A formação da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC é uma das decisões que serão anunciadas pela Câmara do Grande ABC no próximo dia 20 no Teatro Clara Nunes, em Diadema, em assembléia do Conselho Deliberativo que tem a participação do governador do Estado, Mário Covas, de sete secretários estaduais, dos sete prefeitos da região, sete presidentes de Câmaras Municipais, deputados estaduais e federais, representantes do Fórum da Cidadania, além de empresários e sindicalistas. A expectativa é de que nesta data será finalmente assinada a Carta do Grande ABC, um conjunto de prioridades sócio-econômicas da região que começou a ser delineado em março do ano passado, quando o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Emerson Kapaz, participou de encontro com lideranças do Fórum da Cidadania, em Santo André.
A Agência de Desenvolvimento Econômico é o principal instrumento que a Câmara do Grande ABC contará para transformar em fatos a abstração da série de propostas de recuperação regional. Com a coordenação de Celso Daniel, prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal, formado pelos sete chefes de Executivos locais, o grande desafio inicial da Agência é estruturar-se técnica e materialmente. Celso Daniel e seu grupo de trabalho propõem o partilhamento dos custos da organização. Metade das despesas seria de responsabilidade dos Municípios e outra metade correria por conta do governo do Estado e representações sindicais, econômicas e sociais da região.
Subdividir os custos de uma estrutura que deverá consumir, segundo cálculos de Celso Daniel, perto de R$ 30 mil mensais é o grande desafio. As Prefeituras não teriam dificuldades de se cotizar. A participação do Estado, porém, é complicada. O secretário Emerson Kapaz não diz isso com todas as letras, mas insinua que dinheiro do governo paulista não será contabilizado. Ele argumenta que o Estado não contribuiu financeiramente com outras cinco agências de desenvolvimento que estão sendo criadas no Interior. A explicação não foi dada pelo secretário, mas é simples: qualquer despesa nesse sentido teria de passar pela aprovação da Assembléia Legislativa, algo sempre complicado em termos de negociações.
A Câmara do Grande ABC significa a metropolização de fato da região, no sentido de planejamento e provável execução de propostas de integração, contribuindo para consolidar a lógica de interdependência que os administradores públicos que tomaram posse em janeiro resolveram levar a sério. Entretanto, por não se constituir em metropolização de direito, como a conquistada pela Baixada Santista no ano passado, a reserva de recursos do governo do Estado torna-se improvável.
A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC terá organograma que contemplará secretaria executiva e coordenadorias de marketing, de fomento e apoio às empresas e de informações regionais. A secretaria executiva coordenará as ações da Agência e encaminhará as questões relativas ao Plano Estratégico Regional, cujo bloco de propostas consideradas consensuais deverá ser aprovado neste dia 20 em Diadema.
A coordenação de marketing, segundo o projeto, vai elaborar e gerir o Plano de Marketing Regional a partir de dados obtidos em pesquisa de imagem da região e da imagem a ser perseguida. Além disso, vai organizar a promoção da região em feiras e eventos de negócios. A coordenação de fomento e apoio às empresas pretende aumentar a competitividade do setor privado, com trabalhos voltados à pesquisa e desenvolvimento. Também vai articular a captação de recursos junto às diversas agências de fomento e financiamento, tendo como objetivo o Fundo de Desenvolvimento Regional.
Já a coordenação de informações regionais vai estabelecer parâmetros de constituição, manutenção e divulgação do Banco de Dados Regional, alimentado por Municípios e entidades representativas de diversos setores.
A importância estratégica torna a Agência de Desenvolvimento a estrela máxima da agenda de propostas consideradas compulsórias de aprovação em Diadema. E é exatamente aí que mora o perigo. Teme-se que a Agência, que se transformaria no grande centro gerador e difusor de informações sócio-econômicas, dilua o interesse pelo Consórcio Intermunicipal e pela Câmara Regional. Tudo porque teria mobilidade típica de quem não sofre de artrite comum do Poder Público, já que funcionaria como Organização Não-Governamental.
Das 31 proposições selecionadas em março último, durante encontro de dois dias na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo, 22 estão relacionadas para aprovação e inserção na Carta do Grande ABC. Grupos de trabalho, a maior parte integrados por representantes do Poder Público, entre os quais secretários municipais de Desenvolvimento Econômico e Finanças, estão em plena atividade. A expectativa é de que a Carta do Grande ABC salte da abstração e se torne âncora de um futuro muito mais construtivo do que o passado dos últimos 40 anos quando, paradoxalmente, o Grande ABC começou a ser elevado à condição de maior potência econômica do País e se esqueceu de preparar-se para manter a posição com equilíbrio social.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL