Primeiro lugar no quesito IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), primeiro lugar
Contrapondo-se ao título individual de São Caetano, o Grande ABC como conjunto de sete municípios não se deu bem na classificação final: a soma de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra dá à região o 11º lugar no ranking geral do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado. Ou seja: na medida em que os números espalham-se ponderadamente pelo Grande ABC, a partir da campeã São Caetano, a queda na tabela é compulsória.
São Caetano chegou mais de seis pontos à frente de Paulínia, segunda colocada, e muito adiante dos demais municípios que ocuparam até o 10º lugar, pela ordem: Santos, Campinas, São Paulo, São Bernardo, Jundiaí, Barueri, Ribeirão Preto e Santo André.
O ranking de Desenvolvimento Econômico Equilibrado que instala cinco municípios da Região Metropolitana de São Paulo entre os 10 primeiros colocados entorpece uma realidade que a expansão classificatória denuncia: esses mesmos cinco municípios (São Caetano, São Paulo, São Bernardo, Barueri e Santo André) são os únicos da Grande São Paulo a figurar entre os 25 primeiros colocados do Estado.
Achado estatístico
Isso significa que o Desenvolvimento Econômico Equilibrado lançado pelo IEME é um achado estatístico e interpretativo que vai muito além do estratégico cruzamento de dados que, até então, estavam tão dispersos quanto pouco avaliados economicamente. Exceto Barueri, que concentra a força de seus números em dois dos cinco quesitos -- na carga do ISS gerado principalmente pela guerra fiscal e no Valor Adicionado de sua indústria petroquímica --, os demais municípios da Grande São Paulo estão entre os primeiros porque têm acumulado de riqueza histórica que nem mesmo o persistente esvaziamento industrial conseguiu destruir.
Entretanto, convém prestar atenção nos números porque retroceder no tempo denunciaria a queda relativa e absoluta dos municípios da Grande São Paulo. Afinal, tanto no VA (Valor Adicionado) quanto no IPC (Índice de Potencial de Consumo) os principais municípios da Grande São Paulo estão perdendo pontos preciosos ao longo dos anos. VA e IPC representam 60% do peso final do IDEE.
A solidez e a oportunidade do Desenvolvimento Econômico Equilibrado estão na combinação de cinco quesitos intrinsecamente definidores da capacidade de riqueza dos municípios e também na distribuição de pesos relativos ajuizadamente compatíveis.
Potencial tem mais peso
O ingrediente que mais vale pontos percentuais para a definição do ranking do IDEE é o IPC (Índice de Potencial de Consumo) que a Target Marketing e Pesquisas elabora para todo o Brasil há quase duas décadas. Nada menos que 35% do peso relativo na composição do Desenvolvimento Econômico Equilibrado deriva do IPC aferido pela empresa comandada pelo pesquisador Marcos Pazzini. Exatamente porque o IPC domina na relativização de pesos, a Target Marketing e Pesquisas participa do lançamento oficial do IEME e do IDEE como parceira.
O Índice de Potencial de Consumo é um coquetel de dados das mais diferentes fontes oficiais. Trata-se de ferramenta importantíssima que a Target comercializa especialmente para empresas que pretendem lançar produtos no mercado ou acompanhar mais de perto as razões de oscilações de vendas. A decisão de atribuir maior peso ao Índice de Potencial de Consumo se deve à constatação de que o IPC identifica sem subjetividade o grau de riqueza acumulada por cada Município brasileiro e a consequente capacidade de consumo em mais de duas dezenas de categorias de produtos e serviços.
São Caetano chegou à frente no ranking do Índice de Potencial de Consumo sem, entretanto, contar com a liderança em números absolutos porque o Desenvolvimento Econômico Equilibrado é integralmente voltado aos resultados por morador. Explicando: o resultado de São Caetano captado na mais recente pesquisa da Target para esta temporada foi dividido entre os mais de 140 mil habitantes e o quociente apontou o número que a colocou à frente das demais cidades.
Capital em quinto lugar
Mesmo com mais de 34% do Índice de Potencial de Consumo do Estado, a Capital paulista classificou-se em quinto lugar, atrás de São Caetano, Santos, Campinas e Ribeirão Preto. Tudo porque a divisão dos valores por mais de 10,4 milhões de habitantes colocou São Paulo em posição menos nobre na contabilidade per capita.
O agregado de riqueza detectado pelo Índice de Potencial de Consumo é tão importante para a qualificação de Desenvolvimento Econômico Equilibrado que apenas dois dos 10 primeiros municípios que constam do ranking geral do IDEE não estão também entre os 10 primeiros do IPC: Paulínia é vice-líder no IDEE e está em 21º lugar no IPC e Barueri, 8º no IDEE, está em 28º no IPC. Isso significa que tanto Paulínia quanto Barueri poderão melhorar a colocação geral no IDEE das próximas temporadas se conseguirem obter maior inserção da riqueza produzida pela indústria e enquadrada no quesito Valor Adicionado, pulverizando melhorias pelo IPVA, ISS e Inclusão Digital.
O Valor Adicionado tem o segundo peso relativo mais incisivo no ranking do Desenvolvimento Econômico Equilibrado. Embora seja considerado importante qualificador de riqueza, o Valor Adicionado não representa fator dominante no IDEE. Os 25% que o caracterizam podem surpreender quem esperava o VA como carro-chefe do ranking. Seria um equívoco. Enquanto o Índice de Potencial de Consumo exprime as riquezas acumuladas e não necessariamente geradas
Valor Adicionado em segundo
Valor Adicionado é, basicamente, a soma de tributos gerados pela indústria de transformação. VA é o mais importante e dominante instrumento com o qual a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo define a grade de distribuição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que por sua vez é o mais importante indexador de receitas dos municípios. O peso do Valor Adicionado na definição do ICMS atinge 76% entre os paulistas, contra apenas 16% do fator população e 5% de tributos próprios, entre outros.
Contar com Valor Adicionado elevado não é garantia nem certeza de que o Desenvolvimento Econômico Equilibrado faz parte do mapeamento diagnosticado pelo IEME. Exatamente por isso o peso relativo de 25% foi adotado como a mais segura composição de uma fórmula que não poderia colidir com seu próprio rótulo.
Um exemplo emblemático de que Valor Adicionado por si só não sustenta o conceito-chave de Desenvolvimento Econômico Equilibrado está no ranking geral: apenas cinco dos municípios que chegaram entre os 10 primeiros no IDEE repetiram esse posicionamento no quesito Valor Adicionado per capita. Se dependessem exclusivamente de Valor Adicionado, Santos, Campinas, São Paulo, Jundiaí e Santo André jamais comemorariam cinco dos 10 primeiros lugares
A contra-face dessa moeda também deve ser vista com atenção: os municípios que estão entre os primeiros
Sustentação relativa
Outra boa lição de que o Valor Adicionado por si só não sustenta o Desenvolvimento Econômico Equilibrado está nos casos de Jaguariúna, Louveira, Cajamar, Cubatão e São Sebastião, todos fora do ranking geral dos 10 mais do IDEE. Os casos do Valor Adicionado de Jaguariúna (segundo lugar no Estado), Cubatão (terceiro), Louveira (quarto) e São Sebastião (quinto) são mais interessantes porque esses municípios despencam em outros quesitos e na classificação final.
A explicação é simples e reforça a razão de o Potencial de Consumo ser mais importante para aquilatar o Desenvolvimento Econômico Equilibrado: por diferentes matizes econômicos, esses municípios contam com indústrias seletivas em mão-de-obra e produzem montanha de impostos que não se espalha pelos seus territórios em forma de geração de renda. Cubatão tem um pólo químico-petroquímico, Jaguariúna é uma pequenina cidade da região de Campinas que concentra indústria químico-farmacêutica, Louveira vive de usina hidrelétrica altamente geradora de impostos e São Sebastião é uma cidade portuária.
Como se observa, a associação de Índice de Potencial de Consumo e Valor Adicionado garante 60% de peso relativo na estruturação do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado. A decisão pelo prevalecimento dos dois indicadores na organização do IDEE é explicada como tabelinha perfeita entre riqueza gerada e riqueza acumulada. Isoladamente, tanto o Índice de Potencial de Consumo quanto o Valor Adicionado têm fissuras técnicas. Juntos, se completam. Sim, porque enquanto o VA não assegura que a geração de riqueza na indústria de transformação seja capilarizada no Município-sede, o Índice de Potencial de Consumo garante que mesmo sem trabalhar num determinado Município, os profissionais ali residentes dispõem de recursos financeiros para consumo.
Exemplos práticos dessas aparentes contradições não faltam. É o caso de Santos: embora esteja em 40º lugar no ranking do Valor Adicionado, classificou-se em terceiro lugar no ranking geral de Desenvolvimento Econômico Equilibrado porque, em média, seus moradores detêm, nos demais quesitos, sólida formação de riqueza econômica para os padrões nacionais. Também é o caso de Jaguariúna, segunda colocada no ranking de Valor Adicionado e 13ª no ranking geral de Desenvolvimento Econômico Equilibrado justamente porque perde pontos preciosos nos demais quesitos. A quarta e a quinta colocadas em VA, Louveira e São Sebastião, registram casos ainda mais evidentes de que transformação de riqueza industrial e Desenvolvimento Econômico Equilibrado não são exatamente irmãos siameses: classificaram-se em 33º e 34º lugares no ranking geral do IDEE.
Pesos complementares
Os outros quesitos do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado somam 40% de peso ponderado. IPVA e Inclusão Digital contam com 15% cada e o ISS, 10%. O IPVA registra não só o volume quantitativo físico como o valor monetário da frota automotiva de cada Município. Não é por acaso que nove dos 10 melhores colocados do índice geral de Desenvolvimento Econômico Equilibrado estão entre os 10 primeiros colocados no quesito IPVA. Exceto Barueri, que está em 18º lugar na riqueza sobrerrodas. Americana, que está entre os 10 primeiros do IPVA, aparece em 12º lugar na classificação geral do IDEE.
Inclusão Digital, um medidor pesquisado pela Fundação Getúlio Vargas, também é quesito que deve ser avaliado com atenção como item de Desenvolvimento Econômico Equilibrado. Afinal, a densidade de computadores
O vetor Inclusão Digital é mais profundo na diferenciação dos municípios do que muitos podem imaginar. As vizinhas Santos e Guarujá são prova da discrepância: enquanto Santos comemora o terceiro lugar no ranking geral de Desenvolvimento Econômico Equilibrado -- entre outros motivos porque se classificou em segundo lugar
Guarujá contraditória
A imagem de riqueza de Guarujá, como se observa, é metralhada pelo Desenvolvimento Econômico Equilibrado porque as duas principais bases sobre as quais se assentaria o crescimento econômico -- Valor Adicionado e Índice de Potencial de Consumo -- lhes foram negadas exatamente por ser uma cidade de veraneio. A invasão de migrantes durante o período de boom imobiliário agravou os problemas sociais do Guarujá, depois que houve a saturação dos negócios sem a contrapartida da quebra do fluxo migratório.
Completando a lista de quesitos que determinam o Desenvolvimento Econômico Equilibrado do IEME, o ISS (Imposto Sobre Serviços) também não causa surpresas: apenas quatro dos 10 primeiros colocados no ranking geral do IDEE não integram a lista dos 10 melhores do ISS -- São Bernardo, Jundiaí, Ribeirão Preto e Santo André. Entretanto, todos estão próximos dos 10 melhores.
Cubatão é um caso específico da combinação entre Valor Adicionado e ISS sem a retaguarda dos demais quesitos: a cidade do Litoral santista está em terceiro lugar tanto num quanto noutro quesito, por força da relação intestina de interdependência do setor portuário gerador de impostos de movimentação de cargas e prestação de serviços. Entretanto, como Cubatão não consegue melhores resultados nos demais quesitos, acaba despencando na classificação geral. Cajamar, oitava colocada em VA e em ISS, é uma réplica sem tanto brilho.
Por todos esses detalhes e essas nuances, a construção do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado pelo Instituto de Estudos Metropolitanos demarca novo território de racionalidade interpretativa sobre a economia paulista. O resumo dessa ópera é que não é um ou outro indicador econômico que dá garantia de verdade absoluta, mas, num contragolpe certeiro contra os apressados em definir as cores da economia paulista, o conjunto desses quesitos parece evidenciar o mapa da mina para investidores. Pelo menos se o referencial pretendido for a qualificação econômica do público-alvo. E nesse caso, São Caetano está na ponta da tabela. Já esteve melhor, mas continua líder.
Três primeiros lugares
O título de campeã estadual de Desenvolvimento Econômico Equilibrado conquistado por São Caetano só surpreende quem desconhece o acumulado histórico desse território de
Campeã nacional em qualidade de vida, síntese do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) conferido pela ONU (Organização das Nações Unidas), e detentora de igual título do Atlas de Exclusão Social do Brasil, São Caetano chegou à frente no IDEE com 72,59% de Índice Geral, contra 66,08% de Paulínia, a segunda colocada.
O resultado mostra com clareza a sintonia entre o econômico e o social. É praticamente impossível que com desenvolvimento econômico não se abram as portas dos avanços sociais. Esse, entretanto, é o calcanhar-de-Aquiles tanto de São Caetano quanto dos demais municípios da Grande São Paulo que ao longo de mais de uma década estão perdendo o tônus industrial para o Interior paulista. Exatamente por isso que, no quesito Valor Adicionado, São Caetano colhe seu resultado menos expressivo, ao classificar-se em nono lugar.
Como a desindustrialização é um processo persistente, a perspectiva de que São Caetano possa ver reduzida a diferença que a separa dos mais diretos perseguidores na classificação geral do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado é mais que certeira. Desde 1996 São Caetano perdeu um terço das receitas de ICMS, tributo diretamente relacionado à produção industrial.
Se o Valor Adicionado, ou seja, o PIB Industrial, é uma ameaça à quebra da estabilidade econômica e social de São Caetano, os outros vetores que compõem o IDEE dão ao Município dirigido por Luiz Tortorello o aval de que dias pelo menos iguais aos anteriores certamente virão. Não por acaso que a cidade ganhou o primeiro posto nos quesitos IPVA, Inclusão Digital e Índice de Potencial de Consumo, além de classificar-se em segundo em ISS.
O IPVA per capita de São Caetano é arrasadoramente superior aos dos demais municípios: chega à média de R$ 126,23 na parte que lhe cabe, ou seja, 50% da arrecadação do Estado. Santos é quem mais se aproxima, com média per capita de R$ 70,54.
Já nos quesitos Inclusão Digital e Potencial de Consumo, a liderança de São Caetano é menos folgada. Na Inclusão Digital, o índice de 41,14 é superior ao da segunda colocada Santos, que atingiu 33,04. No Potencial de Consumo, São Caetano lidera com 0,426, contra 0,416 da vice-líder Santos. Já no ISS, como seguidora fiel da guerra fiscal desfechada há mais tempo por Barueri, São Caetano só poderia mesmo ficar em segundo lugar no ranking: contra os R$ 437,5 mil per capita arrecadados por Barueri, São Caetano contabilizou R$ 248 mil. Como se observa, a distância é relativamente insuperável no curto prazo. Principalmente depois que o Congresso Nacional pôs fim ao rebaixamento anoréxico das alíquotas, estabelecendo o mínimo de 2%.
Eixos estruturantes
A seleção dos 55 maiores municípios do Estado de São Paulo para comporem o ranking do Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado levou em conta dois eixos: a combinação dos melhores resultados tanto no IPC (Índice de Potencial de Consumo) quanto no Valor Adicionado. Nada mais lógico, porque os dois indicadores representam 60% do peso relativo do IDEE.
Dos sete municípios do Grande ABC, apenas Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não conseguiram classificação. A Região Metropolitana de São Paulo, aparentemente bem representada por contar com cinco dos 10 primeiros colocados, só reaparece no ranking geral do IDEE a partir da 26º colocação representada por Cotia. O domínio do Interior de São Paulo, notadamente da Região Metropolitana de Campinas, passando pela Grande São José dos Campos e pela Grande Sorocaba, é sinal evidente de que o eixo desenvolvimentista está se deslocando para fora da Grande São Paulo. Como, aliás, LivreMercado tem antecipado historicamente com série de estudos.
Os municípios selecionados para o ranking do IEME representam mais de 70% da economia paulista que, por sua vez, é a mais importante do País. Embora reúna um exército de 645 municípios, o Estado de São Paulo é fortemente concentrado em desenvolvimento econômico numa ampla área geográfica que os acadêmicos chamam de Grande São Paulo expandida. O território abrange, além da Região Metropolitana de São Paulo, a Baixada Santista e as regiões de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba. Duas dessas áreas -- Baixada Santista e Campinas -- são formalmente regiões metropolitanas, por decisão da Assembléia Legislativa.
IDEE mostra sintonia
O resultado final do IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado) é altamente revelador da importância dos levantamentos do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). Embora sem ramificação especificamente social, campo sobre o qual o IEME pretende se lançar em novos trabalhos de parceria, há similaridades entre os números que emergiram do IDEE e do Atlas de Exclusão Social no Brasil, elaborado por um grupo de acadêmicos da Unicamp, USP e PUC sob coordenação dos economistas Márcio Pochmann e Ricardo Amorim.
O Atlas da Exclusão Social no Brasil é resultado de sete quesitos detalhadamente analisados pelos autores -- Índice de Pobreza, Índice de Juventude, Índice de Alfabetização, Índice de Escolaridade, Índice de Emprego Formal, Índice de Violência e Índice de Desigualdade. É do conjunto desses dados e da ponderação de cada um que os acadêmicos construíram uma versão da situação nacional prevalecentemente de viés social.
O título que São Caetano conquistou no IDEE foi comemorado anteriormente -- em nível nacional -- no Atlas da Exclusão Social, no caso, evidentemente, como Inclusão Social. Terceira colocada no IDEE, Santos é vice-campeã em inclusão social entre as 55 cidades paulistas que constam dos estudos do IEME. Campinas é quarta colocada nos dois macroíndices. São Paulo é, respectivamente, quinta e sétima. Jundiaí é sétima e terceira.
Poucos são os casos entre os primeiros 20 classificados no Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado que caíram muitas posições no Atlas de Exclusão Social dos 55 municípios listados. Barueri (oitava e 25ª, respectivamente), São Bernardo (sexta e 15ª), Santo André (10ª e 21ª) e São José dos Campos (11ª e 22ª) aparecem nessa situação. O que isso significa? Significa que o Desenvolvimento Econômico Equilibrado está sendo corroído por porções de esgarçamento do tecido social contemplado nos índices do Atlas de Exclusão Social. Há um evidente descompasso entre a riqueza gerada e acumulada e o grau de deterioração social.
Entretanto, há o outro lado da moeda, de municípios que estão entre os 20 primeiros do IDEE e tiveram posições avançadas no Atlas de Exclusão Social. São os casos de Paulínia (sétima e terceira, respectivamente), São Carlos (20ª e 10ª), Jaguariúna (13ª e nona) e Americana (12ª e quinta). A explicação é inversa da anterior: o quadro social está acima do Desenvolvimento Econômico Equilibrado que, por sua vez, sustenta o quadro social.
Um exemplo prático de que o Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado pode se transformar em ferramenta estratégica decisiva para os administradores públicos corrigirem ou aperfeiçoarem a rota do desenvolvimento econômico com repercussões sociais está no Vale do Paraíba, mais especificamente em Pindamonhangaba.
Vigésima colocada
Pindamonhangaba precisa continuar atraindo indústrias, especialmente de valor agregado capaz de gerar mais empregos de qualidade. Com isso, acrescentará mais riqueza em forma de veículos, inclusão digital, potencial de consumo e consumo no terciário.
Segundo maior território físico do Estado, com quase
Por ter números classificatórios mais próximos entre si nos cinco quesitos do IDEE, São José do Rio Preto apresenta melhor desempenho no resultado final que Pindamonhangaba, classificando-se em 14º lugar. Mesmo assim, tem uma pedra no meio do caminho que precisa superar: o 45º lugar
Qual é a terapia para São José do Rio Preto melhorar a classificação final? Atrair mais indústrias de pequeno e médio porte e incorporar às atuais e futuras empresas o suprimento de serviços por meio de rede mais densa de fornecedores. Com isso, vai gerar mais ISS.
A identificação de buracos negros como esses aparece com clareza diante de olhos que se lançarem com agudeza ao ranking geral. O mapa da mina está à mão de quem sabe transformar números em pérolas econômicas.
Delegações no lançamento
O entusiasmo do prefeito de Pindamonhangaba fez contraponto à ausência dos chefes dos Executivos do Grande ABC no lançamento oficial do IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado), primeiro indicador do recém-criado Instituto de Estudos Metropolitanos. Enquanto Vito Lerario absorvia com atenção redobrada a radiografia econômica que classificou a cidade do Vale do Paraíba em 41º lugar no ranking dos 55 maiores municípios do Estado, São Caetano era anunciada vencedora. Luiz Tortorello perdeu a oportunidade de comemorar outro título, mas já tem em mãos inédita ferramenta estatística para subsidiar políticas públicas que permitam compatibilizar a arrecadação da cidade que dirige pela terceira vez com a qualidade de vida de Primeiro Mundo exigida pela população.
"A matéria-prima mais importante para o desenvolvimento econômico é a informação" -- considera o diretor de Desenvolvimento Econômico de São Caetano, Jerson Ourives. O executivo público compareceu ao lançamento do IDEE com a expectativa de encontrar São Caetano em boa colocação, mas não esperava resultado tão positivo. Apesar da falta dos prefeitos -- João Avamileno, de Santo André, e William Dib, de São Bernardo, enviaram representantes oficiais --, a audiência seleta reuniu perto de 100 convidados entre políticos, acadêmicos, lideranças comunitárias e sindicalistas no Hotel Plaza Mayor,
O prefeito Vito Lerario sentou-se à mesa com os responsáveis pela construção do índice, o jornalista Daniel Lima e o diretor da Target Marketing e Pesquisas, Marcos Pazzini. O pastor Levi Correa, da Primeira Igreja Batista de Santo André, foi designado para representar os conselheiros do IEME e completou o time principal do dia. Ávido por informações, Lerario participou ativamente dos debates e antes mesmo do evento terminar já dava mostras de que vai incorporar o IDEE às ferramentas da administração. "O trabalho de crescimento industrial realizado em Pindamonhangaba atraiu 50 empresas. Por isso, é importante identificar as razões que nos levaram à classificação para melhorar nossa performance" -- enfatizou.
"São José do Rio Preto também utiliza índices econômicos para melhorar as ações públicas e o relacionamento com empreendedores" -- endossou o assessor da Secretaria de Planejamento e Gestão Estratégica da cidade, Antonio Silvestre Leite. Surpreso com o 14º lugar, Silvestre acredita que a boa pontuação está diretamente relacionada aos 13 minidistritos industriais formatados para acolher pequenos e médios empreendimentos locais. Santos, que tem procurado mecanismos para incentivar as matrizes econômicas da atividade portuária e do turismo, ficou com o terceiro lugar. "A relevância dos dados utilizados, das cidades envolvidas e a metodologia foram os quesitos que mais chamaram nossa atenção" -- revelou Celso Bertoli, da Assessoria de Imprensa de Santos.
Cadê os deputados?
A importância do IDEE para aprofundamento das questões regionais parece ter despertado pouco interesse nos oito deputados estaduais da região que mais uma vez assistiram a Assembléia Legislativa rejeitar todas as emendas do Grande ABC apresentadas à Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado. Somente Orlando Morando, de São Bernardo, compareceu ao lançamento e Vanderlei Siraque enviou representante. "Diagnósticos como esse são sempre interessantes para mostrar à região o que pode ser explorado e onde é necessário investir" -- entende Morando. Já a percepção da mídia, principalmente a paulista e do Interior que deu cobertura ao evento, foi inversamente proporcional à dos parlamentares.
O secretário de Desenvolvimento e Ação Regional da Prefeitura de Santo André, Jeroen Klink, contextualizou o lançamento do IDEE com a experiência de quem conhece as dificuldades de planejar sem ter acesso a dados atualizados. "O índice ajuda a diminuir a desestruturação do sistema de informações econômicas existente no Brasil" -- citou. Antonio Carlos Granado, secretário de Finanças de Santo André, reforçou a importância do IDEE como ferramenta de planejamento e sugeriu a construção da série histórica do indicador para potencializar sua utilização. O momento de maior reflexão de todo o evento, no entanto, desenhou-se na providencial intervenção de Inezita Awada. "Ou as prefeituras levam o estudo a sério ou será cada vez mais difícil dar conta das demandas sociais" -- alertou a voluntária social que coordena, entre várias ações, a Campanha do McDia Feliz 2003 no Grande ABC.
Resultado desnuda perdas
O Grande ABC classificou-se em 11º lugar entre as 55 principais economias paulistas agrupadas no Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado. A contabilidade leva em consideração a fórmula prática de traduzir os sete municípios como um megamunicípio. Uma forma de voltar historicamente no tempo e de tratar a região como município único, como a Santo André da Borda do Campo dos primórdios do Grande ABC. E é exatamente quando se puxa o gatilho da interdependência regional que explode a queda da qualidade de vida.
Como pode o Grande ABC classificar-se em 11º lugar no IDEE com média 40,13 se no IPC (Índice de Potencial de Consumo) do Estado de São Paulo a soma de resultados municipais confere à região o segundo lugar, atrás apenas de São Paulo, conforme dados anunciados há três meses por LivreMercado depois de ouvir a Target Marketing e Pesquisas? A explicação: nos demais quesitos que compõem o macroindicador do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) captura-se com maior exatidão a queda real do Grande ABC depois de quase duas décadas de perdas industriais.
Embora o peso relativo do Índice de Potencial de Consumo seja a principal âncora do IDEE, com 35%, e o Grande ABC se destaque no vetor, nos demais 65% de ponderação -- que envolvem IPVA, Inclusão Digital, Valor Adicionado e ISS -- os reveses são evidentes. No Valor Adicionado, com 25% de peso no IDEE, São Caetano se sustenta em nono lugar per capita, São Bernardo em 10º, Diadema é 21º, Mauá 22º e Santo André 36º.
Esse ranking do VA, espécie de PIB industrial, não é nada animador, porque o Grande ABC não tem apresentado cenários consistentes de recuperação industrial. Pior que isso: a tendência de deslocamento da produção industrial em direção ao Interior mais próximo afeta a maioria dos municípios da Região Metropolitana de São Paulo e em especial o Grande ABC, que perdeu 34% de VA entre 1995 e 2001. Faltam dados atualizados de 2002.
A correlação de resultados entre Índice de Potencial de Consumo, IPVA, ISS e Inclusão Digital é mais sincronizada. São Caetano, São Bernardo e Santo André, os melhores colocados do Grande ABC na classificação final do IDEE, disputam as melhores colocações no Estado, enquanto Diadema e Mauá ocupam posições de fundo. Basta uma observação atenta no quadro geral de classificação que consta desta reportagem para registrar a baixíssima oscilação desses cinco municípios nos quatro indicadores.
Nos casos específicos de Santo André, São Bernardo e São Caetano, o que se verifica com a semelhança dos números e o bom posicionamento individual na classificação geral é que são municípios que, na média per capita dos indicadores, usufruem dos benefícios históricos da industrialização mas já sofrem os efeitos do esgarçamento social. Já nos casos de Diadema e Mauá, de industrialização tardia em relação aos outros três, os problemas sociais chegaram em ordem cronológica inversa, isto é, antes da arremetida econômica que teima em patinar nos últimos anos.
O drama do Grande ABC na atualização dos dados recentes do IDEE é saber como vai estar dentro de uma década, por exemplo. A continuar no ritmo dos últimos 10 anos, para baixo, sem dúvida.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL