Regionalidade

Potencial de Consumo é base do
Índice CapitalSocial econômico

DANIEL LIMA - 19/08/2016

O Índice de Potencial de Consumo, especialidade da IPC Marketing com atuação em todo o território nacional, vai ancorar o Índice CapitalSocial de Desenvolvimento Econômico, um dos macroindicadores que esta revista digital está organizando para medir a competitividade do G-22, integrado pelos sete municípios da Província do Grande ABC e os 15 maiores municípios do Estado de São Paulo, exceto a Capital.

A decisão de tornar o Índice de Potencial de Consumo plataforma dos estudos que já começam a ser realizados parte do princípio de que o medidor é muito mais apropriado que o PIB (Produto Interno Bruto) como ferramental estruturante a diagnósticos e analises.

A diferença entre potencial de consumo e PIB é que o primeiro internaliza em cada Município brasileiro a riqueza de cada morador, enquanto o segundo apresenta fissuras de dispersão de geração de riqueza a outros endereços.

No PIB, tudo o que é produzido por uma determinada empresa não necessariamente é desfrutado pelos trabalhadores em forma de salários e conquistas sociais, porque o resultado depende do domicílio de cada colaborador. Já o potencial de consumo acumula os resultados econômicos e financeiros dos moradores de um determinado Município, independentemente do endereço em que atuam profissionalmente.

Mais apropriado

Há muita contestação de especialistas internacionais sobre o uso consagrado do PIB como indexador de riqueza no sentido mais amplo da expressão. Por isso CapitalSocial decidiu adotar o potencial de consumo como insumo prevalecente do indicador de desenvolvimento econômico.  São inúmeros os casos de municípios que contam com PIB elevadíssimo em função de uma determinada matriz econômica – caso de hidrelétricas, petroquímicas, químicas, por exemplo – que não se reproduz em forma de riqueza local na mesma proporção. São municípios que dominam em PIB per capita, mas desaparecem também em potencial de consumo per capita.

Num encontro de estudos preliminar em que realizamos esta semana na sede da IPC Marketing, na Capital, com o especialista em potencial de consumo Marcos Pazzini e com o professor de empreendedorismo da Universidade Mackenzie, Miguel Isoni Filho, chegamos à conclusão de que serão adotados conceitos que assegurem a legitimidade técnica e estatística do potencial de consumo como medida padrão dos estudos de desenvolvimento econômico.

O Índice CapitalSocial de Desenvolvimento Econômico levará em conta série de indicadores que estão sendo escolhidos. Outras três modalidades estatísticas vão constar do Índice CapitalSocial Geral, nas áreas social, criminal e de Administração Pública. Ainda não foram definidos os pesos ponderados de cada um dos quatro macroindicadores que comporão o Índice Geral, mas é certo que a área econômica prevalecerá pela razão universalmente reconhecida de que o caminho da prosperidade está no desenvolvimento econômico. Não há sociedade que resista ao esfarelamento de matrizes produtivas, principalmente da indústria em suas diferentes manifestações tecnológicas.

São Caetano na frente

Foi assim também quando da criação e manutenção do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), lançado em 2003 pela revista LivreMercado, da qual este jornalista era diretor de Redação. Foram três edições – todas com participação efetiva de Marcos Pazzini, então dirigente da Target Consultoria.

O Ranking Geral do IEME foi liderado nas três temporadas por São Caetano. Dezenas de municípios foram selecionados no Estado de São Paulo, sempre pelo critério de poderio econômico. Desta feita, o Índice CapitalSocial reunirá apenas os integrantes do G-22. O enxugamento não alterará em nada as premissas do projeto, que é analisar a fundo o comportamento dos grandes municípios paulistas e, principalmente, situar os sete endereços da Província do Grande ABC num contexto mais abrangente de competitividade.  Aliás, foi esse o propósito que nos levou a criar o IEME.

A opção pelo potencial de consumo como indexador também reserva metodologia de avaliação dos municípios que será divulgada no momento adequado. A criação de rankings de vários indicadores econômicos cujos números são oficiais terá como princípio o valor per capita confrontado também com o valor per capita de potencial de consumo. A medida permitirá atingir com maior precisão a capacidade de gerenciamento de recursos públicos – algo que o PIB não oferece.

Valores per capita

Para se chegar a essa conclusão se levou em conta que a divisão pura de um montante de determinado imposto municipal pela população, alcançando-se o valor per capita, não dá a exata dimensão do tamanho adequado do resultado. Quando se confronta o valor médio por habitante pelo valor médio de potencial de consumo também por habitante, tem-se resultado com maior probabilidade de encaixe gerencial.

Um exemplo prático: um determinado Município que tenha arrecadação per capita de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) maior que outro determinado Município não significaria necessariamente que o histórico de arrecadação seja o mais adequado ou mais abusivo. A situação será bem diferente quando se confrontarem os números per capita da arrecadação do IPTU com os números per capita do potencial de consumo. É possível que se detectem vários casos em que determinados municípios de menor poderio econômico-financeiro arrecadem mais por habitante que municípios de maiores recursos dos moradores.



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