Promessa feita, promessa cumprida. Vou elencar nesta sucinta e objetiva análise s 10 pontos nucleares selecionados para projetar drástica mudança na história de mediocridade operacional e institucional do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, organização que já completou um quarto de século. O Clube dos Prefeitos é um dos grandes irmãos da integração regional. E como todos os demais, com nuances mais ou menos desanimadoras, está longe de cumprir o papel que lhe estaria reservado. Daí termos virado uma Província foi compulsório.
Por isso não tive dúvidas em atribuir recentemente à entidade nota zero, numa escala de zero a 10, quando analisados os quatro últimos anos, coincidentes com os mandatos dos atuais prefeitos. Uma nota geral nada diferente de safras anteriores de prefeitos. O estoque de desperdícios é obra planejada pela imperícia de enxergar o todo regional. Sem decifrar o bicho de sete cabeças não há regionalidade que resista. Até porque regionalidade é uma figura de imagem na Província do Grande ABC.
Na realidade, somente sob a batuta de Celso Daniel, inspirador e criador do Clube do Prefeito e da Agência de Desenvolvimento Regional --- o primo pobre da pobre estrutura instâncias publicas e privadas da região --- houve algum grau de vitalidade dos mandatários da região. E mesmo assim por breve período. Celso Daniel deu-se conta de era o bobo da corte ao dançar praticamente sozinho durante algum tempo. Foi então que tirou o pé do acelerador regionalista e voltou a cuidar do Paço Municipal de Santo André.
As 10 medidas centrais que colocariam o Clube dos Prefeitos estratégica e taticamente no rumo da produtividade são elencados em seguida. Na sequência, faremos de um resumo resumido do significado de cada enunciado-chave.
Planejamento Estratégico.
Mobilidade Urbana.
Desenvolvimento Econômico.
Combate à Corrupção.
Monitoramento Estatístico.
Relações Trabalhistas.
Conselho Consultivo.
Relações Institucionais.
Transparência Administrativa.
Comitê de Monitoramento.
Apresentados os quesitos que devem dar sustentação permanente à gestão do Clube dos Prefeitos, vamos em seguida para uma breve explicação.
Planejamento Estratégico
Sem esse ferramental catalizador de insumos táticos é melhor nem começar a imaginar um Clube dos Prefeitos diferente da mesmice improdutiva que está aí. No caso, o Planejamento Estratégico condicionaria obrigatoriamente o viés de desenvolvimento econômico. E nada melhor, nesse sentido, que uma parceria com uma consultoria especializada em competitividade internacional. Há organizações com esse perfil no mercado nacional. A variável de contar com instituição pública não parece a mais adequada. Precisamos imprimir dinamismo econômico na região. Algo aquém do alcance de organizações estatais recheadíssimas de academicismos que identificam o capital como algo a ser evitado.
Mobilidade Urbana
Há um nó a infernizar a qualidade de vida e a capacidade produtiva da Província do Grande ABC incrustrada na Região Metropolitana de São Paulo. Por isso somente a concentração de especialistas com amplo conhecimento da vida nesse macroespaço de mais de 20 milhões de pessoas minimizaria os estragos que vem de um passado de completo descaso ou incompetência no gerenciamento do tecido urbano. Há soluções municipais desgarradas de regionais e de metropolitanas que podem auxiliar na redução do impacto de incompatibilidades, mas a solução está mesmo na busca de alternativas regionais que se somariam ao estreitamento de relações com a Prefeitura da Capital. Não vai ser com campanhas de orientação sobre o trânsito que resolveremos o nó logístico. E tampouco com obras desgarradas de incursões cuidadosamente estudadas, como prova o trecho sul do Rodoanel que, de fato, está longe de assegurar soluções.
Desenvolvimento Econômico
O Planejamento Estratégico a cargo de uma consultoria especializada deverá ser rigorosamente direcionado à competitividade econômica da região. Não adianta tentar abraçar outras atividades -- como tem tentado o Clube dos Prefeitos -- porque a tarefa será sempre incompleta. Estudos sobre competitividade regional da Província do Grande ABC não podem ter limites territoriais internos. Outras áreas de atividades públicas, como saúde, educação, habitação, saneamento básico, entre tantas, podem ser geridas em seus respectivos redutos municipalistas, com inevitáveis imbricações regionais cujo tratamento não deve incidir diretamente no enredo prioritariamente desenvolvimentista do Clube dos Prefeitos. O samba-enredo da regionalidade é o desenvolvimento econômico. As alegorias temáticas devem estar em sintonia com essa premissa. As autoridades públicas ainda não se deram conta disso.
Combate à Corrupção
Uma das primeiras medidas da nova composição do Clube dos Prefeitos deveria direcionar-se a um pacto de honra coletivo à criação de Controladoria-Geral em cada um dos sete municípios, com extensão avaliativa, depurativa e aperfeiçoadora no âmbito da entidade. O Brasil vive momentos de mudanças na relação entre o Poder Público e contribuintes. Não é mais possível ignorar um novo modelo. Controladorias à imagem do que foi implantado pela Administração de Fernando Haddad, na Capital, dariam sacudidela importante. Abaixo as ouvidorias que não passam de fajutices de transparência manipulada.
Monitoramento Estatístico
A estrutura a ser criada e mantida pelo Clube dos Prefeitos na área de Monitoramento Estatístico daria prioridade a dados econômicos cruzados com dados sociais. Não há nada no Poder Público Municipal da região, quer individual, quer coletivamente, que possa ser chamado de banco de dados atualizado e prospectivo sobre o andar da carruagem da região. Se os atuais prefeitos contam com alguma assessoria nesse sentido, tudo não passaria dos próprios limites do cargo municipal. Sem investigação permanente da posição dos municípios e da própria região ante outros territórios paulistas, teremos a continuidade de evasão de riqueza sem que o montante dos estragos chame a atenção dos administradores públicos.
Relações Trabalhistas
Quem imaginar que o desenvolvimento econômico da região dispensa a aproximação entre capital e trabalho de forma permanente desconhece o tamanho da encrenca que vivemos. Enquanto os sindicados dos trabalhadores atuarem com olhos no retrovisor a atração de investimentos produtivos será apenas uma miragem que agravará a mobilidade social. O desfilar constante de logomarca rumo principalmente ao Interior do Estado ou mesmo ao outro lado da Região Metropolitana de São Paulo parece romaria sem fim. Se a Província do Grande ABC não encarar a realidade de que envelheceu e perdeu o tônus produtivo e, pior que isso, carrega um peso enorme e desproporcional no campo de remuneração e conquistas sociais, a derrapagem seguirá destruidora. Mexer nesse vespeiro não é questão de coragem – é instinto de sobrevivência.
Conselho Consultivo
O Clube dos Prefeitos requer espécie de Conselhão, integrado por especialistas que atuam na região e cuja predominância seja o campo econômico. Afinal, as medidas que balizarão a nova caminhada do organismo não poderão se distanciar da competitividade no mundo dos negócios. A composição desse braço auxiliar deverá seguir o desenho conceitual da atuação do Clube dos Prefeitos, conforme definição da consultoria especializada em competitividade internacional. Conselho Consultivo não deve ser apêndice marqueteiro do Clube dos Prefeitos, como o Conselhão do governo federal.
Relações Institucionais
Também esse é um campo para especialistas. Não se deve dar asa a políticos de carreira ou pretendentes a carreira potencialmente divisionistas para tratar de questões vinculadas ao Planejamento Estratégico. O ideal mesmo é que também dê conta desse recado uma organização privada com histórico de sensibilização de empresas com interesse ou potencial de novos investimentos. E que também possa entranhar-se nos corredores dos poderes públicos sempre com os olhos postos no que de fato interessa ao desenvolvimento econômico regional. A velha e surrada fórmula de nomear asseclas sem experiência e conhecimento no campo econômico para buscar reforços de capital em Brasília carrega um peso sobressalente de desperdícios e dispersão que custam muito caro porque o futuro aparece como uma peça de ficção.
Transparência Administrativa
Os prefeitos da região devem esquadrinhar um calendário anual para se apresentarem à sociedade em forma de prestação de contas, quer individualmente, quer no conjunto. As obscuridades que mantêm os prefeitos longe dos contribuintes inocula na sociedade desânimo em relação a classe politica. Algo de novo precisa ser introduzido.
Comitê de Monitoramento
O desgarramento do Clube dos Prefeitos das missões que passariam a exercitar com base nos pressupostos do Planejamento Estratégico seria um atestado de desperdício que tem no presente e no passado legados desanimadores. O Comitê de Monitoramento pode contar com a junção de profissionais das duas consultorias especializadas que tratariam do Planejamento Estratégico e das Relações Institucionais. Não haveria melhor saída para dar racionalidade ao processo equacionador de eventuais distorções e incorreções e, igualmente, impedir que aventureirismos ditem as regras de uma organização que não pode abrir mão do futuro.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL