Esportes

Bruno Daniel é do Santo André e
de mais ninguém. Entenderam?

DANIEL LIMA - 16/02/2022

Há um movimento na praça, que chega ou tem origem no Paço Municipal de Santo André, que pretende dar um golpe letal no futebol profissional. Por isso, estamos atentos. E até preparamos um manual de instrução para evitar estragos. Você vai ver lá no fim desta análise que há fundamentação integral no que se segue. Não é torcida organizada. Nem qualquer outra coisa. 

Está no próprio Paço Municipal a vacina para combater a malandragem. O secretário de Assuntos Estratégicos José Police Neto é o antídoto. Ele a equipe que designou para tratar da transferência de gerenciamento do Estádio Municipal precisam desativar essa bomba.  

Espera-se que o prefeito Paulinho Serra se manifeste oficialmente a respeito do que o Paço Inteiro e o entorno do Paço, aquele Paço suplementar que faz pressões para mudar o rumo da história, está cansado de falar: há boi na linha para driblar os interesses do Esporte Clube Santo André.  

Não somente os interesses do Santo André, mas da sociedade que ama o Santo André, embora não necessariamente materialize esse amor no próprio Estádio Bruno Daniel. Assim como nem todos os corintianos e palmeirenses, além de são-paulinos e santistas, preencham os espaços dos respectivos estádios.  

PATRIMONIO CULTURAL  

O maior patrimônio cultural do Município, o Esporte Clube Santo André, com quase 60 anos de fundação, pode perder a oportunidade de virar clube-empresa se o Paço direta ou indiretamente perder o passo e entrar no compasso de especuladores que se pretendem passar por pretensos empreendedores.  

O prefeito Paulinho Serra que tanto gosta de lives, e tem de gostar mesmo porque a comunicação moderna recomenda exposição permanente, mesmo que edulcorada, o prefeito Paulinho Serra tem de vir a público e garantir que não se vai sabotar o Santo André.  

Não vou repetir aqui o que fiz ainda outro dia, ao abrir uma contagem progressiva para respostas do prefeito de Santo André, nascido em Santo André e que faz questão de dizer que é daqui. Eu não sou daqui, mas estou aqui na região há tanto tempo que não me sinto invasor. Paulinho Serra precisa vir a público e esclarecer tudo. E dizer alto e bom som mais ou menos o seguinte: “O Estádio Bruno Daniel é do Santo André tanto quanto o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário são do Paço de Santo André”.  

SALTO IMPORTANTE  

Perder a condição de dar um salto seguro ao regime de clube-empresa é como alguém se precipitar do décimo andar de um edifício e acreditar que será possível sobreviver ao impacto.  

O prefeito Paulinho Serra e seu entorno não podem ser levados no bico por interesses outros que não sejam os legítimos interesses do futebol de Santo André e o futebol de Santo André tem nome, sobrenome, histórias e representatividade social: Esporte Clube Santo André. O resto é resto. 

O Santo André está no décimo andar de inquietações sobre o futuro de um futebol cada vez mais empresarial e não pode perder a oportunidade de resistir à força de gravidade cada vez mais forte nos gramados e fora dos gramados.  

A concessão do Estádio Bruno Daniel, essencial à grande transformação, poderá ser repassada a terceiros sem qualquer relação com o clube, ou pretensamente de relação de comando. E essa anomalia poderá gerar esquisitices que já dominam outros clubes sujeitos a chuvas e trovoadas de gente que não é do ramo do futebol, mas faz do futebol uma indústria milionária. 

FIM DE TUDO  

Qualquer coisa fora do esquadro de naturalidade do Estádio Bruno Daniel destinado ao Esporte Clube Santo André seria o fim da transformação da agremiação em clube-empresa. Nenhum empreendedor se meterá numa encrenca dessa, ou seja, de abrir mão do espaço indispensável não só à prática do futebol, mas à interação com os torcedores. O Estádio Bruno Daniel é um ativo tangível e também intangível quando qualquer especialista em clube-empresa se debruça num planejamento de médio e longo prazo.  

Ficar na mão de atravessadores, de gente que não tem nada a ver com um clube-empresa, e que está de olho em outras coisas, outras coisas que não são coisas boas, não é uma perspectiva que convença quem quer que queira investir no Santo André. 

Não vamos aceitar qualquer medida nesse sentido. E esperamos que a sociedade sempre dócil também reaja. Trata-se claramente de um jogo sujo. Denunciar essa possibilidade é ter compromisso com a cidadania regional.  

APROPRIAÇÃO INDÉBITA  

A apropriação do Estádio Bruno Daniel por quaisquer que sejam os terceiros sem relação com os planos estratégicos e salvacionistas do Esporte Clube Santo André é uma desfaçatez, quando não uma agressão. Um tiro na cara da responsabilidade coletiva explicita do futebol. E de tiro na cara eu entendo.  

O que se insinua contra os interesses do clube mais tradicional de futebol da região não é um golpe qualquer. Com à medida que retiraria da agremiação o controle administrativo do Estádio Bruno Daniel, que passaria por concessão, naufragaria completamente o projeto de adoção da SAF (Sociedade Anônima de Futebol).  

A nova legislação desperta a atenção de investidores no futebol. A disputa é acirradíssima. Daí a maior responsabilidade na arquitetura da regulamentação do projeto de concessão. Há influências externas no grupo criado por José Police Neto. Influências externas ao grupo, mas internas, no Paço Municipal. Lobistas estão à solta.  

MERCADO SELETIVO  

Há muitos e muitos clubes interessados em sair da condição jurídica de associativos para ingressar no mundo empresarial. Mas os investidores tomam todas as cautelas e na medida em que o entusiasmo pelo modelo SAF começa a refluir, para se tornar mais reflexivo, as possibilidades de fechar negócios se contraem. 

O gerenciamento do Estádio Bruno Daniel é um dos vetores fundamentais ao sucesso da SAF do Esporte Clube Santo André, entre outros pontos sensíveis a empreendedores que estão descobrindo o futebol como empreendimento capitalista no coquetel de modalidades para fazer o dinheiro crescer.  

É nesse ponto que surgem rumores cada vez mais intensos de que o Paço de Santo André do prefeito Paulinho Serra estaria aquiescendo aos desejos de terceiros que pretenderiam plantar dificuldades ao sonho do Santo André porque querem tomar conta do Estádio Bruno Daniel. Tomar conta é força de expressão. Querem mesmo a tomada do Estádio Bruno Daniel.  

A criação do Santo André Futebol Clube por um dirigente ligado ao futebol de salão sinaliza que tudo pode ganhar contornos dramáticos para o Esporte Clube Santo André.  

MINAR RESISTENCIA  

A promessa de que o novo clube só cuidaria de equipes de futebol de base não resistiria às informações. O que se pretenderia mesmo é mitigar a resistência orgânica do Santo André, original e único.  

Até mesmo a tomada do clube é considerada no projeto. Pretende-se esterilizar o clube que vive situação financeira modesta para os padrões do futebol profissionais já infestado de agremiações que, mesmo sem a SAF, são administradas por empresários de diversas atividades, muitas das quais obscuras, mais sensíveis agora que a legislação flexibiliza o pagamento de passivos e por isso mesmo estimula todas as variantes conhecidas do capitalismo em compadrio com o Estado.    

Como disse, a administração de Paulinho Serra nomeou uma comissão técnica de servidores municipais para preparar o desenho jurídico da concessão do Estádio Bruno Daniel.  

Não há entre os profissionais nenhum especialista para valer na nova modalidade de relacionamentos no futebol. Pode ser que conheçam o assunto, mas não as especificidades do assunto. E duvido que conheçam a história do Esporte Clube Santo André.  

MANUAL DE INSTRUÇÕES  

É para esse grupo de profissionais que CapitalSocial preparou um manual que poderia servir de âncora técnica para que não se cometam barbaridades que deem vazão às informações de bastidores de que tudo gira em torno de cartas marcadas para excluir o Santo André do controle do Estádio Bruno Daniel.  

A agremiação passaria a ser uma espécie de inquilina de uma organização terceirizada que se amoldaria ao figuro prescrito.  

Veja os pontos principais do que CapitalSocial sugere para o sucesso do clube-empresa que adviria da concessão do Estádio Bruno Daniel. Vou destrinchá-los ao longo dos próximos tempos. E a tempo de se evitarem complicações: 

1. Simplificação regulatória. 

2. Histórico social e esportivo. 

3. Enquadramento no futebol. 

4. Tempo de concessão. 

5. Compartilhamento regulatório. 

6. Análise de custos. 

7. Valoração da operação.  

8. Liberdade de ação.  

9. Atratividade empresarial.  

10. Direitos à concessão.  



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