Exatamente 10 anos depois de subir ao palco do Teatro Municipal de Santo André, durante a festa da então terceira edição do Prêmio Desempenho, resgato dos arquivos de LivreMercado uma peça condenatória à baixa institucionalidade do Grande ABC. Uma prova provada de que não é por acaso que estamos perdendo terreno econômico e social. Criamos para aquele evento um personagem-símbolo do que imaginávamos ser o Grande ABC capaz de empreender soluções. A identidade do protagonista foi, evidentemente, proposital porque se revestia de esperança, provocação e desafio: Nostratamos de Resolver, corruptela que remetia a Michel de Notredame, mais tarde Nostradamus, nascido em 1502 na cidade de Saint-Remy, na França. Profecias de Nostradamus é um dos livros mais editados em todo o mundo ocidental. Apenas a Bíblia o superaria.
Nostratamos de (não) Resolver é a constatação sintética e aniquilantemente sofrida a que cheguei neste maio de 2006, quando o Prêmio Desempenho alcança a 13ª edição. Dos 40 enunciados (na verdade são 39, porque o último foi uma forma de descontrair o público que lotava o Teatro Municipal) quase nada se obteve. E o motivo é tão simples quanto gritantemente crônico: não temos institucionalidade, guarda-chuva da regionalidade, suprassumo de capital social.
A contextualização de Nostratamos de Resolver proposta naquela noite de premiação é decisiva para a interpretação dos enunciados 10 anos depois. Naquele maio de 1996 o Grande ABC vivia a efervescência de um ensaio de institucionalidade que parecia monolítica. O Consórcio de Prefeitos voltava a atuar com interesse depois de ser pressionado pela criação, dois anos antes, do Fórum da Cidadania. Inúmeras entidades sociais, culturais e econômicas, mobilizadas pelo Fórum da Cidadania, transmitiam a sensação de que seriam precursoras de nova ordem. Enfim, o Grande ABC parecia pronto para deixar de ser uma província de sete municípios. Espancaria o sentimento coletivo de gataborralheira.
Acreditar na reconfiguração econômica, social e cultural do Grande ABC talvez seja uma obrigação de cada um dos 2,5 milhões de pessoas que vivem na região, até mesmo para que se descortine o amanhã com otimismo, mas os 10 anos que separam o esperançoso Nostratamos de Resolver do desanimador Nostratamos de (não) Resolver são tristemente emblemáticos: o Grande ABC precisa de cirurgias radicais em que prevaleça o estresse saudável da desconfiança nas supostas forças institucionais que o dirigem porque — e basta ler esta reportagem — a aceitação acrítica do quadro que o domina há muitas décadas é a renovação de uma carta branca que tem comprometido além de futuras gerações, também quem, há pelo menos 15 anos, engrossa as filas de deserdados.
Primeira Profecia – Montadoras de veículos do Grande ABC decidiram associar-se para valer ao Fórum da Cidadania e ao Consórcio Intermunicipal de Prefeitos. Vão implantar plano de reorganização econômica e social na região que ajudaram a construir. A decisão tem a pronta adesão de outras grandes e médias empresas.
Resultado – O canibalismo da indústria mais competitiva do mundo enclausurou ainda mais o estafe de executivos das multinacionais de veículos sediadas no Grande ABC. Para a quase totalidade deles, a geografia regional é apenas acidente cartográfico que deriva de série de equações de competitividade internacional. Aliás, cada vez mais o Grande ABC se vê pressionado pelos custos relativos de produzir veículos e se tem especializado em modelos e marcas para estratos sociais mais aquinhoados — uma decisiva saída para reduzir entre outros itens os custos com a mão-de-obra mais valorizada do setor. Antes disso, uma tentativa frustrada de criar o Grupo Automotivo da Câmara Regional não passou das primeiras reuniões — ninguém conseguiu colocar o guizo no pescoço do gato do chamado Custo ABC.
Segunda Profecia – O Consórcio Intermunicipal, formado pelos sete prefeitos da região, transforma-se num poder colegiado acima das próprias Prefeituras, em defesa da integração e do fortalecimento do Grande ABC. Com receitas garantidas por aprovação de projetos de lei enviados às Câmaras Municipais, o Consórcio finalmente se profissionaliza.
Resultado – A Fundação Getúlio Vargas entregou à direção do Consórcio de Prefeitos no ano passado um apanhado da estrutura encontrada pelos especialistas em recuperar organizações públicas, mas até agora não houve desdobramento. A entidade supostamente de integração regional insiste em tornar todos os problemas que atingem a região prioridade absoluta, quando o bom senso recomenda hierarquia e não mais que meia dúzia de ações que possam embalar a introdução das demais no temário de mudanças. Os muros invisíveis que municipalizam o Grande ABC são o maior entrave à regionalização.
Terceira Profecia – Numa extraordinária ação conjugada entre a Polícia e a comunidade, finalmente os pontos de drogas do Grande ABC tornam-se coisa do passado. Ações educativas nas escolas e de repressão em conhecidíssimos endereços de traficantes e drogados viram referência internacional. Em vez de pontos de drogas, agora o que se vê são drogas de pontos.
Resultado – De vez em quando há ações espetaculosas que dão a impressão de que finalmente o Grande ABC mobiliza-se contra drogas. Entretanto, exceto programas públicos de repercussão localizada, nada há que possa ao menos sugerir que os jovens estejam sendo retirados para valer e sistematicamente de uma das poucas alternativas de remuneração por trabalho prestado, com evidentes prejuízos que os tornam presas do próprio ofício. As unidades da Febem são numericamente cada vez menores para dar conta do excesso de demanda por novas vagas. Estudos comprovam que o grau de periculosidade dos jovens infratores assemelha-se mais e mais ao dos transgressores experientes.
Quarta Profecia – Ecologistas e capitalistas finalmente se entendem e os políticos resolvem mudar a Lei de Proteção dos Mananciais que, na verdade, não protege coisa alguma e incentiva impunemente a proliferação de favelas. Agora já funcionam condomínios industriais não-poluentes, além da indústria do lazer e do entretenimento.
Resultado – Alterações na legislação não mudaram o quadro caótico dos mananciais que ocupam quase 60% do território de 840 quilômetros quadrados do Grande ABC. Há ações localizadas das prefeituras de Santo André, Ribeirão Pires, São Bernardo e Diadema, mas nada substantivamente reformista que concilie interesses sociais, ambientais e econômicos. O favelamento invade os mananciais de forma persistente entre outros motivos porque sobram deserdados sociais e escasseiam agentes de contenção.
Quinta Profecia – O Fórum da Cidadania do Grande ABC, maior invenção coletiva da região, conseguiu estrutura de recursos financeiros que garante a conquista de mais espaços para o fortalecimento regional. Agora, além da representatividade, o Fórum tem dinheiro em caixa.
Resultado – O Fórum da Cidadania morreu sem que o tenham enterrado, porque continua a perambular como fantasma pouco camarada. Aquela que seria durante algum tempo a maior invenção comunitária do Grande ABC acabou se apequenando numa patética competição de egocentrismo, politiquismo, protecionismo e outros ismos tão comuns em áreas reconhecidamente depauperadas de ética e compromisso com o futuro, como a atividade político-partidária. A esperada ponte para o capital social do Grande ABC virou passarela de vaidades.
Sexta Profecia – Os indicadores de criminalidade no Grande ABC, que chegam perto da temida Baixada Fluminense, finalmente desabaram. Isso é resultado direto de trabalhos integrados da comunidade regional e do melhor aparelhamento da Polícia, além de fantástica recuperação econômica. O Grande ABC que descia a ladeira da qualidade de vida agora sobe o elevador do bem-estar social.
Resultado – Embora as estatísticas de homicídios tenham apresentado considerável melhora nos últimos anos por conta de política repressiva que jogou ao lixo manuais de Direitos Humanos, o Grande ABC segue firme e forte entre os últimos endereços dos principais municípios paulistas a conviver com números insuportáveis de criminalidade. O ranking do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) é meridianamente claro nesse sentido: apenas Campinas e São Paulo estão à frente da média de criminalidade do Grande ABC, num ranking que envolve os principais quesitos que afetam a qualidade de vida — homicídios, roubos e furtos diversos e roubos e furtos de veículos. O peso ponderado maior é de homicídios e, em seguida, de roubos e furtos de veículos. Resumidamente, avançamos sempre em velocidade inferior à média do Estado. E não saímos do pântano de indicadores escandalosamente desconfortáveis.
Sétima Profecia – Faculdades da região, entusiasmadas com o desprendimento de lideranças do Fórum da Cidadania e do Consórcio Intermunicipal, resolveram arregaçar as mangas e somar forças. Deixaram as salas de aulas e conheceram de perto a realidade das ruas. Na prática agora a teoria é outra.
Resultado – Exceto a criação do chamado Laboratório de Estudos Regionais do Imes (Universidade Municipal de São Caetano), e de algumas ações tópicas de outras escolas, tudo não passa de ficção e, mesmo naqueles casos de programas de fundamentação mais acadêmica que prática. A distância entre a academia e a comunidade continua aparentemente intransponível porque a exclusão social parece ser um espantalho.
Oitava Profecia – Bases da Central Única dos Trabalhadores na região surpreenderam o País ao convencerem a cúpula de sindicatos locais a trocar as greves por programas de reciclagem profissional não só para os empregados, sempre ameaçados de demissão pela globalização, mas também aos desempregados. Os recursos foram garantidos pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Resultado – A megaoperação de desmonte industrial do Grande ABC encetada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, que retirou 39% da riqueza produtiva local, estreitou de tal forma a banda de atuação sindical dos cutistas-petistas que greve virou palavrão. Os sindicalistas passaram os últimos 10 anos lutando contra a maré de desemprego, ou de emprego escasso mesmo nos melhores momentos de produção automotiva. Os programas de reciclagem e recolocação profissional são apenas vitrines. A massa de desempregados está cada vez mais distante do aprendizado de novas técnicas de industrialização, ao alcance apenas de trabalhadores na ativa.
Nona Profecia – A Avenida dos Estados, tão comprida quanto abandonada, finalmente vira passarela do Primeiro Mundo e oferece condições de uso que garantem o desenvolvimento de pólo comercial e de serviços. Enchentes, que tantos sacos encheram, são coisa do passado.
Resultado – O quadro apresenta sensível melhora, mas o esperado Primeiro Mundo só será possível quando o projeto Eixo Tamanduatehy lançado pelo prefeito Celso Daniel for plenamente aplicado. Falta política de ocupação econômica do setor terciário de valor agregado para revitalizar a Avenida dos Estados, extenso corredor outrora disputadíssimo pelo setor industrial evadido, reduzido ou desaparecido dali. Faltam investidores para potencializar o Eixo Tamanduatehy na intensidade e na abrangência desejada por Celso Daniel, principalmente como área de recomposição de perdas industriais. Comércio e serviços convencionais não têm essa profundidade.
10ª Profecia – Resultado dos trabalhos do Fórum, do Consórcio e das Escolas de Terceiro Grau, a bancada de deputados estaduais do Grande ABC supera expectativas. Agora a região não desperdiça mais votos em estranhos nem desconhece o nome de seus candidatos. Temos 15 deputados, contra oito do final do século.
Resultado – O tempo e a experiência prática retiraram da penumbra da expectativa e lançaram holofotes de certezas sobre o equívoco de mensurar o desempenho dos legisladores do Grande ABC pelo número de representantes. Está mais que provado que, independentemente de quantidade, é a qualidade na abordagem de temários, inclusive com aspectos ressonantes na Região Metropolitana de São Paulo, que define se uma região é bem ou mal representada em qualquer instância de poder. E nesse ponto, mesmo com Lula da Silva na presidência da República e Geraldo Alckmin bem entrosado com não-petistas que comandam as prefeituras do Grande ABC, há forte descompasso entre parcos investimentos públicos e fluxo de carências sociais.
11ª Profecia – Representações industriais do Grande ABC, instaladas nas delegacias regionais dos Ciesps (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), conseguem dupla vitória: passam a trabalhar em conjunto no atendimento de necessidades institucionais da região e já não dependem mais de recursos da Fiesp. A perspectiva é de que, assim como os trabalhadores tiveram o seu Lula, os empresários locais terão nomes reconhecidos em todo o País.
Resultado – A possibilidade de os industriais de pequeno e médio porte do Grande ABC encontrarem respaldo do Ciesp está escrita por linhas tortas. Sim, com a quebra do histórico de o presidente da Fiesp acumular a presidência do Ciesp, como se definiu pela primeira vez nas eleições de 2004 quando, quem manda numa entidade não tem nada a ver com a outra, tanto as unidades do Ciesp da região como do restante do Estado têm a perspectiva de, finalmente, viver seu próprio destino. Embora de forma embrionária, algumas ações já se lançaram e fornecem a lenha de uma fogueira que pode finalmente aquecer a institucionalidade industrial longe das corporações sindicais dos empresários, já que o Ciesp é o braço civil de quem produz.
12ª Profecia – Empresários e comunidade da região unem-se e compram o controle da Companhia Telefônica da Borda do Campo. Nascida da livre-iniciativa local, a empresa é um dos principais ícones do crescimento da região e resistiu bravamente a muitas injunções político-partidárias. A partir da metade da década de 90, a empresa se preparou para voltar a ser privatizada.
Resultado – A privatização da CTBC foi uma ópera bufa para quem pretendia contar com representação regional de ouvidoria na gestão da empresa multinacional que arrematou o empreendimento forjado por empreendedores locais em meados dos anos 50 do século passado. Por mais que a CTBC estatizada fosse seguidamente atingida por interesses políticos e partidários, sua importância estratégica para o Grande ABC recomendava maior transparência da gestão operacional porque se trata de concessão pública com profunda ramificação nos interesses econômicos e sociais da região. Repetiu-se com a privatização a opacidade dos tempos de estatal. A diferença, para melhor, é que, até prova em contrário, empresas privadas normalmente não recorrem aos cofres públicos para socorrerem-se de barbeiragens gerenciais.
13ª Profecia – Depois de anos seguidos de desprezo às pequenas indústrias da região, o que resultou em elevados índices de quebradeira, boa parte das grandes organizações resolve priorizar para valer fornecedores locais com política de parceria responsável e séria. Tudo para enfrentar a globalização. Que rima com regionalização.
Resultado – Fornecedores locais são estratégicos, mas parcerias privilegiam poucas organizações que, em contrapartida, trataram de enxugar o quadro de trabalhadores das linhas de produção. Não há estudos recentes que diagnostiquem o grau de vazamento de compras das empresas locais. A aproximação entre empreendedores locais poderia maximizar série de vantagens, entre as quais o potencial de receitas tributárias.
14ª Profecia – A Vila de Paranapiacaba, em Santo André, construída por engenheiros britânicos, supera anos de esquecimento e de deterioração. Agora, Paranapiacaba atrai milhares de turistas, graças a investimentos de multinacionais inglesas instaladas no Brasil. Paranapiacaba não acaba mais.
Resultado – Celso Daniel empenhou-se a fundo para garantir o acervo histórico da Vila de Paranapiacaba à Prefeitura de Santo André. Morreu pouco antes de assinar o contrato de compra com a companhia ferroviária estatal. Aos poucos, com festivais de inverno e série de outras iniciativas, Paranapiacaba sai da zona de deterioração e ganha atratividade para quem pretende fugir do urbanismo desumano da Grande São Paulo e procura refúgio num ambiente envolvente do século passado. Mas não se tem notícia de que capitais britânicos se sensibilizem ao menos com a arquitetura legada pela companhia desbravadora da estrada de ferro no final do século XIX.
15ª Profecia – Explode a indústria imobiliária na região. Resultado da pressão do Fórum e do Consórcio, as Câmaras Municipais da região descobriram o óbvio: as excessivas restrições ao uso e ocupação do solo favoreciam a especulação. Agora quem quer casa tem casa. Quem quer empresa, tem espaço para ter empresa.
Resultado – A maioria dos administradores públicos resolveu retirar amarras legais que no período de industrialização compulsória foram preparadas para conter o capitalista visto com desconfiança. O problema é que o lacre discricionário foi retirado num período em que a economia sem fronteiras dá muito mais elasticidade ao conceito de competitividade e questões locacionais se fundem a outros pontos, especialmente com qualidade de vida. O Grande ABC tem espaços de sobra para indústrias de pequeno e médio tamanho, mas faltam interessados.
16ª Profecia – O governador Mário Covas está sendo imparcial na distribuição de tíquete moradia com recursos do ICMS. Surpreendendo a todos, pois até agora só atendia à Baixada Santista, sua principal base eleitoral, ele anuncia liberação de recursos financeiros para construção imediata de 10 mil casas populares no Grande ABC. Já não teremos tantos Alzira Franco.
Resultado – Mário Covas morreu faz tempo, nem por isso seu substituto em nível estadual e o governo federal dão à deficiente estrutura de habitação popular do Grande ABC a importância que a derrocada econômica exige. Especialistas do setor imobiliário somam 100 mil moradias de déficit. A tormenta com enchentes continua.
17ª Profecia – O deputado estadual Clóvis Volpi, um dos apologistas da integração regional, reúne a Imprensa para anunciar o sucesso de seu projeto de lei: a Assembléia Legislativa aprovou a criação da Região Metropolitana do Grande ABC. Agora vai ser uma barbada o sucesso da região, já consolidada em termos institucionais pelo Fórum, pelo Consórcio e pela classe acadêmica.
Resultado — Clóvis Volpi caiu no ostracismo, voltou à ribalta agora como prefeito de Ribeirão Pires mas a problemática metropolitana do Grande ABC segue na mesma toada de desencanto. Um projeto de lei do governador do Estado, Geraldo Alckmin, segue encruado nos gabinetes da Assembléia Legislativa. A proposta de criação da Agência Metropolitana envolve muitos interesses conflitantes na esfera político-administrativa. Os políticos continuam a pensar na próxima eleição e qualquer iniciativa que possa causar desconfiança ou ciumeira ingressa inapelavelmente no corredor polonês de vaidades e suscetibilidades.
18ª Profecia – O Pólo Industrial de Sertãozinho, localizado em Mauá e com disponibilidade de cinco milhões de metros quadrados, finalmente reforça a economia da região. Câmara Municipal aprova divisão da área e o prefeito decide investir na infra-estrutura até então abandonada. Dezenas de pequenas indústrias já começam a ocupar espaços. Serão criados 10 mil empregos diretos. O gás encanado do vizinho Pólo Petroquímico vai baratear o custo de energia.
Resultado – De fato, mudaram-se as regras de ocupação do Pólo de Sertãozinho e o distrito de Mauá passou a receber dezenas de empreendimentos industriais. O que nem sempre se relata é que a maioria dos negócios é egressa do próprio Grande ABC, de empresas que já não conseguiam expandir em terrenos e galpões dimensionados para um passado que ficou na história. O novo impulso que Sertãozinho pode alcançar agora vem de duas providenciais obras de infra-estrutura, o trecho Sul do Rodoanel e a Avenida Jacú-Pêssego, ainda em projetos.
19ª Profecia – Dirigentes das Associações Comerciais e Industriais da região, que deram grande força ao Fórum da Cidadania, agora comemoram a criação da Federação do Comércio do Grande ABC. A entidade passa a ser uma das mais importantes do País. Seu presidente está decidido a atender as bases e concorrer ao Senado da República.
Resultado – As entidades do setor empresarial do Grande ABC continuam separadas pelo bairrismo exacerbado. Não conseguem se mobilizar nem mesmo em questões institucionais supramunicipais, algo perfeitamente realizável porque há problemas em comum cujas respostas e soluções em larga escala dependem de articulações conjuntas.
20ª Profecia – Representação do Grande ABC na Câmara Federal segue exemplo dos deputados estaduais e aumenta o número em Brasília. Agora são 12 deputados da região para brigar com as turmas de Sarney, ACM, ruralistas e empreiteiros há tanto tempo atrapalhando os passos do País rumo à modernidade.
Resultado – Como no caso da representação estadual, o problema legislativo do Grande ABC não se concentra necessariamente na quantidade de deputados federais ou mesmo na eventualidade de contar com senadores da República. A prova está na própria realidade atual, exemplificada pela presença do ex-operário de São Bernardo, Lula da Silva, na presidência da República. O anúncio da criação da Universidade Federal do Grande ABC é operação de risco — uma safena que se introduz num organismo sem se saber a extensão dos problemas coronários. Ou seja: a região não tem diagnósticos que identifiquem novas e providenciais vocações econômicas que possam entrecruzar-se com o currículo da instituição. A possibilidade de desperdício de talentos acadêmicos ou no mínimo de formação profissional para atender economias de outras geografias do País está no radar de quem se preocupa com o amanhã. Embora tenha repassado ao Grande ABC muito mais recursos financeiros do que Fernando Henrique Cardoso, o governo Lula da Silva não conseguirá socorrer os sete municípios na intensidade dos estragos causados pela desindustrialização dos anos 90.
21ª Profecia – Pólo Industrial de São Bernardo finalmente foi resolvido. Indústrias não poluentes vão se instalar ali para atender mais de perto o fornecimento às montadoras de São Bernardo. A possibilidade de especulação imobiliária não se confirmou.
Resultado – Ao longo da história de ocupação industrial automotiva, nem São Bernardo nem qualquer Município do Grande ABC se planejou à ocupação espacial. Dessa forma, o conceito de distritos industriais foi de fato processo de improvisação que relegou a quinto plano qualquer objetivo de produtividade e competitividade. O modelo se comprova nestes tempos aquém das necessidades das empresas. O comprometimento urbanístico da Grande São Paulo, pontificado pela desordenada ocupação de indústrias, residências e comércios, é marca tão profundamente enraizada que parece incorrigível.
22ª Profecia – Em conjunto, prefeitos do Grande ABC anunciam a inauguração de moderno complexo viário inter-regional que vai reduzir a baixa qualidade do trânsito na região. As obras despertam interesse de empresários que há alguns anos transferiram empresas da região por causa do chamado Custo ABC. Agora só existe Benefício ABC.
Resultado – O trecho Sul do Rodoanel, com recursos financeiros do governo do Estado e do governo federal, é a maior esperança de depuração da logística do Grande ABC, um caos quando observada também em dimensão metropolitana. Além do Rodoanel Sul, o Ferroanel, que correria em trajeto paralelo, como irmão siamês do sistema de transporte do Grande ABC, retirando veículos e cargas do interior da metrópole, também é ponto de inflexão positiva num futuro que jamais chega. Sucessivos adiamentos do cronograma de obras do Rodoanel e do Ferroanel desencorajam investimentos produtivos na Grande São Paulo e incentivam a deslocação de empresas à chamada Grande São Paulo Expandida. Não é por outra razão que a cidade de São Paulo e o conjunto do Grande ABC seguem perdendo participação absoluta e relativa no bolo da indústria paulista.
23ª Profecia – Grande multinacional do Primeiro Mundo ganha concorrência para modernizar o trecho ferroviário que une o Grande ABC ao Porto de Santos e, por meio de conexões, ao Mercosul. Investimentos vão contribuir também para consolidar a economia do Grande ABC, até alguns anos na iminência de descarrilar. Privatizado, o Porto de Santos volta a ser parceiro da região.
Resultado – O uso da ferrovia foi privatizado já há algum tempo mas, ao contrário dos otimistas empedernidos que imaginavam cenário de flores e comemorações, a modernização operacional tem baixíssima intersecção direta com o Grande ABC. A antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí ganha formato de importante veia de transporte em direção ao Porto de Santos, mas nada que internamente tenha sido relevante à produtividade regional no transporte. Os terminais do Porto de Santos foram privatizados mas têm capacidade de embarque e desembarque limitada ao gradualismo de investimentos e só passarão a ser mais estratégicos para a região com a criação do retroporto na Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, promessa que, entretanto, não se efetivou.
24ª Profecia – Investidores nacionais e internacionais descobrem São Caetano. Como resultado de trabalho de marketing da região, eles já estão transformando antigos galpões industriais em usinas de tecnologia de informática e robótica voltadas ao novo perfil industrial do Grande ABC.
Resultado – São Caetano, como o Grande ABC, vive de terciário que não agrega maiores valores tecnológicos. O anúncio do Pólo Tecnológico no Bairro Cerâmica, com pompa e circunstância há cinco anos pelo então prefeito Luiz Tortorello, não passou de carta de intenções. As obras não se iniciaram até agora. Tudo porque Tortorello sedimentou a proposta em realidade tributária que o Congresso Nacional mais tarde decidiu cassar, ou seja, a guerra fiscal na prestação de serviços, com rebaixamento sistemático de alíquotas do ISS (Imposto Sobre Serviços) até o limite de 0,25%. O patamar mínimo legal de 2% comporta alguns dribles de administradores públicos mas é em regra geral barreira contra distorções utilizadas por São Caetano e outros paraísos fiscais na Grande São Paulo, casos de Barueri, Carapicuíba, entre outros.
25ª Profecia — Pequenos varejistas da região acordam para a concorrência dos shoppings, supermercados e hipermercados. Unem-se em torno de associações comerciais e atendem pedido dos líderes: trocam telenovelas por cursos de administração e marketing.
Resultado – Enredados pela dispersão, pelo canibalismo de negócios semelhantes para atender demandas em retração e sempre às voltas com o aparato tributário de um País que é o paraíso da burocracia estatal, os pequenos empreendimentos do Grande ABC respiram com ajuda de aparelhos. Exceto um ou outro movimento de soma de forças em determinados segmentos, mesmo assim com dificuldades extremas de entendimento, instalou-se na região disputa fratricida sem suporte das entidades de classe e à margem de preocupações das administrações locais. Programas de revitalização de centros comerciais de bairros como os aplicados em Santo André são paliativos porque não conseguem atingir a raiz de dificuldades da macroeconomia, o privilégio às redes varejistas e a falta de ações sistêmicas do próprio Poder Público local, além, evidentemente, do despreparo dos empreendedores.
26ª Profecia – Terminais de computadores são instalados em massa nas salas de aulas das escolas da região. Alunos estão plugados à Internet e também a uma rede de informações gerais sobre o Grande ABC. A rede dispõe de dados históricos regionais e também de centenas de indicadores sociais e econômicos organizados por uma entidade cerebral formada por representantes de diversas áreas. Essa rede também é disputadíssima por investidores que estão de olho na região.
Resultado – O Poder Público do Grande ABC tem realizado série de iniciativas para disseminar conceitos de inclusão digital com centros específicos, mas a disponibilidade de oportunidades não atende ao fluxo de interesse na medida em que quanto mais se avança em direção à periferia, menos oferta de computadores se apresenta. A proposta de fornecer um banco de dados com informações sobre a vida do Grande ABC está restrita a iniciativas das próprias prefeituras, mas nem de longe atende ao perfil de seduzir eventuais investidores que acessem home pages oficiais. O Grande ABC é tratado burocraticamente nas estatísticas, sem qualquer visão de regionalidade.
27ª Profecia – Antigas e novas emissoras de rádio da região deixam de lado o quase monopólio de transmissões religiosas. Aproveitando a nova realidade regional, as emissoras investem para valer em radiojornalismo. O debate agora é saber quem ganha mais: as emissoras com audiência e faturamento em alta ou a cidadania, matéria-prima da programação.
Resultado – O Grande ABC praticamente desapareceu de sintonias radiofônicas, submerso à onda de repasse das emissoras a instituições religiosas. Sobrou a Radio ABC de Santo André, com potência e programação aquém da vastíssima oferta de atrações das emissoras da Capital. O Complexo de Gata Borralheira na radiofonia regional é estupidamente imbatível entre outros motivos porque está fundamentado em fatos e não em mitos: a qualidade superior de programação da pujante vizinha.
28ª Profecia – A televisão torna-se realidade na região, com emissoras de considerável audiência. Com rádio, tevê e um conjunto de jornais, entre os quais um tradicional e comunitário diário e uma revista quinzenal especializada em economia local, a mídia do Grande ABC atinge todas as camadas e segmentos sociais com a mesma intensidade.
Resultado — Sem emissora de TV de massa, por causa de impraticabilidade técnica, o Grande ABC conta com algumas alternativas na modalidade paga ou não, cujos índices de audiência são semelhantes ao que empresas especializadas em mídia chamam de traço, ou seja, quase nada em relação ao alcançado em média pelas grandes redes. O jornalismo impresso continua a viver de um veículo diário às voltas com o conceito de regionalidade, com uma revista de economia e negócios que já completou 16 anos, com algumas revistas de entretenimento e com jornais semanários, bissemanários, quinzenais e mensários às turras com mercado publicitário renitentemente em queda.
29ª Profecia – Indústria esportiva do Grande ABC é reconhecida em todo o Brasil. Os três principais clubes profissionais de futebol da região conseguem o que Curitiba alcançou em 1996: vagas no disputadíssimo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Importantíssimos elementos culturais, os três clubes do Grande ABC ajudam a consolidar a identidade regional.
Resultado — O São Caetano disputou duas vezes a final do Campeonato Brasileiro, chegou à decisão da Taça Libertadores da América e, finalmente, ganhou um título, o de campeão paulista da Série A no ano passado. Já o Santo André chegou à glória suprema da Copa do Brasil de 2004, a segunda mais importante competição esportiva do País. Os últimos anos foram os melhores da história do futebol profissional da região, mas ainda não se conseguiu chegar próximo de Curitiba, porque o Grande ABC conta apenas com o São Caetano na Série A do Campeonato Brasileiro. Fora esses dois clubes, os demais são persistentes exemplos de que provavelmente nadarão, nadarão e morrerão na praia porque cada vez mais futebol e negócios se cruzam para excluir os clubes menos organizados.
30ª Profecia – Empresários da região se organizam e convencem empreendedores nacionais a construir espécie de Anhembi regional. Agora, feiras nacionais e internacionais vão colocar a região no calendário de agentes especializados. Estandes regionais, que vendem a nova imagem e a nova realidade do Grande ABC, são distribuídos em pontos estratégicos do centro de exposições, estimulando novos investidores.
Resultado – O Grande ABC levado a uma gigantesca vitrine com infra-estrutura apoteótica para despertar o fluxo de turismo de negócios ainda está no horizonte dos mais otimistas, mas não consegue nem mesmo transplantar a proposta para planilhas e pesquisas. Espaços existem para a construção de megapalco de eventos negociais e artísticos, mas faltam investidores. O refluxo da economia durante os anos 90, com reflexos na primeira metade do novo século, inibe incursões inovadoras e mantêm o foco da atividade na vizinha Capital mais complexa e completa em dinâmica econômica.
31ª Profecia – Conhecidos pontos da indústria do prazer do Grande ABC, como a Avenida Dom Pedro II em Santo André e a Rua Jurubatuba, em São Bernardo, substituem casas destinadas à troca de óleo por centros de recuperação e de profissionalização de menores. O que antes era assunto do Aqui Agora virou notícia do Fantástico e tomou todo um Globo Repórter.
Resultado – Os pontos de prostituição multiplicam-se no Grande ABC em diversos formatos, inclusive de proliferação das chamadas casas de massagem em bairros de classe média alta. Menores infratores, uma das heranças de erráticas políticas macroeconômicas que governos das três esferas não conseguiram minimizar, continuam a engrossar as fileiras da Febem. Tanto que o governo do Estado anunciou à revelia do Consórcio de Prefeitos que vai instalar várias unidades locais para enclausurar jovens que saíram do trilho. O Estado cansou de dar albergue à juventude do Grande ABC nas unidades da Capital e do Interior. Quem pariu Mateus que o embale — eis a filosofia do então governador Geraldo Alckmin, inquieto com o barril de pólvora de rebeliões de uma incubadora de delinquentes que o Estado inutilmente promete ressocializar há décadas.
32ª Profecia – Clubes sociais da região decidem justificar o nome e também passam a atuar pelo conjunto da sociedade, integrando-se aos movimentos de valorização da região, como o Fórum da Cidadania. Esses clubes começam a multiplicar o sentimento de cidadania.
Resultado – Seguindo o modelo tradicional de um País pouco preparado para o comunitarismo, os clubes sociais do Grande ABC não passam de redutos de entretenimento. Cada vez mais pressionados por custos em alta e quadro associativo em baixa, vivem um dia após o outro atrás de receitas que coloquem obstáculos à ameaça de que o elevado grau de inadimplência dos associados tenha como contrapartida a insolvência administrativa. É o preço que todos começam a pagar por desconsiderarem os recuos econômicos como armas letais do desenvolvimento social.
33ª Profecia – Também os clubes de serviço, que têm olhos postos na comunidade, resolvem juntar-se ao Fórum da Cidadania. Especialistas em intercâmbios culturais, promovem agora ações voltadas às necessidades socioeconômicas da região. Famosos consultores ligados aos clubes de serviços internacionais passam a fazer do Grande ABC roteiro obrigatório de pregações.
Resultado – Como os clubes sociais, os clubes de serviço atuam sob roteiro previamente recortado no passado em que o Grande ABC era pródigo em mobilidade social. As iniciativas de dirigentes não conseguem atender ao cada vez excessivo número de excluídos sociais. Quem anda se multiplicando em tarefas de pronto-socorro social são as chamadas Madres Terezas, criadas pelo Prêmio Desempenho. Elas atuam diretamente na periferia desesperançosa.
34ª Profecia – Agremiações carnavalescas da região usam o bom senso e decidem realizar desfiles compartilhados num sambódromo construído na divisa de Santo André e São Bernardo. Durante o restante do ano o sambódromo vira escola profissionalizante. As últimas notícias dão conta de que a Mangueira não será mais vista apenas na telinha. Vai se exibir como convidada. Ao vivo e em cores.
Resultado — O divisionismo xenófobo do Grande ABC na maioria das atividades atravanca qualquer proposta de carnaval regional. Há egocentrismo quase irresponsável e interesses geralmente inconfessos que impedem racionalizar recursos e potencializar receitas e emoções levando-se para a passarela regional em uma ou duas noites de gala o que se assiste em evidente decadência em cada Município.
35ª Profecia – Uma nova pesquisa sobre os 10 melhores endereços para investimentos no Brasil aponta quatro municípios da região entre os 10 primeiros. Somados os índices das quatro cidades, e dada a condição regional, o Grande ABC recupera o terreno perdido e assume a pole-position. O assunto é o samba-enredo da escola de samba campeã do Grande ABC.
Resultado – São Caetano continua uma ilha de qualidade de vida na Região Metropolitana de São Paulo, conforme provam dados do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). Não fosse o calcanhar-de-aquiles de roubos e furtos de veículos e roubo e furtos diversos, o Índice de Criminalidade do IEME seria menos preocupante para São Caetano. No conjunto dos municípios, entretanto, o Grande ABC ocupa os últimos lugares no ranking estadual e despenca em outro indicador, de competitividade econômica.
36ª Profecia – Intelectuais, sindicalistas, empresários, políticos e lideranças acadêmicas festejam: finalmente o Grande ABC ganhou sua universidade. Voltada para o trabalho, como sugeriu um consultor econômico em 1996, a instituição vai produzir o que até agora era um mito: a região terá mão-de-obra realmente capacitada não só em relação aos principais pólos econômicos do País, mas em confronto com o Primeiro Mundo.
Resultado – A UFABC finalmente ganhou forma e orçamento para iniciar anunciadamente a partir do ano que vem trajetória educacional que preocupa quem não se contenta exclusivamente com a conquista. Praticamente excluída de debates regionais com especialistas no assunto e tratada como ferramenta político-eleitoral da prefeita de Ribeirão Pires, Maria Inês Soares, então presidente do Consórcio Intermunicipal, a UFABC que se pretende instalar em Santo André tem intimidade com a realidade econômica regional tanto quanto a renúncia ao exibicionismo dos membros da CPI do Mensalão.
37ª Profecia – O lixo do Grande ABC agora vai para o lixo, isto é, para usinas ecologicamente seguras. Todos os problemas que durante anos preocuparam ambientalistas e industriais, gerando perdas ecológicas e financeiras, foram para a lata do lixo. Municípios se uniram, obtiveram financiamento a juros baixos e transformaram lixo reciclado em dinheiro que amortiza boa parte da dívida.
Resultado – Coletas seletivas são medidas isoladas de uma ou outra administração pública municipal. Por isso, retirando-se o efeito simplificador de serviço público, não há repercussões substantivas no campo econômico. Cooperativas de trabalhadores são apenas ínfima parcela de rentabilidade que a coleta de lixo poderia proporcionar. Nenhuma administração pública conseguiu neutralizar custos de coleta de lixo, ou seja, não obtiveram respostas práticas para amenizar o peso da atividade no orçamento. Lixo continua a ser sinônimo de despesa.
38ª Profecia – Prefeitos da região já começam a colher frutos de convênios com organizações especializadas em recursos humanos: quadros do funcionalismo público municipal elevam a produtividade a níveis da livre-iniciativa. Medida valoriza os eficientes e bota para fora os acomodados, já que a estabilidade foi para a cucuia.
Resultado – Nada de extraordinariamente significativo se conhece nos quadros do funcionalismo público que possa comparar-se ao enxugamento no chão e em gabinetes de fábricas durante os anos 90. Naquele período, para enfrentar os efeitos de inserção aberta demais, empreendedores cortaram camadas de recursos humanos supostamente sobrepostas. No setor público, os indicadores se limitam à constatação de que o ritual de contratações sofreu leve redução de velocidade em alguns municípios e elevação em outros, por conta de atendimento suplementar nas áreas de saúde e educação, cada vez mais sob responsabilidade dos prefeitos.
39ª Profecia – Pequenas empresas deixam de sofrer com a discriminação empresarial do Brasil. A aprovação do Estatuto da Microempresa, luta de vários anos do Sebrae, deixa de confundir pequena e grande empresa, poucos e muitos impostos. Governo federal aprova legislação que protege setor na área de financiamentos e impostos. Agora quando se fala no assunto não se trata mais de tapeação. Os juros já não são escorchantes e muitos tributos desapareceram.
Resultado – O quadro macroeconômico e microeconômico se mostra imperturbavelmente degenerativo ao crescimento dos pequenos negócios no Brasil, apesar de alguns avanços como a adoção do Simples, entre outros. Entre as muitas dificuldades que os pequenos negócios enfrentam além da carga tributária elevada está a padronização de legislações que tratam igualmente os desiguais. Por exemplo: as regras trabalhistas que enquadram companhias multinacionais e grandes conglomerados nacionais não podem ser obedecidas pelos pequenos negócios. Por essas e outras a informalidade já é maior que a formalidade.
40ª Profecia – Convidados do Prêmio Desempenho resolvem trocar idéias durante o coquetel e chegam à seguinte conclusão: jornalista travestido de Nostratamos de Resolver precisa de imediata internação. Está completamente maluco.
Resultado – A julgar pelos resultados, 10 anos após a série de profecias, tudo indica que quem precisa de internação terapêutica é a própria comunidade regional, incapaz de mudar a rota dos acontecimentos.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL