Política

LULACÁ, TRAGICAMENTE?
COMO FOMOS EM 2023? (5)

DANIEL LIMA - 26/01/2024

Em termos de Planejamento Estratégico, este novo capítulo desta série, nenhuma, absolutamente nenhuma novidade no front de descaso, desleixo e muito mais nas relações econômicas entre a região e o Governo Federal. Pior que isso, ou melhor que seja assim? Nem mesmo promessa, uma mísera promessa, de que haveria uma mensagem de suposta aproximação se deu durante toda a primeira nova temporada do quinto governo petista em Brasília.

Com menos de 2% de participação no PIB Nacional, ou mais precisamente 1,67% segundo os dados do PIB de 2021, o ABC Paulista não passa de um traço de audiência de suporte federal.

Mas é preciso compreender e entender que nada é por acaso. Há uma fonte pródiga de negatividades a dar suporte à negligência federal: a região não existe como região, mas como uma conglomerado antagônico, divisionista e desleixado de agentes políticos que só estão de olho nas questões partidárias e nos interesses pessoais.

Não existe, portanto, nenhuma massa de convergência que enxergue o futuro da região como região. Trata-se de uma partilha incompatível com os cenários mais avançados de gestão principalmente pública. Não se tem os sete municípios como potencial de multiplicação de resoluções transformadoras. O que vige é o esquartejamento de qualquer iniciativa que tenha o associativismo como elemento-chave.

A ANÁLISE DE 2023

É muito difícil dar corda a eventual entusiasmo que colocaria o governo federal de Lula da Silva como âncora de questões econômicas viscerais do Grande ABC. 

Traduzindo a equação: quem acredita que haveria no cronograma mesmo que informal do governo federal geneticamente relacionado ao Grande ABC um dispositivo que tornasse ação para valer a construção do que poderia ser chamado de Planejamento Estratégico Regional, há tanto tempo defendido por este jornalista?

Se durante os 14 anos do PT no governo federal com Lula da Silva e Dilma Rousseff, período no qual regionalmente se destacou o sindicalista Luiz Marinho, também ex-sindicalista, nada de efetivo se alterou positivamente no Grande ABC, o que esperar agora que a situação está fortemente danificada?

Não se pode jogar para escanteio dois fatos correlacionados: Luiz Marinho elegeu-se prefeito de São Bernardo em dois mandatos e, também, presidiu o Clube do Prefeitos, oficialmente Consórcio Intermunicipal.

Qual é o rumo econômico que o Grande ABC deveria tomar com a volta de Lula da Silva ao governo federal?

Nos 14 anos já vividos, desperdiçou-se muito tempo. O que poderia ser chamado de maior exemplo de desprezo à região está na Avenida dos Estados (e também em São Bernardo), no formato da Universidade Federal do Grande ABC (UFABC). A instituição custa aos cofres federais perto de R$ 500 milhões a cada temporada. Esse dinheiro está debitado na rubrica regional. 

A UFABC foi supostamente a maior conquista do Grande ABC junto ao governo federal de Lula da Silva, inaugurada em 2006. Mas a UFABC é um descarte regional no sentido competitivo da expressão. 

Embora não faltassem alertas e propostas factíveis de que devesse se tornar o braço principal de uma estratégia de adensamento de produção e emprego do Polo Petroquímico, com políticas produtivas locais, a UFABC não passa de templo acadêmico exibicionista.  

O histórico da UFABC é digno de nota zero vezes zero no componente econômico, de competitividade, de inserção social com a criação de riqueza numa região decadente. São desconhecidos os tentáculos que ligaria a UFABC ao tecido produtivo do Grande ABC. Uma ou outra incursão nos últimos anos não faz diferença efetiva. 

A realidade é que a UFABC jamais se lançou a um patamar mínimo de preocupação, atenção e ação no Grande ABC econômico. E jamais foi exigida a tanto pela confraria institucional de organizações públicas, sociais e empresariais igualmente desatentas. 

A vertente acadêmica no sentido de produção de estudos em geral para fins extracampo de competitividade econômica prevalece. 

No ranking nacional de inserção econômica, ou seja, de proximidade e de execução de ações que se transformem em geração de riqueza da região, a UFABC não existe. 

E mesmo em ranqueamentos que desprezam a relevância de que academia e geração de riqueza produtiva são aliados, a instituição ainda está distante dos primeiros postos no âmbito nacional, e perdida nas últimas filas nos rankings internacionais. 

É muito difícil enxergar resultados diferentes no futuro quando o passado recente indica que falta aptidão, vontade, determinação, vocação e pragmatismo ao comando da UFABC para entender que está no Grande ABC não apenas como barriga de aluguel acadêmico, como bem definiu Valmor Bolan, um especialista em Ensino Superior. 

A UFABC é apenas uma marca que carrega as iniciais da região. Contraditoriamente, está pedagogicamente e curricularmente preocupada em desfilar em passarelas internacionais que apontam trabalhos teóricos sem comprometimento com resultados práticos.  

A aversão ao capitalismo, vezo da maioria das instituições de Ensino Superior no Brasil, notadamente as mantidas com dinheiros públicos, é metástase de difícil reparação. 

O poder de fogo da UFABC geraria efetivos ganhos institucionais na área educacional, voltada ao dinamismo econômico. Para isso é preciso sair do casulo acadêmico e juntar forças com outras instituições do gênero, públicas e privadas. 

Essa é uma promessa que se repete a cada temporada, seguida de frustração. A inação é companhia permanente entre o prometido e o alcançado.  

Esperar que representações do setor privado tão pulverizado quanto em regime de sobrevivência, e o Poder Púbico Municipal, divididíssimo, tratem de Planejamento Econômico Regional, é muita ingenuidade. Mas não custa insistir. 



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