Bajulado pela mídia propagandística, o Clube dos Prefeitos do Grande ABC está exagerando na capacidade de frustrar as expectativas que já eram baixíssimas por conta do histórico que o associa à incompetência. Enquanto o setor automotivo brasileiro pega fogo com a chegada de chineses predatórios, com a Anfavea puxando os cabelos, o Clube dos Prefeitos de uma região dependente demais da Doença Holandesa Automotiva está mesmo é preocupado com o rearranjo do futebol amador, entre outras quinquilharias varejistas. É inacreditável.
É mesmo inacreditável, mas também é lógico, além de coerente com o escopo do Clube dos Prefeitos dessa nova turma que assumiu as prefeituras em janeiro do ano passado com uma torrente de promessas. Afinal, o que interessa para valer aos titulares dos paços municipais e aos arranjos de um entorno que os controla, é assegurar o domínio territorialista do Grande ABC no campo político-administrativo, independentemente do balanço do navio do Desenvolvimento Econômico à deriva. Essa domínio se traduziria no controle político total das instâncias públicas, privadas e sociais e, como consequência, do caixa das prefeituras.
Como alertei em outras análises, os fraudadores de expectativas manipulam o conceito de regionalidade. Para tanto utilizam duas artimanhas. Primeira, o confunde com região. Segunda, o entorpece com incursões que supostamente seriam mesmo dignas de abrangência envolvendo os municípios. Tudo papo furado bem articulado por marqueteiros profissionais.
REGIÃO E REGIONALIDADE
Região está para Regionalidade assim como um bairro está para uma cidade. Olhar para o mapa do Grande ABC e acreditar que os sete municípios resultam em regionalidade é enganação pura. Ainda mais que os sete municípios saíram do mesmo ventre geográfico de rivalidades encardidas que resultaram em separatismos canibalescos, quando não autofágicos.
Escrevi sobre isso há mais de 20 anos no livro “Complexo de Gata Borralheira”. Os atuais prefeitos do Grande ABC e muita gente da mídia deveriam acompanhar cada parágrafo daquela obra. Quem quer conhecer o Grande ABC num passeio literário rápido não encontrará produto mais didático. Está tudo ali em matéria de idiossincrasias da região. Achar que tudo aquilo se dilui e vira regionalidade da noite para o dia, ou do dia para a noite, é muita burrice. Cultura é algo muito mais sistêmico como ciência social. Estou no Grande ABC há quase seis décadas e ainda sou aprendiz. Imaginem aqueles que vivem nos respectivos mundinhos.
Vou reproduzir logo abaixo a reportagem do Diário do Grande ABC que exprime com clareza o quanto o Clube dos Prefeitos prefere o futebol varzeano garantidor de votos ao futuro automotivo assegurador de prosperidade.
Estamos vivendo um período da história regional em que o surrealismo parece estacionar de vez bases locais sem que ninguém, absolutamente ninguém, exceto um ou outro idiota como este jornalista, ouse contrapor inquietação.
Há na sociedade regional, sempre movida por organizações coletivas de apequenamento permanente, uma lassidão tão intensa que sugerir uma viva alma a salvo do genocídio institucional já seria arriscado.
É o fim da picada, para dizer o mínimo, o Clube dos Prefeitos Despreparados para o jogo bruto da macroeconomia e da geopolítica permanece sonolento nos respectivos redutos municipalistas e só se lembra de alguma coisa que poderia resvalar no conceito de regionalidade quando se trata de potencializar forças político-eleitorais.
O Clube dos Prefeitos Municipalistas está virando o fio do despropósito. Ou não é isso mesmo quando se constata que acrescenta à inutilidade festejada de forma aventureira e mentirosa uma sobrecarga pesada de alheamento completo às transformações que atingem em cheio o coração fiscal, econômico e social do Grande ABC?
PROJETO BARUERIZAÇÃO
Vejam que adicionei às perdas compulsórias que o agravamento do setor automotivo expõe o aspecto de receitas públicas, quando poderia ignorá-lo. Fiz de propósito. De maneira geral, o que se percebe no Clube dos Prefeitos e, mais ainda, nas respectivas administrações municipais, é uma sanha por receitas, independentemente do estágio de empobrecimento da população regional. Se nem as montadoras preocupam a cúpula política e seus controladores, porque seus representantes só sabem lidar com o aqui e o agora, o que esperar do futuro?
O que esperar do futuro? Na toada de oportunismos e abusos e de uma falsa regionalidade que não passa mesmo de estultice, o futuro do Grande ABC será algo como a Baruerização da política, com o mesmo agrupamento de políticos tomando conta do pedaço, mesmo que o pedaço seja mais que um pedaço municipal, porque aqui temos sete municípios.
Hoje já está tudo sob controle, administrado por influentes domadores e estimuladores de egos que, com arte inegável, até porque a sociedade parece morta e enterrada, dão conta do recado no aperfeiçoamento da fórmula ainda recentemente posta em prática.
GESTÃO E PÓLARIZAÇÃO
O que temos com clareza do ponto de vista institucional público no Grande ABC é a consagração pela metade, a metade mais apodrecida, do mote com que o ex-prefeito Paulinho Serra assina coluna de contradições práticas no Diário do Grande ABC. “Mais Gestão, Menos Polarização” é uma sacada que não resiste a qualquer contraponto independente. “Mais Gestão” jamais houve durante o governo do tucano. “Menos Polarização” é o que Paulinho Serra deseja como reflexo do que os dominadores ou sequestradores da cena político-administrativa do Grande ABC estão impondo com delicadeza dos especialistas na arte do encantamento.
Para essa turma que só pensa em política como extensão de ganância materialista e individualista, do jeito que está não poderia estar melhor. O Clube dos Prefeitos é a locomotiva ideal para engabelar a sociedade com oratórias candentes à sensibilização dos incautos. A regionalidade sempre desprezada é travestida de regionalidade crescente quando de fato o que se pratica é territorialidade com regras bem definidas e de acesso limitadíssimo aos bem-aventurados, subordinados a uma cúpula invisível e do baralho.
Agora, acompanhem a reportagem do Diário do Grande ABC (“Consórcio retoma diálogo com lideranças do futebol amador da região”) sobre a relação de preocupação com o futebol varzeano. As montadoras e autopeças que se lixem.
O Consórcio Intermunicipal Grande ABC retomou o diálogo com representantes do futebol amador da região ao receber, nesta quarta-feira (14), uma comitiva da Uniligas (União das Ligas de Futebol do Grande ABC). O encontro foi realizado na sede da entidade e contou com a participação do secretário-executivo do Consórcio ABC, Aroaldo Silva, e do diretor de Programas e Projetos, Luiz Zacarias.
A reunião teve como objetivo ouvir as demandas das ligas e discutir possibilidades de cooperação institucional voltadas ao fortalecimento do futebol amador, reconhecido como uma importante ferramenta de inclusão social, promoção da saúde e integração comunitária nos municípios do Grande ABC.
MAIS DIÁRIO
A retomada do diálogo também resgata uma parceria histórica entre o Consórcio ABC e o esporte regional. Entre 2006 e 2008, a entidade apoiou a realização de torneios de futebol amador que mobilizaram atletas, dirigentes e comunidades de diferentes cidades da região, fortalecendo o calendário esportivo e incentivando a prática esportiva de base e a economia local.
Para o secretário-executivo do Consórcio ABC, o diálogo com as lideranças esportivas é fundamental para a construção de políticas públicas regionais. “O futebol amador tem um papel social muito relevante nas cidades do Grande ABC. O Consórcio ABC já teve uma atuação importante nesse campo no passado e retomar essa conversa com as ligas é essencial para entendermos as necessidades atuais do setor e pensarmos, de forma conjunta, em ações que valorizem o esporte de base e o trabalho que já é feito nos bairros”, destacou Aroaldo Silva.
MAIS DIÁRIO
Durante o encontro, foram apresentadas pautas relacionadas à organização das competições, à infraestrutura esportiva e ao apoio institucional aos campeonatos amadores. Segundo o diretor de Programas e Projetos do Consórcio ABC, Luiz Zacarias, a aproximação reforça o compromisso da entidade com iniciativas que impactam diretamente a população. “O Consórcio tem como missão articular políticas públicas regionais, e o esporte é um eixo estratégico nesse processo. O futebol amador mobiliza milhares de pessoas e gera impacto positivo nas comunidades. Nosso papel é buscar caminhos para apoiar e fortalecer essas iniciativas”, afirmou.
Ao final da reunião, ficou alinhada a continuidade do diálogo entre o Consórcio ABC e a Uniligas, com a perspectiva de novos encontros para aprofundar as propostas apresentadas e avaliar possíveis ações integradas em âmbito regional.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL