de marketing, não tem como resistir à realidade dos fatos.
Entretanto, porém e, todavia, Paulinho Serra não pode ser crucificado ou glorificada por conta de resultados bons ou ruins. É claro que o tucano que assumiu a Prefeitura em 2017 não inaugurou o placar da realidade onírica de Santo André, como pretende fazer crer diante de eventuais conquistas. Da mesma forma, não é o que se poderia chamar de coveiro nos maus resultados.
O Ranking de Competitividade dos Municípios deixa evidenciado que Santo André paga o preço histórico da decadência econômica que já completou quatro décadas. E que, exatamente por isso, exigiria do prefeito Paulinho Serra gestão reformista, não triunfalista. Santo André toma surra de São Caetano e de São Bernardo sem dó nem piedade. Não à toa cai pelas tabelas na classificação geral. Alguns exemplos revelam a distância de separa os dois vizinhos dos estragos em Santo André.
Em Saneamento Básico, Santo André está um pouco melhor que São Bernardo (63ª posição ante 74ª posição), mas apanha feio de São Caetano (nona colocada).
Em Segurança Pública, não é por acaso que há duas semanas Paulinho Serra foi atormentado com a liderança nacional de roubos e furtos de veículos. No Ranking de Competitividade dos Municípios está na posição 75, ante a 32ª de São Bernardo e a 3ª de São Caetano.
Em Sustentabilidade Fiscal, Santo André tem posicionamento geral abaixo da média de todos os próprios indicadores ao se colocar na 92ª posição, ante a 36ª de São Bernardo e a 84ª de São Caetano.
Em Funcionamento da Máquina Pública, Santo André de novo está muito abaixo do ideal, na 94ª posição, ante a 28ª de São Bernardo e a 192ª de São Caetano.
MAIS DERROTAS
Em Inovação, Santo André é a 103ª colocada, São Bernardo a 25ª e São Caetano a 30ª.
Em Inserção Econômica, Santo André está na posição 109, antes a 64 de São Bernardo e a 2ª de São Caetano.
O Capital Humano de Santo André ocupa a posição 149 no ranking, ante 135 de São Bernardo e 21 de São Caetano.
Em Telecomunicações, Santo André vai muito mal, na posição 291, ante 317 de São Bernardo e 218 de São Caetano. Ou seja: nenhum dos três municípios escapa.
A Qualidade de Ensino de Santo André ocupa a posição 114, ante a 30ª posição de São Bernardo e a 2ª posição de São Caetano. O Acesso à Educação coloca Santo André na posição 114, São Bernardo na 47 e São Caetano na 3ª posição.
A Qualidade de Saúde de Santo André está na posição 106, ante a 90ª de São Bernardo e a 10ª posição de São Caetano. O Acesso à Saúde é desastroso em Santo André, que ocupa a posição 276, ante a posição 55 de São Bernardo e a posição 28 de São Caetano.
RISCO DE REAÇÃO
Talvez seja melhor se precaver diante do vício de origem da Administração de Paulinho Serra. O que isso significaria? O prefeito em segundo mandato não aceita bola perdida, como se disputasse uma competição de várzea.
Marqueteiros doutrinados a tirar leite de pedra, porque acreditariam que a sociedade não sabe distinguir líquido de sólido, podem vir a ser desafiados a retirar da frente de uma ofensiva propagandística tudo que existe de ruim no Ranking de Competitividade dos Municípios e filtrar algo que seja extraordinário. Mesmo que fraudulento.
Quem duvida é porque levou a sério um título recente de que Santo André é campeã de esportes. Nada mais anedótico.
Não se deve subestimar o grau de imperialismo gerencial da Prefeitura de Santo André sob os desígnios de Paulinho Serra. Jamais em toda a história da política municipal um prefeito chegou a contar com tão gigantesca ofensiva protetiva. Santo André das páginas da maioria da mídia regional é a porta da felicidade. Mas não resiste a estudos sérios com o do Centro de Liderança Pública, com sede na Capital.
O Centro de Liderança Pública é apresentado como uma organização suprapartidária que busca engajar a sociedade e desenvolver líderes públicos para enfrentar os problemas mais urgentes do Brasil.
Desde 2008, a organização já ultrapassou a mil cidades impactadas por projetos ou cursos; e tem mais de 300 pessoas na rede de líderes, que já alcançou 24 Estados, diferentes partidos políticos e setores da Administração Pública.
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