Para tentar escapar da contundente conclusão que o coloca como o pior prefeito dos prefeitos da história regional, Orlando Morando receberá de graça, deste jornalista, mais uma sugestão para salvar pele nessa reta de chegada do segundo mandato.
Quando escrevo que Morando é prefeito dos prefeitos não significa que supostamente seria o mandachuva dos prefeitos da região. Nada disso. É a embalagem que ofereço a quem dirige o Clube dos Prefeitos, nada mais que isso.
Prefeito dos prefeitos que tenha honrado o cargo com louvor só conheço um, desde que a instituição foi criada, em dezembro de 1990: o saudoso Celso Daniel, a léguas de vantagem sobre qualquer outro. Pelo menos até tirar o pé do acelerador ao perceber que atuava como bobo de uma corte de insensíveis.
Mas vamos ao que mais interessa agora. Afinal, o que estaria sugerindo ao prefeito de São Bernardo que fez da Agência de Desenvolvimento Econômico, praticamente desativada, e do Cube dos Prefeitos, sob seu jugo, não mais que um ancoradouro de ações políticas e partidárias?
Multiplicação da USCS
Simples, muito simples: pegue o exemplo inédito da USCS (Universidade de São Caetano), que criou uma instância para construir banco de dados e de análises de diversas questões da região e aja no sentido de não só incorporar os profissionais a uma proposta de construção investigativa no âmbito do Clube dos Prefeitos, como também chamar outras universidades para ampliar espectros de descobertas.
Vou tentar ser mais didático. Já imaginaram que, por obra de uma atuação de quem se inquieta com o futuro da região, as principais universidades locais, historicamente afastadas de qualquer preceito de regionalidade sistêmica, passassem a formar uma rede de apoio ao Clube dos Prefeitos?
Todas as partes contabilizariam lucro. A região passaria a contar com informações estratégicas que em muito contribuíram a uma reação coordenada, planejada e certeira na busca por soluções intercomplementares.
Duvido que convidadas pelo Clube dos Prefeitos, com o peso do cargo de todos os prefeitos, as principais universidades da região não se engajassem no projeto de qualificação de estudos sobre o que a entidade representa em tese: uma regionalidade que não deixe espaço ao improviso.
Não vou me alongar sobre essa sugestão. Mas há um campo imenso no sentido de que, atuando em conjunto e sob a égide de um planejamento estratégico, a região passaria a ter um arsenal imenso que dinamitassem a ignorância generalizada dos tomadores de decisões e também dos formadores de opinião.
Há tantas situações a serem desvendadas na região, mas que, por força de uma orfandade do coletivismo das instituições públicas e privadas, só restam especulações quando não omissões.
O abismo de relacionamentos entre Mercado, Governo e Sociedade, tripé que, azeitado, representa a clássica expressão “capital social”, só interessa aos meliantes sociais que pretendem gozar delícias da desorganização, quando não da omissão generalizada da sociedade, para nadarem de braçadas em atividades que uma Lava Jato teria muito trabalho em desbaratar.
Mudança de trajetória
As universidades locais jamais se sensibilizaram com estudos integrados sobre nossa regionalidade, mas é possível mudar essa trajetória. Está aí a Universidade de São Caetano a sugerir que as algemas do desinteresse podem ser liberadas voluntariamente. Duvido que outras instituições do gênero não o façam. Basta que Executivos da região, a partir do Clube dos Prefeitos, assim o façam. Houvesse esse movimento de aproximação e integração, não teria este jornalista outro prazer senão colaborar com sugestões de indicadores a desvendar.
Tenho feito isso ao longo de algumas décadas à frente de publicações. Sempre aplicando o conceito de que não somos uma ilha de sete municípios. Outras regiões, entre tantos experimentos geoeconômicos, são atentamente observadas e confrontadas. Ou alguém tem alguma dúvida de que constatei os efeitos nocivos do trecho sul do Rodoanel na economia regional, contrariamente aos efeitos na Grande Osasco, por obra do Espírito Santo?
Uma rede virtual
A título de esclarecimento: quando sugiro que ações das universidades em sincronia com pressupostos de regionalidade precisam ser definidas com sapiência à exploração empírica de dados econômicos, sociais, fiscais e criminais, entre tantos, quero dizer que os profissionais não precisam de outra ferramenta logística senão de um acordo formal com o Clube dos Prefeitos. As facilidades tecnológicas colocam esse pretenso aparato à disposição da entidade sem que seus representantes devam estar sistematicamente na sede da entidade. A repercussão social (e também no meio universitário tão distante das problemáticas da região) que os resultados proporcionariam teria efeitos milagrosos. Finalmente estaríamos chegando a um estágio de intimidade como o que resumidamente seria rotulado de competitividade intelectual cujos desdobramentos incentivariam múltiplas alternativas de compreensão do que somos.
Algumas das matérias
Reproduzo abaixo alguns dos textos que produzi desde janeiro de 2017 sobre o Clube dos Prefeitos. Muitos outros poderiam ser expostos, mas se tornam desnecessários para configurar a nocividade da gestão de Orlando Morando.
19/07/2018 - Quanto pesa ser um bom prefeito apenas municipal?
13/06/2018 - Agendão está completo; agora é só esperar resultados até 2028
12/06/2018 - Uma agenda que escancara região sem fibra e futuro (3)
11/06/2018 - Uma agenda que escancara região sem fibra e futuro (2)
08/06/2018 - Uma agenda que escancara região sem fibra e futuro (1)
04/06/2018 - Morando é o pior dos prefeitos dos prefeitos. Qual é o custo?
30/05/2018 - Alô, alô, prefeitos: leiam as 57 páginas da revista Exame
09/05/2018 - Montadoras deveriam ajudar na reestruturação regional
08/05/2018 - Chamem as montadoras para amenizar a insolvência regional
20/04/2018 - Crise no Clube dos Prefeitos é uma tragédia anunciada aqui
09/03/2018 - Provincianismo do Clube dos Prefeitos supera todos os limites
01/03/2018 - Metropolização agora sugerida foi manchete há década e meia
20/02/2018 - Clube dos Prefeitos sofre novo golpe com partidarismo tucano
06/02/2018 - Quantos Pablo Escobar temos de tirar do caminho regional?
12/12/2017 - Celso Daniel queria estabilidade gerencial no Clube dos Prefeitos
05/12/2017 - Clube dos Prefeitos é mesmo o cemitério da regionalidade
10/11/2017 - Clube dos Prefeitos faz marola e os resultados não aparecem
26/10/2017 - Clube dos Prefeitos: Morando caminha para receber nota zero
02/08/2017 - Clube dos Prefeitos vai atacar guerra fiscal interna. E daí?
07/07/2017 - Eis a Província dos Sete Anões. Quando mudaremos esse jogo?
06/07/2017 - Sai Província do Grande ABC; entra Província dos Sete Anões
05/07/2017 - Passado prova: tática do Clube dos Prefeitos fracassará de novo
03/07/2017 - Quando regionalidade vira motivo de constrangimento
29/06/2017 - Prefeitos querem que Brasília melhore Província paradisíaca
28/06/2017 - Política, não Economia, é o que interessa ao Clube dos Prefeitos
24/03/2017 - Clube dos Prefeitos perde Diadema. É só o começo?
09/02/2017 - Morando troca planejamento por marketing. Vai se dar mal
08/02/2017 - Morando entre “Noviça” e “Nazistas”. O que dará?
06/02/2017 - Orlando Trump abre caminho legal para desmontar Agência
20/01/2017 - Um desastre os nossos 15 anos sem liderança de Celso Daniel
12/01/2017 - Tucanos completam serviço petista e matam Celso Daniel
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