A Universidade Federal do Grande ABC (UFABC) segue impávida a desafiar a esfareladíssima institucionalidade da Província do Grande ABC. E o Clube dos Prefeitos, também conhecido como Consórcio Intermunicipal, mantém silêncio dos acovardados e dos politicamente comprometidos com o erro. Tanto que não se mobiliza para corrigir os próprios objetivos que traçou quando reivindicou a criação dessa escola superior. Um desperdício e tanto. A UFABC custa os tubos (mais de R$ 300 milhões/ano) ao governo federal. Após sete anos de atividades, nenhuma contrapartida produtiva de verdade contempla a região.
A UFABC exclusivamente egocêntrica no sistema de ensino que privilegia o academicismo, não é a UFABC que o Clube dos Prefeitos requereu ao então recém-eleito presidente da República, Lula da Silva, quando, em março de 2003 (portanto há 11 anos), lhe foi entregue documento que listava oito propostas de investimentos na região.
Aliás, a proposta sobre o perfil da UFABC resultou da linha editorial da revista LivreMercado, dirigida por mim durante duas décadas e que, desde sempre, defendeu uma instituição voltada à recuperação da dinâmica econômica da região.
Por obra da organização de meus arquivos profissionais, eis que encontrei a prova do crime cometido pela UFABC ao longo dos anos – mais precisamente desde 2007, quando foi instalada na Avenida dos Estados, em Santo André.
Muito provavelmente o documento do qual lanço mão não consta dos arquivos do próprio Clube dos Prefeitos. A troca de guarda é constante entre os gestores públicos da região e a retaguarda operacional daquela instituição também sofre com o processo de descontinuidade. Se o Clube dos Prefeitos não contar mesmo com cópia do material entregue ao presidente Lula da Silva, basta uma solicitação que a remeto imediatamente. Não se poderá alegar, portanto, que não haja prova do crime.
Por que a Universidade Federal do Grande ABC tão analisada e criticada por CapitalSocial ao longo dos anos é mesmo um alvo a ser explorado constantemente? Porque seu espectro curricular e pedagógico foge completamente do que tropegamente foi combinado quando dos preparativos que embalaram sua concepção.
Documento histórico
Transcrevo, com base nisso, o compartimento do documento entregue a Lula da Silva há 11 anos. Trata-se de um choque elétrico nos fundilhos dos imbecis juramentados que imaginam estar este jornalista a serviço da destruição da UFABC. Orquestram evidente desvio tático para enganar o distinto público porque, assim, se foge do fulcro da questão, que é o assalto aos cofres da responsabilidade social dos gestores públicos.
Leiam o item 6 referente ao “Campus Universitário Federal para o Grande ABC”, reproduzido inclusive com erros gramaticais:
O Grande ABC segue sendo, indiscutivelmente, o principal polo econômico do Estado de São Paulo e do País. Ironicamente, a Região que mais contribui com a economia do país, com uma população que já beira aos 2,5 milhões de habitantes, não foi merecedora, até aqui, de uma única vaga universitária pública. Ora, hoje é mais que reconhecido que, numa economia globalizada, a sustentação da competitividade só é possível com o desenvolvimento de tecnologias de ponta e, alta qualificação e capacitação dos recursos humanos. Por outro lado, é sabido que o Estado de São Paulo não é contemplado com um grande número de vagas universitárias federais, quando comparado aos outros estados. Deste modo, nossa reivindicação de um Campus Universitário Federal de Ensino e Pesquisa, voltado às indústrias metal metalúrgicas, químicas e derivadas, -- como, por exemplo, os seguimentos (sic) de plástico e eletrônica embarcada – é uma postulação não apenas justa, mas também, altamente estratégica, uma vez que permitirá “alavancar” a contínua modernização das nossas importantes cadeias produtivas, colocando-as no acirrado mercado mundial em condições de efetiva competitividade.
Escombros em pauta
Em outras análises vou caminhar sobre os escombros dos demais itens evocados pelos então prefeitos dos sete municípios da Província do Grande ABC ao presidente da República. Abro com a UFABC porque se trata do maior engodo contra a cidadania regional. Não está em discussão a qualidade de ensino daquela universidade. Está devidamente colocado, sim, como desafio aos mandachuvas e mandachuvinhas da região, sobretudo aos petistas que acobertam esse erro crasso de investimento em nome da Província -- o que a UFABC representa para a sociedade produtiva regional.
Gostaria de ver a reação dos prefeitos que assinaram aquele documento encaminhado ao presidente da República. Como se pronunciariam hoje José de Filippi Júnior, de Diadema, presidente do Clube dos Prefeitos e Coordenador-Executivo da Câmara do Grande ABC, uma entidade que jamais funcionou? E os demais prefeitos? Maria Inês Soares Freire (Ribeirão Pires), João Avamileno (Santo André), William Dib (São Bernardo), Oswaldo Dias (Mauá) e Ramon Velasquez (Rio Grande da Serra). Ouvir Luiz Tortorello, prefeito de São Caetano, seria impossível, morto desde dezembro de 2004.
Fico a imaginar o que seria da UFABC entregue à Província do Grande ABC se esse presente de grego fosse atendido pelo tucanato que durante oito anos governou o País e que causou particularmente à geografia regional estragos homéricos com a abertura econômica, a guerra fiscal e tantas outras intervenções. Foram descargas elétricas que se rivalizam historicamente com os estrondos do sindicalismo de Lula da Silva e sucessores. Mas isso é outra história.
Louvação da mídia
Seguimos sofrendo as dores de uma industrialização seletiva e em estado de constante debilidade, enquanto a Universidade Federal do Grande ABC exibe músculos intelectuais em sazonais aparecimentos na mídia. Ainda esta semana o jornal ABCD Maior, cuja trajetória depende demais de recursos de entidades sindicais, divulgou com certo estardalhaço que a UFABC foi incluída entre as 18 melhores universidades do País.
A notícia não tem vínculo algum com o desenvolvimento econômico regional, porque a UFABC, como definiu o educador Valmor Bolan numa entrevista que consta do acervo de CapitalSocial, não passa de barriga de aluguel. Ou seja: a maioria dos estudantes que frequentam seus corredores e salas de aula não tem qualquer compromisso com o presente e muito menos com o futuro da região. Apenas dois de cada 10 estudantes tem moradia na região.
A nova façanha da UFABC destacada pelo ABCD Maior diz que a instituição foi incluída na lista divulgada pelo CWJR (Center for World University Rankings) da Arábia Saudita, entre as mil melhores universidades do mundo, aparecendo entre as 18 melhores instituições de ensino superior do Brasil. Os motivos que levaram a tamanho reconhecimento? Premiações e pedidos de patentes internacionais foram alguns dos critérios utilizados para a compilação.
A matéria do ABCD Maior fala de algumas outras conquistas da UFABC e ouve o pró-reitor de pós-graduação Gustavo Dalpian: “São vários rankings e todos possuem metodologias diferentes, com fatores diferentes de avaliação. O que chama a atenção é a consistência da avaliação da UFABC, que tem se saído bem de forma sistemática, independentemente dos critérios” – afirmou ao jornal.
E prosseguiu o jornal, ao se referir aos critérios para a contratação de professores como uma das explicações ao sucesso internacional: “É um reflexo da estratégia escolhida para a UFABC. Primeiro, de contratar somente professores doutores. Segundo, de incentivar que eles façam pesquisas científicas”.
E o desenvolvimento econômico?
Também diz o jornal ABCD Maior, aliado do centro-esquerdismo regional, ou porta-voz do centro-esquerdismo regional, que, desde a primeira aula, em 11 de setembro de 2006, a UFABC já publicou mais de mil artigos em revistas especializadas e ultrapassou a marca de 10 patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. Escreveu também o ABCD maior que até o ano passado a universidade somava mais de 50 prêmios conquistados por pesquisas de estudantes e professores. “A produção científica na UFABC é muito sólida” – disparou o pró-reitor.
É claro que a reportagem omite a realidade prática que interessa à Província do Grande ABC: a Universidade Federal legada por Lula da Silva e que foge completamente do espectro sonhado pelos prefeitos de então, e que simplesmente é esquecida pelo prefeito Luiz Marinho e companheiros da nova composição colegiada do Clube dos Prefeitos, está entre as lanterninhas do País no ranking da Folha de S. Paulo quando se trata de interlocução com os setores produtivos.
Não é descabida a possibilidade de, no futuro, a UFABC criar um espaço especial na Avenida dos Estados, no campus central, para explorar o conceito de eficiência acadêmica. Ali estariam as provas vivas, com painéis repletos de títulos, condecorações, troféus, homenagens diversas, diplomas e tudo o mais, do quanto a escola é apreciada mundo afora por acadêmicos embolorados ideologicamente. Enquanto isso, aqui fora, no ambiente em que se vive e se mora, os destroços industriais seguirão denunciando a negligência geral de organizações públicas e privadas mancomunadas com os podres poderes públicos.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL