Administração Pública

Marinho Daniel (6)

DANIEL LIMA - 28/01/2009

São Bernardo não pode ficar fora do circuito estadual e nacional de futebol. Ingressar na Série A do Campeonato Paulista e planejar a ascensão à Série A do Campeonato Brasileiro é o que se espera dos agentes locais — políticos, esportivos, sociais e econômicos.


A grandeza econômica de São Bernardo tem de ter o equivalente no futebol profissional.


Qualquer discurso na tentativa de desclassificar a participação do governo municipal na iniciativa de potencializar o São Bernardo Futebol Clube não passa de hipocrisia.


Agora, se a iniciativa vai dar certo ou não, é outra história. Aí sim a crítica será providencial, sempre no âmbito esportivo. Tanto quanto o reconhecimento de eventual sucesso.


O futebol profissional de São Bernardo não difere do da maioria dos clubes médios e pequenos do País, salvo exceções que confirmam a regra.


A sensibilização à integração do Poder Público é elemento importante e indispensável.


Mais que isso: é compreensível e desejável porque a descaracterização cultural acentua-se com os movimentos de globalização. Sem contar a discrepância de forças em relação aos grandes clubes estaduais e nacionais, embalados pela TV e a centralidade do noticiário das mídias de massa.


Cada vez mais — e as estatísticas estão aí para provar — os grandes clubes brasileiros dominam o mercado consumidor. Esparramam tentáculos na velocidade e na intensidade das transmissões da TV aberta, movidas por patrocinadores ávidos por retorno. A grade televisiva é escrava da audiência. Não há espaço para pequenos e médios clubes nem em horários alternativos. Pequenos e médios clubes torcem para pegar carona em jogos contra os grandes.


As cores dos clubes profissionais de pequenas, médias e mesmo grandes cidades excluídas desse turbilhão de mudanças não sobrevivem sem respaldos além de fronteiras exclusivamente esportivas. Até porque, mesmo os grandes clubes também se movem em direção a forças governamentais com alianças estratégicas.


Um exemplo — sem que se construa juízo de valor sobre a validade da parceria — é o patrocínio praticamente vitalício do Flamengo pela Petrobrás.


Outras operações de patrocínio são menos transparentes, mas carregam também, em larga escala, o mesmo viés. Não faltam empresas que transformam clubes em atalhos de acesso a redes político-partidárias das quais possam beneficiar-se. Assim é o marketing do mundo capitalista.


Os conselheiros do Palmeiras acabaram de eleger o economista Luiz Gonzaga Belluzzo à presidência entre outros motivos porque o sócio de Mino Carta na revista CartaCapital mantém íntimas relações com o presidente Lula da Silva de manhã e com o governador José Serra à tarde.


Seria ingenuidade acreditar que Belluzzo não lançaria mão do prestígio pessoal e profissional para fortalecer o Palmeiras.


O Santo André presidido pelo empresário Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC, tem mais possibilidades de arrebanhar colaboradores financeiros do que seu antecessor, Jairo Livolis, um empresário do ramo de material esportivo que pouco frequenta eventos sociais e econômicos na região.


Marinho Daniel não será o primeiro nem o último prefeito a oferecer respaldo ao fortalecimento do futebol profissional. Já citei neste espaço o passado recente do São Caetano de Luiz Tortorello e do Santo André de Celso Daniel.


Estenda o leitor o mapa do Estado de São Paulo sobre a mesa, feche os olhos e dirija o dedo indicador a qualquer direção. Provavelmente há um clube profissional apontado aleatoriamente.
Muito mais provável ainda é a estrutura diretiva e funcional da agremiação. Haverá de ter o Poder Público envolvido de alguma forma, senão em larga forma.


Se o dedo indicador do leitor prender-se à Região Metropolitana de São Paulo e for direcionado à esquerda da Capital, possivelmente atingirá Barueri, um dos novos integrantes da Série A do Campeonato Brasileiro, última escala de uma trajetória meteórica de menos de uma década de acessos constantes.


A Prefeitura de Barueri movida à guerra fiscal no setor de prestação de serviços está na raiz do sucesso da equipe. A massificação da torcida é incentivada com ingressos a preços populares. Pouco importa que o Barueri seja o segundo time do coração da maioria dos torcedores locais. A auto-estima municipal eleva-se no campo esportivo no ritmo dos resultados alcançados.


Os dividendos políticos e eleitorais de quem investe no futebol profissional são resultados igualmente lógicos. Não faltam exemplos de gente que — também sem se estabelecer juízo de valor — fez do futebol plataforma para embarcar em carreiras parlamentares e executivas.


Aquele promotor que bateu forte durante muito tempo nas torcidas organizadas é hoje deputado estadual. Marco Aurélio Cunha, o espirituoso dirigente sãopaulino, acaba de eleger-se vereador na Capital. Não faltam jogadores e ex-jogadores que saltaram para atividades legislativas. O centroavante Túlio é um exemplo mais recente. Na crônica esportiva os casos são múltiplos.


O futebol profissional só será diferente e chegará próximo do que idealizam os puristas quando a sociedade tiver consciência e se empenhar de fato na socialização de responsabilidades. Como é melhor não perder tempo com ilusões, que se jogue fora também o moralismo seletivo.


Não há quem possa atirar a primeira pedra.


Marinho Daniel não pode ser conduzido à condição de Madalena da vez.


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