Se o nível de integração do Grande ABC pudesse ser medido pela maratona de inaugurações e eventos políticos que trouxe o governador Geraldo Alckmin e quase todo o secretariado estadual à região, os indicadores socioeconômicos das sete cidades seriam bem mais tranquilizadores. Mas o que se assistiu durante o Dia do Grande ABC foi outro daqueles filmes com enredo já conhecido às portas de mais um ano eleitoral: prefeitos dispostos a cumprir com maestria o papel principal, enquanto coadjuvantes de todas as espécies buscavam seu minuto de fama sob a sombra dos holofotes que iluminavam os atores do primeiro time.
O filme teve sequência politicamente correta. O governador veio inaugurar obras financiadas com recursos do Estado. Os prefeitos portaram-se como verdadeiros anfitriões e aproveitaram para fazer novas reivindicações. Foram horas em que ficção e realidade estiveram tão próximas a ponto de deixar diferenças ideológico-partidárias para segundo plano. Até mesmo o prefeito de São Caetano, Luiz Tortorello, abertamente criticado pela habitual ausência nos projetos de integração regional, juntou-se à caravana.
Apesar das insistências e das aparências, o governador Geraldo Alckmin negou que estivesse em clima de campanha política. A polidez habitual do chefe do Executivo paulista impediu que o assunto sucessão estadual dominasse a pauta do dia em que o governador chegou ao Grande ABC às 10h e só retornou a São Paulo no início da noite. Mesmo assim, as especulações foram inevitáveis. Maurício Soares não se fez de rogado e disse que, se for convidado para compor a chapa de Alckmin como vice em 2002, vai avaliar a proposta. Celso Daniel e José de Filippi Jr. fizeram elogios e Luiz Tortorello saudou Alckmin como futuro governador e prometeu estar a seu lado na próxima campanha. Luiz Tortorello também marcou presença em outra cena do dia. Seu nome não estava incluído na ata do termo que empossou Geraldo Alckmin como presidente do Conselho Deliberativo da Câmara Regional. O prefeito de São Caetano, que compunha a mesa com o próprio governador e os outros seis prefeitos do Grande ABC, reclamou. O esquecimento foi corrigido a tempo.
Câmara Regional -- A presença dos sete prefeitos da região na oitava reunião ordinária do Conselho Deliberativo da Câmara do Grande ABC sugere que a integração regional vai de vento em popa. É claro que a presença do governador e de quase todo o secretariado estadual justifica a audiência, mas não pode servir de parâmetro. Menos de 10 dias antes, o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos -- precursor da gestão integrada do Grande ABC -- programou ciclo de palestras para comemorar 10 anos de fundação e discutir a metropolização no Brasil. Apesar da relevância do assunto, o evento não conseguiu arregimentar mais que 30 participantes e os prefeitos de Diadema, de São Bernardo e de São Caetano não compareceram. Vereadores, deputados e eventuais candidatos às próximas eleições também estiveram solenemente ausentes.
O governador Geraldo Alckmin compareceu ao Grande ABC para tomar posse como presidente do Conselho Deliberativo da Câmara e fazer as inaugurações do Banco do Povo de São Caetano e da primeira fase do Hospital Estadual de Santo André, ex-Hospital de Clínicas. Também anunciou a construção de 868 unidades habitacionais em São Bernardo e de dois piscinões, um de 140 mil metros cúbicos em Piraporinha e outro nas imediações da Mercedes-Benz. O piscinão da Mercedes é condição essencial para que a montadora traga uma unidade de motores para a planta de São Bernardo, conforme anunciou o assessor de relações governamentais Sérgio Kacas.
Considerado o interlocutor oficial do governo estadual na região, o prefeito Maurício Soares -- recém reintegrado ao ninho tucano -- aproveitou a oportunidade para falar sobre a violência urbana. "A falta de segurança afasta os investimentos da região" -- admitiu o chefe do Executivo, que costuma evitar o espinhoso tema da desindustrialização e do Custo ABC. Geraldo Alckmin também voltou para São Paulo com pacote de novos pedidos debaixo do braço, a maioria referentes à inclusão social e geração de emprego. "Mário Covas sempre foi entusiasta da Câmara Regional e nossa missão é agregar novas parcerias ao longo da jornada" -- despediu-se o governador.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL