Esportes

Santo André e Novorizontino
lideram fuga dos condenados

DANIEL LIMA - 24/01/2020

Santo André e Novorizontino saíram na frente na luta contra o rebaixamento na Série A1 do Campeonato Paulista. Dos sete condenados ao rebaixamento, o time do técnico Paulo Roberto dos Santos e o Novorizontino foram os únicos que conquistaram no meio da semana os três pontos na rodada inaugural do campeonato estadual mais importante do País. O Santo André venceu a Ponte Preta em Campinas por três a dois na noite de ontem. Antes, o Novorizontino superou o Oeste de Barueri por dois a zero atuando como mandante, no Interior.

Formam o pelotão dos condenados ao rebaixamento à Série A2 as sete equipes barradas do baile do calendário nacional, condição indispensável a que tenham planejamento anual e com isso obtenham receitas compatíveis com o que se pode chamar de futebol profissional.

Jogar três meses apenas numa temporada e ficar à mercê da sorte de ultrapassar as etapas classificatórias da inexpressiva Série D do Campeonato Brasileiro é tudo que um regime profissional não comporta. 

Apartheid esportivo

Os sete condenados ao rebaixamento é uma realidade técnica, econômica e emocional que cerca as equipes que, como Santo André, sabem que quando a Série A1 terminar, o que restará será um vazio completo ou quase completo. Sustentar a paixão dos torcedores durante apenas três meses é um desafio e tanto. O futebol brasileiro é um caso estarrecedor de apartheid esportivo.

Por isso tudo o Santo André deve comemorar muito mesmo a vitória diante de um dos integrantes da Série B do Campeonato Brasileiro. Mais que isso: o resultado não foi obra do acaso. O Santo André teve personalidade tática para superar os campineiros. Mesmo quando parecia não ter o controle tático do jogo, ou seja, quando a Ponte Preta apresentava maior volume, o Santo André respondia com inteligência e rapidez nos contragolpes.

Na planilha de pontos a conquistar que elaborei em dezembro do ano passado para projetar resistência dos sete condenados, ganhar fora de casa diante de um time da Série B do Campeonato Brasileiro representava apenas 35% das possibilidades. O Santo André atingiu o potencial máximo.

Quem não pode reclamar da sorte porque ganhar fora de casa contra um dos quatro times grandes do futebol paulista está precificado como zero de probabilidade é o Água Santa de Diadema, derrotado na estreia pelo São Paulo por dois a zero. Não é seguro avaliar as possibilidades futuras de uma equipe de porte pequeno como o Água Santa quando enfrenta um time grande. Por isso é melhor esperar as próximas rodadas. Certo é que o time pareceu robusto para não entrar na zona de rebaixamento. Mas isso é apenas uma impressão.

Ferroviária e Mirassol, outras duas equipes da relação de sete condenados, empataram por um a um em Araraquara num jogo em que o resultado refletiu períodos distintos. No primeiro tempo o Mirassol sobrou em campo ao exercer marcação e intensidade que lembraram atuações do Flamengo de Jorge Jesus, sempre guardando as devidas proporções. No segundo tempo a Ferroviária reagiu mesmo sem ser brilhante.

Terceira Divisão da Série A1

Completando a lista dos mais suscetíveis ao rebaixamento, o Ituano perdeu em casa na quarta-feira a noite de quatro a zero para o Palmeiras e o Internacional de Limeira perdeu pelo mesmo placar em casa para o Guarani de Campinas. O time de Itu é o mais longevo participante da Série A1 do Campeonato Paulista entre os integrantes do agrupamento do sem-calendário nacional.

É claro que o fato de estarem na Terceira Divisão da Série A1 não coloca automaticamente Santo André, Água Santa, Novorizontino, Ferroviária, Mirassol, Ituano e Internacional de Limeira na fornalha da Série A2 da próxima temporada. Há sempre a probabilidade de surpresas -- no caso a passagem para a fase de mata-matas, que reunirá os oito primeiros colocados, obedecendo-se à ordem de seleção dos dois primeiros de cada um dos quatro grupos classificatórios.

Explico o que chamo de Terceira Divisão da Série A1, mais uma vez. Primeira Divisão é integrada pelos grandes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Segunda Divisão são os times médios que disputam a Série B do Brasileiro. Terceira Divisão são os que são potencialmente mais rebaixáveis.

Prioritariamente os times sem-calendário jogam olhando para a parte de baixo da tabela. Mas na medida em que se vão desvencilhando da queda potencial, podem sonhar com um sucesso passageiro, que seria chegar entre os oito para, em seguida, cair na real de que não terão perspectiva economicamente competitiva no restante da temporada.



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