Administração Pública

VENHA CONHECER O
GILVAN QUE CONHECI

DANIEL LIMA - 31/03/2026

Foram duas horas de conversa nada fiada. Duas horas é um tempo de dois tempos de futebol com intervalo. Acho que poucos jogos do Campeonato Brasileiro teriam valido tanto quanto o encontro com Gilvan Júnior, prefeito de Santo André. O jovem de 33 anos que aparece em todas as mídias como padrão médio de homem público com linguagem de homem público e sonhos de homem público em inicio de carreira é mais do que isso.

Não vou arriscar uma previsão além dos limites da razoabilidade para Gilvan Júnior, também Gilvan Ferreira, também Gilvan Ferreira Júnior. Mas seria covardia e excesso de cautela desprezar aquelas duas horas de um encontro apenas entre nós, sem interrupção de celulares e outras inconveniências.

Gilvan Júnior possivelmente terá uma carreira brilhante. Gilvan Ferreira já seria sem exagero o melhor quadro político de Santo André, porque antecessores o embalam. Aqueles que o subestimaram, como este jornalista, mas outros muito mais, porque conviveram com ele e não o conheceram, aqueles que o subestimaram devem cair do cavalo da arrogância.

SUBESTIMAÇÃO GERAL

Subestimei Gilvan Júnior porque a mídia em geral jamais teve capacidade de entender esse jovem. Ou se entenderam não o traduziram com alguma solidez de compreensão. Ao subestimar Gilvan Júnior que acompanhei pela mídia e de ouvir falar de terceiros, ganhei um salvo-conduto mais que justificável. Seria este jornalista um arrematado idiota se depois de duas horas com Gilvan Júnior não filtrasse toda a conversa, não entendesse o diálogo a fundo e, com isso, o interpretasse como agente público qualquer, ao nível da maioria dos demais de Santo André. Gilvan é profundamente melhor.  Ou ensaia ser profundamente melhor.

Gilvan Ferreira que também é Gilvan Júnior, quando não Gilvan Ferreira Júnior,  uma surpresa quando visto de perto, não o Gilvan Ferreira e Gilvan Júnior das páginas fastfoodianas dos jornais e das mídias eletrônicas.

Não adianta os leitores quererem saber o que me levou a essa conclusão porque nada vou revelar de forma profunda. Fizemos um trato de liberar o que conversamos aos poucos. E de não liberar outras coisa que terão tempo suficiente para serem liberadas.

É verdade que Gilvan Júnior me desobrigou de manter duas confidências que dão bem a ideia do quanto está preparado para fazer da Prefeitura de Santo André e do Clube dos Prefeitos instituições muito além do que encontrou. Sobre a primeira cansei de escrever, sempre na contramão dos áulicos. A segunda de escrever cansei, também sempre na contramão dos áulicos. 

DOIS GRANDES PONTOS

Fico na dúvida se revelo esses dois pontos. Estou disposto a não revelar porque quero guardar as duas novidades para um texto fora desse contexto mais intimista, por assim dizer. Talvez gastasse desnecessariamente dois petardos de abertura a inovações que Gilvan Júnior poria em prática.

Aliás, uma dessas novidades ele já está efetivando no Paço Municipal. A outra, com a qual concordou durante nosso diálogo, surgiu exatamente de uma sugestão que lhe fiz, estando ele à frente da comissão de finanças da Reforma Tributária como uma das estrelas maiores da Frente Nacional dos Prefeitos.

Esses dois pontos da conversa – e foram muitos em forma de pingue-pongue de uma fluência leve, solta e típica de um jogo que não poderia ter acabado – são pontos reveláveis, repito, mas insisto em negar a mim mesmo o direito de expô-los agora.

O fato é que Gilvan Júnior parece estar em sintonia com os novos tempos que o Grande ABC precisa respirar e que alguns aparentemente já entenderam que não dá mais para adiar sob pena de asfixia irreversível.

MÃO NA MASSA

É verdade que falta muito para se chegar ao estágio institucional necessário, porque já passou de urgente, mas quem tiver a condição de dar um pontapé inicial ficará registrado na história. E esse pontapé precisa ser dado pelo Clube dos Prefeitos, nosso Estreito de Hormuz de tantas decepções que, finalmente, acordou para várias temáticas mas, infelizmente, ainda deixa o Desenvolvimento Econômico no quarto de despejos.

Entretanto, porém e todavia, se Gilvan Ferreira botar a mão na massa também no Clube dos Prefeitos, porque é isso que acenou naquela conversa de um jogo inteiro de futebol com direito a intervalo regulamentar, se isso ocorrer, estaremos vivendo um período mágico.

A parceria dos demais prefeitos do Clube dos Prefeitos é imprescindível, porque não há como resolver os problemas da escassez de regionalidade do Grande ABC sem doses maciças de ações de regionalidade. Notadamente, articuladamente, urgentemente, na área econômica.

TAPA-BURACO?

É furada a ideia de que Gilvan Júnior seria um prefeito tapa-buraco, eleito por 60% dos votos válidos em Santo André apenas e tão somente para mostrar a força do grupo que o embalou em direção ao sucesso. Gilvan Junior daquelas duas horas de conversa quase ao pé de ouvido, uma conversa que colocou em alerta as contrariedades impostas à minha epiglote avariada naquele tiro, o Gilvan Júnior daqueles duas horas poderia ter sido ainda mais extenso porque a geração de informações, de projetos, de idealizações, de operacionalidade prática, tudo isso compõe a partitura do cargo que ocupa provavelmente imbatível desde a morte de Celso Daniel.

Vou descobrir quem é o descobridor dos sete mares da personalidade e das qualificações  de Gilvan Júnior que também é Gilvan Ferreira. Estou desconfiado de que o autor dessa proeza talvez não tivesse a dimensão exata do que seria Gilvan Júnior como revelação. Sim, Gilvan Júnior é uma revelação que desponta no deserto de mesmices da política de Santo André.

Gilvan Júnior é aquele menino formada nas bases e no qual muitos traçaram um destino de grande sucesso, sem, entretanto, acenar ao estrelato maior. A uma Liga dos Campeões da Europa, por exemplo. Pois Gilvan Júnior parece marcado para fazer sucesso dentro e fora do Grande ABC. Aliás, já o faz com incursões que vão além da Frente Nacional dos Prefeitos.

Gilvan Júnior já viajou para fora do País em busca de exemplares administrativos que possam ser adaptados à realidade de Santo André. A dimensão desses encontros internacionais não foi traduzida jornalisticamente com a fidelidade e o conhecimento que mesmo num bate-papo informal Gilvan Ferreira me repassou.       

HORIZONTE POSITIVO

Acredito francamente que as ações internas na Prefeitura de Santo André, dotadas de cientificidade operacional, vão se refletir antes mesmo de terminar o primeiro mandato de prováveis dois se o ritmo da chuva de flores se mantiver. Gilvan Júnior tem a praticidade dos políticos que não gostam de perder tempo mas também carrega o ingrediente do amanhã projetado além da correria do varejo do dia a dia.

Detestaria encontrar no futuro esse texto fora do enquadramento de uma previsão até mesmo modesta diante do que Gilvan Ferreira poderia se tornar. Um futuro de extraordinária fonte de espalhamento de governança pública comprometida para valer com a sociedade e com a regionalidade.

Qualquer projeção que fugisse dessa bitola se tornaria pessimista ou excessivamente cuidadosa. Pareceria uma brutal frieza desprezar aquelas duas horas como fonte de entusiasmo contrapondo equidistância avaliativa supostamente madura. O mundo seria chato demais se prevalecesse sempre e sempre a tecnicalidade acética. Muitos dos comedidos, que carregam medidas preventivas como justificativa à razão, têm mesmo dificuldade imensa de compreender o que parece diferente, por isso optam pelo padrão de cautela a qualquer custo, inclusive o custo de não enxergarem um elefante de virtudes e um caminhão de prestidigitadores, como muitos dos antecessores de Gilvan Júnior em Santo André. 

ENFRENTANDO RISCOS

Nem mesmo a gama de riscos naturais de agente público precocemente ou não entronizado num panteão de confiança e entusiasmo justificaria contenção e confinamento destas impressões. Espero ter entregado aos leitores um conteúdo sereno e contido, apesar de sempre existir a possibilidade de parecer o contrário quando as idiossincrasias políticas entram em campo.

Sei o que conversei durante duas horas com Gilvan Ferreira Júnior para, num balanço geral sem autocensura, escalá-lo como titular absoluto de um time que pode mudar o destino econômico do Grande ABC. Um time em que caminha para ser mais que titular absoluto, mas uma liderança a ser valorizada.

Gilvan Júnior parece esquadrinhar um novo patamar de relações com a mídia, mas as projeções nesse sentido também dependem do outro lado em forma de conhecimento dos problemas regionais para que se alinhem pautas reformistas.

O Gilvan que você conhece não é o Gilvan que conheci naquelas duas horas. E só conheci o Gilvan que você conhece porque o Gilvan que conheci é o Gilvan que você não conhece.



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