Num questionário em que se construíram três cenários diferentes para cada uma das quatro questões, universitários conveniados pela Editora Livre Mercado ouviram 371 convidados em setembro, antes da entrega do Prêmio Desempenho, no Centro dos Professores de São Bernardo.
Não foi a primeira vez nem terá sido a última que decidimos por enquetes que, rigorosamente, não têm sustentação científica mas na prática nos indicam para onde caminhamos. As operações anteriores sobre diversos assuntos que permeiam a vida no Grande ABC foram mais que satisfatórias. Fortaleceram certezas, estimularam desconfianças, acentuaram percepções.
Para cada pergunta o entrevistado conta com cenários distintos. O primeiro é bastante otimista, o segundo moderado e o terceiro resvala para o ceticismo. Cada resposta é valiosíssima. Trataremos nesta edição das duas primeiras perguntas. Amanhã, escrevemos sobre as demais. Sugiro que os leitores participem voluntariamente dessa enquete. Apontem um “xis” na alternativa que mais lhes apetecer. Por exemplo: o que você responderia à seguinte indagação:
Qual é a sua avaliação sobre a Universidade Federal do Grande ABC, cuja criação consta dos planos do governo federal?
( ) O Grande ABC só conseguirá emergir de fato para o equilíbrio do desenvolvimento econômico e social se contar com uma universidade pública federal, independentemente de já termos no Ensino Superior autarquias públicas municipais e unidades particulares.
( ) Não estou convicto de que a Universidade Pública Federal seja a solução para os problemas econômicos e sociais do Grande ABC, porque entendo que não conseguirá, necessariamente, atender às demandas voltadas para a competitividade econômica.
( ) A Universidade Federal do Grande ABC é apenas uma boa idéia que não resolverá nossos graves problemas sociais e econômicos porque, por natureza, a academia e os governos se mantêm distantes e, portanto, incapazes de resoluções conjuntas.
Antes de seguir em frente, sugiro ao leitor que dê uma parada e reflita sobre as alternativas. Agora, depois da decisão do “xis”, passo aos resultados: embora 44,74% dos entrevistados tenham preferido a alternativa “a”, de perspectiva otimista, a soma dos 20,48% dos moderados e dos 34,77% de céticos acaba suplantando aqueles números. O que isso significa? Que a percepção da classe média que respondeu à enquete não corre na mesma raia de deslumbramento de dirigentes públicos que pretendem transformar a UFABC em salvação da lavoura.
A segunda pergunta da enquete e os respectivos cenários são os seguintes:
Sobre o nosso Complexo de Gata Borralheira que, como se sabe, significa que dependemos demais do brilho cultural, econômico, político, social e esportivo da vizinha Capital:
( ) Acho que há muito acabamos com esse sentimento de inferioridade em relação a São Paulo. Estamos nos desenvolvendo em todas essas áreas e já não precisamos da Capital para praticamente mais nada.
( ) Entendo que ainda precisamos de um longo caminho para chegar a sentimento de regionalidade que sufoque a dependência em relação à vizinha São Paulo. Mas esse é um processo que já se iniciou e que, certamente, vai se consolidar. Não será fácil, mas se todos entenderem que temos nossos valores próprios, provavelmente nossos herdeiros viverão situação diferente.
( ) Nosso Complexo de Gata Borralheira é insuperável. Vivemos e viveremos sempre à sombra da Capital. Não conseguimos vencer essa barreira sociológica porque somos desunidos e nos apequenamos diante dos confrontos em várias áreas. Somos incapazes de valorizar nossos melhores talentos.
Mais uma vez sugerimos que o leitor pare a leitura nesse ponto, retome os olhos sobre a questão, analise as opções e, aí sim, decida-se pelo “xis”.
Querem saber o resultado de nosso Complexo de Gata Borralheira, sentimento que, como se sabe, não só levou este jornalista a cunhar essa expressão como também a escrever um livro sobre o assunto, cuja tiragem está esgotada há muito tempo mas que, início do ano que vem, lançaremos a segunda edição?
Vamos então aos números da enquete: 33,60% dos entrevistados preferiram o cenário cor-de-rosa de que superamos o problema, 57,18% entendem que ainda temos longo caminho a percorrer e 18,93% simplesmente abandonaram o barco de uma regionalidade forte.
Querem saber minha opinião sobre essa grade de respostas? Estou com os moderados, razão pela qual, aliás, me dediquei ao livro sobre o assunto. Viver sem a expectativa de que jogaremos no lixo essa mania de achar que tudo da Capital é melhor e, com isso, desenvolver derrotismo barato ou, pior ainda, camuflar esse sentimento, enfiar a mão na cartola de prestidigitadores e afirmar triunfalisticamente que somos os bambas do pedaço, tudo isso um dia, quem sabe, ainda desaparecerá.
Exporemos amanhã as duas outras questões da enquete. Os políticos provavelmente não vão gostar dos resultados.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL