Regionalidade

São Bernardo fracassa no indicador
de Emprego & Renda e cai no IFDM

DANIEL LIMA - 04/12/2012

Capital econômica da Província do Grande ABC, detentora de 40% do PIB (Produto Interno Bruto), São Bernardo é a grande decepção regional no ranking de Emprego & Renda, um dos subsetores do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal). A 15ª colocação geral no G-20, o grupo dos 20 municípios mais importantes do Estado de São Paulo, exceto a Capital, e o 70º posto no ranking nacional do IFDM foram fortemente influenciados pelo baixo dinamismo econômico de São Bernardo.


 


Ao final de 2010, ano da atualização dos estudos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, com bases em dados de três ministérios federais, São Bernardo ocupa a lanterninha, ou seja, o 20º lugar, no G-20 Paulista. A melhor posição da Província é de Santo André, nona colocada, ante o 12º lugar de Mauá, o 14º de São Caetano e o 16º de Diadema, sempre no quesito Emprego & Renda.


 


Qualquer tentativa de subestimar o subgrupo de Emprego & Renda para amenizar os estragos econômicos em São Bernardo ao longo das duas últimas décadas, especialmente a partir da descentralização do setor automotivo, não passará de esparadrapos argumentativos. A metodologia aplicada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro não deixa dúvidas sobre a solidez dos estudos e, principalmente, sobre a necessidade de São Bernardo em particular e a Província do Grande ABC como um todo organizar-se para o enfrentamento competitivo na produção de riqueza. O endeusamento acrítico à chegada de shoppings é uma das maneiras mais eficientes de tapar o sol dos problemas com a peneira do triunfalismo.


 


O indicador de Emprego & Renda do IFDM envolve a população empregada. Além de apresentar efeito multiplicador da maior qualidade, o emprego formal, com carteira assinada, impacta diretamente na economia como um todo, gerando aumento da movimentação da renda criada, melhoria do acesso ao crédito e incremento da circulação legal de mercadorias e serviços – aponta o estudo da Firjan. “Além disso, nos locais onde ocorre alta formalização do mercado de trabalho, recolhem-se mais tributos, melhoraram-se as condições de trabalho e respeitam-se muito mais as leis trabalhistas, o que faz com que as empresas elegíveis à atuação nos mercados nacional e internacional se tornem mais competitivas”.


 


Metodologia sólida


 


O IFDM-Emprego& Renda acompanha a movimentação e as características do mercado formal de trabalho com base nos dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho. As vertentes emprego formal e salário médio mensal têm o mesmo peso no indicador final de emprego e renda, cabendo a cada uma 50% do total. O emprego formal é composto por três indicadores, o que possibilita visão mais ampla sobre as condições de geração de emprego, segundo os especialistas contratados pela Firjan. A primeira variável é Taxa de Geração de Emprego Formal sobre o Estoque de Empregados, com peso de 10% no indicador final de Emprego & Renda. A segunda, também com peso de 10%, é a Média Trienal de Criação de Emprego, que permite lançar um olhar de sustentabilidade quanto à variação do emprego. Por fim, leva-se em consideração o Saldo Anual Absoluto de Geração de Empregos, com peso de 30%, que privilegia a análise dos dados mais recentes.


 


O indicador salário médio mensal também é constituído por três indicadores, o que possibilita, segundo a metodologia aplicada, avaliar as condições de renda e poder de compra da população de cada Município. A primeira vertente é a Taxa de Crescimento do Salário Médio, com peso de 7,5%, a segunda mede a tendência de Crescimento Trienal do Salário (peso de 7,5%) e a terceira avalia o Valor Corrente Trienal do Salário (peso de 35%), com objetivo de captar o poder de compras propriamente dito.


 


Apenas São Bernardo e Diadema, na Província do Grande ABC, estão fora da classificação de alto estágio de desenvolvimento no indicador de Emprego & Renda formulado pela Firjan. O índice de São Bernardo, de 0,7568, e o índice de Diadema, de 0,7862, enquadram-se no conceito de desenvolvimento moderado -- porque estão abaixo do índice de 0,8000. Santo André registrou 0,8649, ante 0,8448 de Mauá e 0,8206 de São Caetano. Apenas esses cinco municípios da região estão no G-20, agrupamento objeto de estudos de CapitalSocial em várias vertentes sociais e econômicas. Ribeirão Pires, com 0,6273, está no mesmo grupo de desenvolvimento moderado de São Bernardo, quase no limite de desenvolvimento regular, ocupado por Rio Grande da Serra com o índice de 0,4508.


 


O ranking de Emprego & Renda do G-20, sempre com base nos estudos da Firjan, é liderado por Ribeirão Preto. Veja o quadro completo:


 


1.     Ribeirão Preto, 0,9223


2.     Taubaté, 0,9150


3.     Guarulhos, 0,9119


4.     Jundiaí, 0,8993


5.     Campinas, 0,8954


6.     São José do Rio Preto, 0,8941


7.     Barueri, 0,8865


8.     Santos, 0,8689


9.     Santo André, 0,8649


10.   Paulínia, 0,8551


11.   Osasco, 0,8532


12.   Mauá, 0,8448


13.   Sumaré, 0, 8386


14.   São Caetano, 0,8206


15.   Sorocaba, 0,8193


16.   Diadema, 0,7862


17.   Piracicaba, 0,7788


18.   São José dos Campos, 0,7727


19.   Mogi das Cruzes, 0,7670


20.   São Bernardo, 0,7568


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