O ideal seria que este jornalista e outros profissionais de comunicação não precisassem deslocar-se suplementarmente das funções mais prospectivas que exercem como agentes sociais de comunicação. Entretanto, como o Grande ABC não detém o necessário capital social, resolvemos sair a campo com uma idéia na cabeça e muito pragmatismo nas decisões.
A criação do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) é uma realidade que independe de novas configurações. Entretanto, para que possa, quem sabe, se traduzir em empreendimento social que dispense seu idealizador e demais jornalistas envolvidos, o encontro das 17h de hoje no Hotel Plaza Mayor, em Santo André, reveste-se de importância especial.
Ao deixar o terreno das conjecturas e partir para a factualidade do Instituto de Estudos Metropolitanos, este jornalista e seus companheiros de trabalho na revista LivreMercado quiseram, de fato, dar uma lição de desprendimento à comunidade regional. O que queremos dizer é que estamos cansados de esperar que as competências individuais que temos de sobra se transformem em competências coletivas.
Nós na fita
E já que ninguém se predispôs à empreitada, principalmente depois da destruição institucional resultante de manipulações e improdutividades que marcaram o Fórum da Cidadania, estamos nós na fita. Mesmo a contragosto dos fragmentadores de sempre, frustrados com seus objetos de adoração e incapazes de apresentar qualquer novidade institucional ao distinto público.
Têm razão aqueles que dizem que a atividade jornalística reúne obrigações demais para seus representantes se meterem como agentes executivos de mudanças. Exatamente por considerar essa interpretação tão verdadeira quanto brilhante, resolvemos botar precariamente a mão na massa de condução do Instituto de Estudos Metropolitanos. Entretanto, nossa interinidade dependerá exclusivamente dos agentes regionais emergentes, já que os tradicionais, especialmente dos setores sindical e econômico, são um fracasso nessa especialidade.
Nada nos impediria -- muito pelo contrário -- de construir nosso próprio instituto de estudos, criando um departamento em nossa estrutura corporativa, como, aliás, fazem algumas das empresas de comunicação mais respeitadas no mundo. Até pensamos nisso e antecipamos essa possibilidade antes de partir para um desafio maior às lideranças regionais. Essa conjectura, portanto, desenha o Instituto de Estudos Metropolitanos como um presente de responsabilidade regional que esperamos seja desembrulhado pela comunidade.
Assumam seus deveres
Nesse ponto, nosso recado é curto e grosso: ou vocês assumem seus deveres de cidadãos inquietos e inconformados com a degradação da qualidade de vida das regiões metropolitanas, especialmente da Grande São Paulo, ou nós, sem cerimônia, reformularemos o projeto em bases inicialmente propostas, ou seja, o Instituto de Estudos Metropolitanos será implementado como departamento corporativo e a partir daí, como, aliás, temos feito ao longo dos anos, desfilaremos séries de estudos e prospecções jornalísticas.
Com a franqueza de sempre, não temos receio de afirmar que o encontro deste final de tarde no Hotel Plaza Mayor pode demarcar de vez a capacidade de a comunidade regional reiniciar a trajetória de participação responsável em assuntos de seu próprio interesse.
A idéia de quantidade a todo custo que estraçalhou os desígnos do Fórum da Cidadania e da Câmara Regional não nos seduz. Não podemos abrir mão da qualidade dos colaboradores envolvidos e, principalmente, da objetividade que o gigantismo contrapõe. E também sem falsidades político-eleitorais, porque o IEME não é espaço para agremiações políticas, embora não faça qualquer restrição a agentes partidários dispostos a cerrarem fileiras em torno do nosso dogma. E nosso dogma é metropolização.
Ninguém mais que este jornalista torce para que o Grande ABC seja capaz de operar com brilhantismo essa entidade cerebral cujas sementes factuais decidimos lançar 10 anos depois de idealizá-la. Esperamos tanto, tanto pela iniciativa da própria sociedade, que tivemos de, nós mesmos, botar a mão na massa. Antes disso, como todos sabem ou deveriam saber, nos jogamos de corpo e alma nas entranhas do Fórum da Cidadania, cujos pressupostos eram outros, mas igualmente interessantes.
Poderosos de plantão
Escrevemos várias vezes que o Fórum da Cidadania subvertia a ordem de isolamento regional e se apresentava como a maior revolução social da história do Grande ABC. Quão tolos fomos, porque várias de suas lideranças, acobertadas por poderosos de plantão, não perseguiam outro objetivo senão fomentar novas candidaturas eleitorais que, o tempo tratou de depurar, não passavam de exemplares com os mesmos vícios dos políticos tradicionais, acrescidos da desvantagem de um noviciado atropelador da ética.
O Instituto de Estudos Metropolitanos, que conta com a imprescindível parceria de um profissional respeitadíssimo como o pesquisador Marcos Pazzini, diretor da Target Marketing e Pesquisas, é, repito, um presente que estamos oferecendo a educadores, políticos, executivos públicos, agentes culturais, empreendedores, profissionais liberais e tantos outros protagonistas da vida econômica e social do Grande ABC.
Compete-lhes, a partir da reunião de hoje, traçar uma linha de planejamento estratégico que tenha como pressuposto dispensar a presença deste jornalista e dos demais profissionais de comunicação como agentes ativos das mudanças pretendidas. Estamos mais que preparados, estamos prontíssimos para voltar às funções jornalísticas a partir de um determinado momento em que sentirmos que o IEME é uma propriedade coletiva do bom senso, de independência e de comprometimento regional.
Trabalho jornalístico
Entretanto, não tenham dúvidas todos os interessados que jamais abdicaremos do tratamento jornalístico às questões relevantes que o IEME eventualmente acoplar ao legado de indicadores municipais que já expôs de forma inédita no mercado de informação qualificada.
Sabemos reconhecer que eventuais colaboradores do Instituto de Estudos Metropolitanos já se sentiram incomodados com os primeiros trabalhos que apontam para um perdularismo explícito de algumas administrações públicas -- inclusive do Grande ABC -- na gestão de recursos financeiros consumidos com o funcionalismo, além da carga tributária própria excessiva. O desconforto, aliás, foi antecipado como eventual ônus que se pagaria pela participação voluntária.
A idéia de que o IEME seria moldado para embalar a vida e o ego dos administradores públicos para proveito próprio, atribuição estúpida de um detrator à solta, é um equívoco evidente. Afinal, qualquer aprendiz em administração pública sabe o desenlace que espera boa parte da avaliação dos detentores de poder público quando critérios de eficiência são estabelecidos.
De outra forma, também, o IEME não emerge inicialmente das profundezas de numerologias até então desconhecidas e não se sustentará também por força de variadas contribuições tendo como ênfase tornar o poder público alvo de barraca de parque de diversões.
Portanto, o IEME não pode ter vocação ao antagonismo deliberado contra os poderes públicos como foi a característica inicial do Fórum da Cidadania nem, na sequência, cair nos braços dos mesmos administradores públicos que em princípio pretendia execrar.
Uma guinada desse porte repetiria o salto de oportunismo de traficar dificuldades para obter facilidades. Desdizer o passado por amadurecimento é uma virtude, mas quando a decisão se prende única e exclusivamente a interesses particulares, não passa de safadeza.
Como se observa, as lições do passado são de grande valia para dinamitar as armadilhas que se antepõem à construção de uma nova identidade institucional no Grande ABC. Está nas mãos da sociedade a missão de fortalecer um referencial de informação e estudos qualificados, do qual pretendemos nos retirar diante do prazer de uma obra coletivizada ou, em processo inverso, retomá-lo como departamento corporativo se essa mesma sociedade mostrar-se incompetente ou desinteressada em fazer acontecer.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL