Administração Pública

ORLANDO MORANDO VIRA
XERIFÃO METROPOLITANO

DANIEL LIMA - 23/07/2025

Caso os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo fossem dotados de dispositivos eletrônicos com a finalidade específica de identificar  o maior destaque midiático entre os secretários municipais e, mais que isso, se  houvesse no mesmo dispositivo a qualificação técnica dos gestores públicos desse espaço territorial,  Orlando Morando apareceria entre os melhores diante das câmeras eletrônicas de monitoramento.

O programa Smart Sampa, que Morando transformou no principal ativo do prefeito paulistano, Ricardo Nunes, colocou-o, portanto, mais que na linha de frente de um reconhecimento facial, centro daquele dispositivo tecnológico.

Esperei sete meses para poder expor sem precipitação aos leitores e eleitores, que também são consumidores e torcedores, essa conclusão incômoda para alguns. Não posso fazer nada. A vida é assim mesmo.

LIDERANÇA RESILIENTE

A resiliência de um gestor público que lidera com ampla vantagem a categoria de políticos da região é prova de que eventuais frustrações políticas não são um ponto final. Morando não fez a sucessora que pretendia em São Bernardo, como se sabe, mas virou o melhor presente do prefeito da Capital do Estado. Quando os adversários o davam como sem-rumo, ele virou um farol metropolitano. Ou não é exatamente isso alguém que faz o que ele está fazendo, ou seja, dar visibilidade nacional à empreitada de combate a criminosos?

Orlando Morando é uma liderança que deve ser avaliada em vários pontos, mas dois dos quais inestimáveis a homens públicos que tem olhos no futuro: Morando é extremamente competente e mantém relacionamento com a sociedade com habilidade e destreza.

Habilidade é a capacidade de entender o lugar que ocupa. Destreza é a eficiência sempre colocada à prova como sinônimo de desbravar novos caminhos como a própria razão de viver.

BOM COMPORTAMENTO

São raríssimas as declarações de Orlando Morando que resvalem em impropriedades cabulosas como se tem visto na praça do vale-tudo político-eleitoral. E esse ponto é crucial à avaliação. Particularmente, tenho horror a fantasias, a tergiversações,  a estrelismos exagerados, essas coisas de gente sem conteúdo que se dedica a enfeitar o pavão. Não faltam marqueteiros a incrementações.  

Morando mantém distanciamento cauteloso tanto de fanfarronices quanto de omissões que a maioria dos políticos utiliza como escudos às adversidades ou mesmo como ferramentas de comunicação social que tratam leitores e ouvintes, quando não telespectadores, como bando de idiotas.   

Levado a um território belicoso no qual teria tudo para virar dado estatístico de letalidade política, Orlando Morando vem impondo ritmo de mudanças na área de Segurança Pública, à frente da pasta na Prefeitura de São Paulo. A situação bem contornada o torna a menina dos olhos do prefeito Ricardo Nunes. Nem poderia ser diferente. Um gataborralheira, como são os políticos da região, virou Cinderela na terra da Cinderela.

FORÇA DE TRAÇÃO

A força de tração da Capital se expande por toda a Grande São Paulo de 23 milhões de habitantes. E grande parcela dos demais 38 municípios já adotou ou está em fase de adoção do modelo paulistano de combate ao crime. Com destaque, claro, ao monitoramento que identifica e manda prender bandidos foragidos comprovadamente bandidos que estão à solta sempre  em busca de novas vítimas.

Vou deixar de lado o desempenho numérico da gestão de Orlando Morando para me fixar em questões de governabilidade e governança. A eficiência com que se dedica à principal demanda da sociedade brasileira nestes tempos já o levou à consagração midiática. A demanda é de superstar.

Basta observar, para efeito de comparação, o que era e o que é a secretaria da qual é titular. Morando somou qualificação ao que já existia em fase experimental, bem ajustada pelo prefeito Ricardo Nunes. Multiplicou as medidas, as intervenções, as inovações. E comunica tudo isso com competência. São inúmeros os flagrantes em que multiplica atração de jornalistas tendo o prefeito como companhia agradecida. Parecem nascidos no mesmo berço político.

BASTA UMA ESPIADINHA

Dê uma espiadinha no Google e será possível chegar a uma conclusão inevitável: o prefeito paulistano talvez lastime não ter tido o secretário antes. Mas como ter o secretário antes se o secretário era prefeito de São Bernardo?

Aliás, o melhor prefeito de São Bernardo neste século. Não que tenha sido prefeito nota 10. Seria um milagre para quem pegou uma terra arrasada por Dilma Rousseff e por um histórico horroroso de desindustrialização. Quando assumiu, em janeiro de 2017, São Bernardo contabilizava queda do PIB per capita de 30% ante os dados de 2014. Dilma Rousseff jogou uma bomba de Hiroshima nos anos de 2015 e 2016.

Em diferentes ranqueamentos de organizações rigorosas e respeitáveis, não de trambiqueiros que vendem troféus e títulos a quem pagar mais, Orlando Morando colocou ou manteve São Bernardo em posicionamentos avançados em várias áreas. Tudo acompanhado e documentado por esta publicação.

É pouco comum um administrador público dialogar com a sociedade com tanta clareza,  sem que transpareça algum resquício de clicheria demagógica  cada vez mais enquadrada na lista de desprezo de desconfiados consumidores de informação.

EXPANSÃO TERRITORIAL

Os efeitos de expansão territorial na Grande São Paulo às ações de Orlando Morando são cada vez mais densos. Prefeitos fazem romarias para apressar os passos em busca de respostas à criminalidade de todos os matizes. Orlando Morando virou pauta obrigatória de gestão comprometida com a sociedade. O cada vez mais questionado Estado, no sentido de poder, tem em Orlando Morando um ponto de inflexão restauradora.  

No Grande ABC, os prefeitos não escondem a imperiosidade de agirem, inclusive tendo o prefeito Ricardo Nunes como liderança convidada do Clube dos Prefeitos. Uma presença que reforça a ausência de Orlando Morando por razões meramente políticas dos enciumados borralheiras. O fantasma camarada de Orlando Morando, adversário de um de outro, no caso, principalmente, Gilvan Júnior e Marcelo Lima, coloca fogo na corrida por câmeras  de reconhecimento facial e pelo compartilhamento  de dados de combate à bandidagem com o acervo do governo Estadual.

Também não quero, a exemplo de minuciosidades estatísticas que comprovam o terror dos bandidos, enveredar no detalhismo técnico do conjunto de materiais do programa Smart Sampa. O que mais interessa mesmo é o reconhecimento à meritocracia conquistada por Orlando Morando. 

MELHOR PREFEITO

Nada surpreendente. Durante oito anos à frente da Prefeitura de São Bernardo, Orlando Morando sofreu duríssima oposição midiática e de embates sempre encardidos com o PT. Mas superou a todas as expectativas ao entregar o maior tesouro do século – uma logística urbana de grande potencial de competitividade econômica.

Esse cenário não parecia possível e ainda não é fácil de ser executado na plenitude necessária. As peculiaridades do Rodoanel e o passivo histórico do Custo ABC na área trabalhista, principalmente do Custo São Bernardo, limitam a atratividade de investimentos em setores de valor agregado da indústria de transformação.

O aspecto institucional da atuação de Orlando Morando é um caso especial de liderança que o Grande ABC exporta para a Região Metropolitana de São Paulo.  Tanto que é  uma pena que especialistas em metropolização que ouvi durante uma carreira inteira de entrevistas não tenham sido atendidos numa reivindicação sempre atual.

MAIS QUE FORMALIDADE

No que exatamente? Em tornar a Grande São Paulo mais que formalmente Região Metropolitana de São Paulo. É preciso integração para valer que o Smart Sampa tratará de levar à prática no setor de Segurança Pública. Metade do PIB paulista está aqui. A Grande São Paulo conta com o dobro da população do Rio Grande do Sul e mais que todo o Estado de Minas Gerais.

Como se as amarras legais não existissem em determinadas condições de tempo e temperatura, eis que Orlando Morando ultrapassa todos os limites cartográficos desses  oito mil quilômetros de área metropolitana. Como num passe de mágica, que de mágica não tem nada, Orlando Morando atrai para sua secretaria um séquito de gestores da vizinhança ávidos por socorro.

Com a força do talento de uma articulação bem ajustada e a emergência determinada pela efervescência  desse caldeirão populacional de contradições sociais e econômicas, Morando excede às expetativas mesmo.

Morando virou um ativo gerencial e politico de um prefeito que tem os olhos postos no governo do Estado, do que dependeria da candidatura de Tarcísio de Freitas à presidência da República.

ELASTICIDADE  

É muito provável que Orlando Morando terá tempo suficiente para dar elasticidade à atuação da Secretaria de Segurança Urbana de São Paulo. Os resultados que já são extraordinários podem ganhar novas inserções e iniciativas. Há uma quase imposição de, mesmo com a ausência de dispositivos legais de um condomínio organizacional metropolitano mais avançado, mantenha a marcha de reconhecimento formal e informal de uma espécie de secretário dos secretários de Segurança Pública Metropolitana.

Nada mais apropriado. Os limites territoriais da cidade de São Paulo são limites falsos. Não resistem  à metropolização dos indicadores sociais, econômicos e criminais. A vizinhança de quase quatro  dezenas de endereços depende em larga escala do ambiente criminal sob intervenção da Capital.

Morando virou o Xerifão metropolitano. E sinaliza com clareza algo muito além do corte e recorte de autonomia de municípios que praticamente se ignoram, quando não se rivalizam. A senha da metropolização para valer da Grande São Paulo está posta.

Não faltam exemplares internacionais de gestão pública específica de conglomerados urbanos desafiadores e demandadores de tratamento especial. O tiro de partida, por força de necessidade de tornar a vida metropolitana menos sujeita a dramas, já foi disparado.



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