Seria muito produtivo se, na esteira do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), que será lançado oficialmente em 25 de junho próximo, as entidades de classe empresarial do Grande ABC saíssem da toca em que sempre se meteram e decidissem, em conjunto, organizar-se para dar adensamento ao capital social tão sonhado.
Sim, porque se vamos ter uma entidade cerebral, como é o caso do IEME, nada mais interessante que as entidades empresariais -- Associações Comerciais, Ciesps, sindicatos diversos como o SinComércio e o Sehal, entre outros -- também se mobilizem para dar formato a alguma coisa sensata do ponto de vista institucional, já que em pleno século XXI continuam se comportando como a partir de meados da década passada, quando foram criadas. Isto é: absolutamente voltadas a seus próprios umbigos corporativos municipais. A importância que tiveram no passado é proporcional à inutilidade de uns tempos para cá, quando o mundo passou a ser os limites territoriais.
Independentemente do número de profissionais das mais distantes áreas que atuarem no IEME, acreditem que essa entidade cerebral veio para revolucionar o conceito de protagonizar as deliberações de cunho empresarial e governamental.
Como estou cansado de repetir, não terão os membros do IEME nenhuma vocação operacional. A instituição deixará demonstrado desde a plataforma de embarque no próximo dia 25 de junho que veio para explicar. Se possível, nos mínimos detalhes.
É claro que estou instigando as entidades de classe econômica a se juntarem estrategicamente para provocar reação dessa turma que há muito está em dívida com seus associados, em particular, e com a sociedade como um todo.
Ao praticamente se limitarem a burocraticamente dar conta do recado e, com isso, arrecadar recursos que garantem receitas generosas, as entidades empresariais perderam o rumo dos acontecimentos.
Seus dirigentes do passado e do presente pensam que influenciam nas decisões. Exceto em questões pontuais, muitas das quais recheadas de interesses corporativos e mesmo pessoais, as entidades econômicas longe estão de cumprir o papel de transformadoras da sociedade regional.
Querem um exemplo claro e cristalino da falência institucional dessas entidades?
Onde estavam seus dirigentes diante do maior massacre econômico que o Grande ABC já sofreu, durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso?
Mais um exemplo: A CTBC foi privatizada e nenhuma das entidades foi capaz de mobilização para que a representatividade regional se fizesse presente, mesmo como ouvidoria, nas decisões de uma companhia que tem influência importante no desenvolvimento regional.
Outro exemplo? Quem das associações comerciais, Ciesps, sindicatos, se manifestou contra falcatruas estatísticas que embalavam o sonho-pesadelo de um Grande ABC maravilhoso em pleno vendaval da desindustrialização?
Mais um? Quando as grandes corporações comerciais e de serviços desembarcaram sem limites de atuação e massacraram os pequenos negócios, onde estavam as supostas lideranças empresariais?
Muitas outras indagações poderiam ser feitas e para todas haveria duas respostas automáticas: essas lideranças sofismaram o tempo todo com o apoio tácito de uma mídia regional pouco versada à crítica; a outra resposta é que nossa equipe de jornalistas sempre esteve atenta a essas e tantas outras perguntas analisando os fatos.
A verdade é essa mesmo: nossas entidades econômicas, sob o ponto de vista institucional, de influenciar as tomadas de decisão, são sofríveis. E quando resolvem agir, na maioria dos casos o fazem partidariamente, sob o fluxo de interesses nem sempre confessáveis. E, também em muitos casos, seus dirigentes estão mesmo preocupados com suas próprias biografias, além, evidentemente, de benesses lobistas.
Pois agora que o IEME está chegando para proporcionar ao Grande ABC antiga proposta deste jornalista -- uma entidade capaz de pensar nosso futuro a partir de dados estatísticos, de estudos, de propostas, de sugestões absolutamente desvinculados de óticas enviesadas -- não seria a oportunidade de os dirigentes das entidades econômicas deixar a vaidade individual de lado, dar um peteleco no Complexo de Gata Borralheira de cada uma para si e a região que se dane, oferecendo-se como saudável alternativa de implementar as proposições que o IEME oferecerá?
Está na hora de essas supostas lideranças justificarem a reverência que as autoridades públicas ainda lhes prestam, porque desconhecem, na maioria dos casos, que a representatividade que detêm esfarela-se na exata dimensão da falta de sensibilidade de seus dirigentes em atentarem para o fato de que a biruta do corporativismo introspectivo virou há muito tempo.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL