Sociedade

Em que tipo de cidadão,
afinal, você se enquadra?

DANIEL LIMA - 29/05/2001

Que tipo de cidadão é você, quando se trata de assuntos econômicos da região cujas repercussões sociais são evidentes? Quem acredita que a onda de criminalidade, de desemprego e de exclusão social que nos abate não está relacionada ao empobrecimento econômico da região, por motivos que estamos cansados de escrever? Pois bem. Então, proponho que, através de uma autocrítica franca, sincera, você tente se encaixar numa das alternativas que se seguem.


Em qual você acha que se encaixa com mais precisão? Como se trata de espécie de pesquisa reservada, não quero saber publicamente qual sua posição sincera a respeito. Me basta um exame de consciência. Franco. Sem auto-enganação. Vamos então ao teste. Se achar que uma alternativa só é pouco, escolha mais. Mas não tenha medo de seus fantasmas de cidadão de primeira, segunda ou terceira classe.


a) Não sei de nada, não quero saber de nada e tenho raiva de quem sabe;


b) Não sei de nada, não quero saber de nada e tenho simpatia por quem não sabe e diz que sabe;


c) Não sei de nada, não quero saber de nada e tenho simpatia por quem sabe que sabe e sabe mesmo;


d) Não sei de nada, quero saber alguma coisa, mas tenho dificuldades para encontrar respostas;


e) Não sei de nada, quero saber muita coisa, mas as fontes de informações não me dão garantia de nada;


f) Sei de alguma coisa, quero saber de mais coisas, mas temo ser enganado por quem diz que sabe e na verdade não sabe nada;


g) Sei de muita coisa, quero saber de mais coisas, mas não me exponho para não parecer chato;


h) Sei de muita coisa, quero saber de mais coisas, mas me mantenho calado porque tenho interesses profissionais e pessoais em jogo que não podem ser contrariados;


i) Sei de muita coisa, estou preocupado com o que sei e acho melhor não saber mais nada porque estamos no fundo do poço;


j) Sei de muita coisa, conheço quem sabe muito, mas prefiro não me aliar porque vão dizer que também sou pessimista;


k) Sei de alguma coisa, quero saber de mais coisas, mas juro por todos os santos que não vou meter minha colher nesse negócio porque posso perder algumas mordomias;


l) Sei de alguma coisa, quero saber de mais coisas, mas isso é coisa minha porque pretendo usar para proveito próprio, nos meus negócios;


m) Sei de alguma coisa, quero saber de mais coisas, mas isso é coisa minha porque pretendo usar para proveito político próprio;


n) Sei de muita coisa, tenho números disponíveis que dão razão a quem não tem o rabo preso com ninguém, mas não vou sair da moita porque aqui é o meu lugar;


o) Sei de muita coisa, conheço quem não sabe nada e faço disso minha arma para mentir descaradamente. O que interessa mesmo são meus interesses particulares;


p) Sei de muita coisa, mas fico na minha porque tenho patrimônio físico na região que não pode ser desvalorizado com notícias que afastem os investidores;


q) Sei de alguma coisa, conheço quem sabe de alguma coisa, quem sabe de muita coisa e quem não sabe de nada. É melhor eu continuar na minha para que tudo permaneça como está, senão posso ser o próximo alvo de críticas públicas;


r) Sei de alguma coisa, quero saber de muito mais coisas, mas são tão poucos os que sabem e têm coragem para dizer publicamente que acho melhor não me meter nessa briga;


s) Sei de muita coisa que me contam reservadamente, casos terríveis, mas fico na minha. Nem pensar em passar para a imprensa. Se bem que, pensando melhor, tem gente da imprensa que não quer nem saber dessas notícias e que vê o Grande ABC cor de rosa sempre.


t) Acho que sei de muita coisa porque sinto na pele o que anda acontecendo, mas como poucos falam abertamente, tenho a impressão de que estou fora da realidade. Sou um estranho no ninho de prosperidade.


u) Sei de muita coisa, conheço gente que sabe de muita coisa, mas não me conformo com tanta covardia. Daqui a pouco vou desistir de bater forte, porque vão acabar me enfiando numa camisa-de-força. Não foi sempre assim com os vanguardistas?


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