Dá para escrever uma tonelada de papel sobre variáveis que colocam São Caetano como queridinha da população e Mauá espécie de estorvo, conforme pesquisa do Instituto Brasmarket. Quase 90% dos sancaetanenses não trocariam aqueles 15 quilômetros quadrados de Primeiro Mundo, enquanto apenas 27,3% de mauaenses segurariam a barra num Município feito às pressas, remendado aqui e ali.
Estou aguardando resultados da nova rodada de pesquisas, agora nos demais municípios da região, para novas abordagens. Escrever com a sustentação estatística do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), banco de dados que criamos para acabar com os malversadores, e analisar com base em pesquisas como as do Instituto Brasmarket, são a melhor maneira de tapar a boca dos mistificadores que infestaram a região durante muito tempo. Bajuladores daquele pesquisador alquimista que passou pela Agência de Desenvolvimento Econômico e acabou demitido, depois de tantas trapalhadas.
Fosse a administração pública de Mauá preocupadíssima com o destino da população, os dados do Instituto Brasmarket deveriam receber o seguinte tratamento: mobilização emergencial com todos os secretários e representantes da sociedade local, num encontro com representantes da empresa pesquisadora, para que os dados sejam esmerilhados e as ações prioritárias para rebaixar o nível de malquerer imediatamente deflagradas.
Não há expectativa alguma de que a responsabilidade municipal, quanto mais o interesse regional, floresça tendo-se esse campo minado de desinteresse. Isso não significa, também, que a exuberância de São Caetano em matéria de municipalismo seja, em contraponto, a síntese da cooperação ao regionalismo que tanto defendemos.
O problema de São Caetano, que o prefeito José Auricchio Júnior dá sinais de que procurará combater, é a síndrome de exclusivismo. O que é isso? Aquele ar de que não está nem aí com a voz do Grande ABC. O antecessor de Auricchio, Luiz Tortorello, durante os oito anos de mandato, simplesmente lubrificou a engrenagem de um bairrismo exacerbado que os prefeitos anteriores igualmente fortaleceram.
Na reunião de pauta deste Diário, reunindo editores e secretários executivos, Rita Camacho, sempre atenta, arregalou os olhos quando cantei alguns dados da pesquisa que seria publicada em parte na edição de domingo. Não resistiu inclusive a fazer o comentário sobre o que estará reservado para Diadema, cujo perfil de ocupação acelerada e expressivamente migratória se assemelha muito a Mauá. Quais serão os números de auto-estima de Diadema?
Essa foi a indagação de Rita Camacho e de todos aqueles que participaram do encontro que define o que os leitores vão achar nas páginas do jornal no dia seguinte. Concordamos preliminarmente num ponto: é muito provável que a Diadema de mais de duas décadas de significativas intervenções de um Poder Público sucessivamente de centro-esquerda e reconhecidamente investidora em atividades culturais, entre outros pontos caros aos socialistas, exponha numerologia menos preocupante do que Mauá.
Aguardem porque ao que tudo indica ainda neste final de semana teremos novidades sobre a pulsação dos sentimentos municipalistas de Diadema e de outros endereços da região que ficaram para uma segunda etapa de coleta de dados do Brasmarket.
Desconfio de que os dados de Santo André e de São Bernardo serão parecidíssimos, provavelmente com leve vantagem para a terra de Celso Daniel por motivos que depois procurarei justificar. Entre os quais está a queda de velocidade e de intensidade de migrações nos últimos 10 anos, contrariamente ao que ocorreu numa São Bernardo onde só o Bairro Montanhão reúne mais de 100 mil moradores apinhados em morros.
Voltando ao malquerer de Mauá, embora a pesquisa do Instituto Brasmarket não tenha se metido em detalhar razões de tamanha rejeição, é praticamente certo que pesam sobremodo dois pontos cruciais que tornam a Região Metropolitana de São Paulo escandaloso microcosmo do terceiromudismo: o desemprego é uma epidemia que se tenta amenizar com a informalidade e a segurança pública só não é caso de polícia porque a própria polícia, estruturalmente debilitada, já abdicou, de fato, dessa missão.
Quando se associam esses dois vetores às carências infra-estruturais de um Município depositário de esperanças de larga parcela da população egressa de diferentes rincões, perde-se o que é mais valioso na vida humana: a perspectiva de mobilidade social.
Que a comunidade dos incluídos de Mauá repense os valores democráticos em jogo com a auto-estima em frangalhos.
Que a comunidade dos incluídos de São Caetano repense a regionalidade em jogo com a auto-estima exclusivista.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL