Os maiores municípios do Estado de São Paulo (exceto a Capital), reunidos desde 2015 no G-22 criado por este jornalista, vão ser colocados em confrontos sucessivos a partir desta semana tendo como base a mensuração de seus valores num super-ranking que reunirá indicadores sociais, tributários e econômicos. Será uma espécie de Campeonato Paulista de Competitividade.
Já conto com relação preliminar de 25 marcadores. E tudo indica que avançaremos mais. Esses indicadores vão contar com regras específicas. Na maioria dos casos, os resultados per capita definirão os resultados finais. Não existe maneira mais apropriada de homogeneizar diferentes dimensões demográficas, econômicas e sociais.
A competição promete ser encarniçada e tem como finalidade, entre outros vetores, avaliar detidamente os pontos fortes e fracos dos municípios do Grande ABC num universo mais amplo de concorrência. Comparar o Grande ABC com o Grande ABC é futebol disputado por um único time.
Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que não têm porte para integrar o Clube dos Maiores Municípios Paulistas, constarão de cada ranking apenas informalmente. Os resultados não serão considerados.
IPTU EXEMPLAR
Para os leitores entenderem de imediato o conceito-chave do ranqueamento que promoveremos com base em dados oficiais e mensuráveis, basta um exemplo.
O ranking do IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial e Urbana) não será adotado com base nos valores absolutos arrecadados pelos municípios.
Não tem sentido estabelecer juízo de valor sobre a eficiência e a justeza da arrecadação do IPTU pelo valor médio das receitas municipais ao dividir o montante de determinada temporada pelo total de moradores, extraindo-se o montante per capita.
É um equívoco alucinante (e já escrevemos sobre isso recentemente) retirar da cartola do simplismo arrecadatório pretensa eficiência tributária dos valores arrecadados.
Nesse ponto (e escrevemos exatamente sobre isso), São Caetano seria compulsoriamente levada ao banco dos réus ao arrecadar muito mais que os demais municípios do Grande ABC quando se coloca aquela metodologia alquebrada como sinalização de custos para os contribuintes.
AÇÃO PRÁTICA
Nesse caso específico, ou seja, do quesito IPTU no ranking do G-22 que estamos preparando, vamos adotar o que já praticamos anteriormente, quando saímos em defesa de uma alternativa que contemple métodos mais sólidos.
O ranking que envolverá o IPTU do G-22 terá como ponto central de medição a divisão dos valores da última temporada de arrecadação do imposto pelo Potencial de Consumo da mesma temporada.
Potencial de Consumo é uma especialidade da Consultoria IPC que retrata a riqueza acumulada pela população de cada Município brasileiro.
O confronto entre IPTU per capita e Potencial de Consumo também per capita é uma regra que se expandirá a outros indicadores, ou seja, haverá cruzamentos entre distintos indicadores que refletem a realidade de cada endereço municipal.
CONCEITOS EDITORIAIS
O macroindicador faz parte essencial da linha editorial desta revista digital, há 32 anos de circulação de LivreMercado/CapitalSocial.
Na verdade, é uma sequência do que já apresentamos no Instituto de Estudos Metropolitanos (IEME), instância que criamos há quase duas décadas e que reproduziu e continua a reproduzir as preocupações deste veículo de comunicação.
O fim do IEME é subjetivo e jamais se sacramentou no sentido biológico-editorial. Primeiro porque surgiu antes, em forma da linha editorial de LivreMercado/CapitalSocial. E desde sempre se consolidou como pressuposto dessa mesma linha editorial.
Ou seja: o ranqueamento do G-22 será uma sequência com novos olhares e exigências do que realizamos há mais de três décadas.
Foi em maio de 2003 (portanto há 19 anos) que decidimos criar uma instância que reunisse dados de diferentes setores para acompanhar o andar da carruagem dos municípios do Grande ABC.
O IEME foi lançado num evento cujos detalhes seguem abaixo. O G-22, anteriormente G-20, que criamos em 2012, deu continuidade ao trabalho.
O G-22 deu elasticidade numérica aos municípios pesquisados, mas não interferiu no placar geral. Decidimos incluir Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra apenas para ter resultados mais amplos do Grande ABC.
Na sequência, veja trechos do texto que publiquei em 20 de fevereiro de 2012 nesta revista digital e também o material de 2003, que deu origem ao IEME:
G-20 Paulista, um índice para
por fim à farra de embromações
DANIEL LIMA - 20/02/2012
Qual foi o comportamento da economia de cada um dos municípios da Província do Grande ABC e da Província do Grande ABC como um todo entre 1999 e 2009? Resolvemos reviver uma experiência de sucesso no passado: acabamos de montar o G-20 Paulista, o clube dos 20 municípios economicamente mais importantes do Estado de São Paulo, exceto a Capital. Comparamos o PIB (Produto Interno Bruto) de cada um e chegamos a várias conclusões. A principal é que ainda não retomamos e dificilmente retomaremos a rota do desenvolvimento econômico. Há cidades da Província que recuperam parte das perdas do pós-Real, mas outras não conseguem acertar o passo. Santo André, por exemplo.
O G-20 representa 30% do PIB paulista. Não é pouca coisa. Muito pelo contrário: como a Capital sozinha chega a 25%, compreende-se a importância desses municípios. A maioria está localizada na Região Metropolitana de São Paulo e na chamada Grande São Paulo Expandida, formada por Grande Sorocaba, Grande Campinas, Grande São José dos Campos e Baixada Santista.
MAIS 2012
Por que resolvemos restabelecer estudos comparativos que tanto sucesso fizeram no passado, quando criamos o IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), que analisava quase uma centena de municípios em 15 quesitos diferentes, de economia a finanças, de saúde à educação, de criminalidade à tributos? Porque não dá mais para suportar o jogo de manipulação estatística e conceitual que a Prefeitura de Santo André, inerte em todos os sentidos na pasta de Desenvolvimento Econômico, está a patrocinar com invencionices que procuram puxar a sardinha de resultados para a própria brasa de irresponsabilidade informativa. Lembro àqueles que porventura ou por sedução ou por malandragem ou por idiotice vinculam minhas intervenções sobre os despautérios em Santo André a qualquer coloração partidária que a mensagem não terá credibilidade. Primeiro porque não sou e jamais fui agente político-partidário. Segundo porque tenho o respaldo da história: combati duramente as tentativas de semelhantes manipulações, em meados da década de 1990, do economista e pesquisador João Batista Pamplona. Ele fora contratado com pompa e circunstância pelo então prefeito Celso Daniel, comandante da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, para planejar, organizar e analisar pesquisas na região.
MAIS 2012
João Batista Pamplona fez tudo para agradar ao chefe e à torcida organizada que faz barulho e nada mais na Província do Grande ABC. Chegou ao desplante de afirmar que a Província não sofrera desindustrialização. Só para se ter ideia, o Valor Adicionado da região emagreceu um terço durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Portanto, o que vamos apresentar a partir desta quarta-feira de cinzas são estudos sérios, despartidarizados e incômodos à maioria que mora nesta Província e quer estimular o eterno jogo de simulações para se locupletar. A Prefeitura de Santo André está se esmerando nisso. Um crime contra a sociedade que precisa ser bem informada.
Uma entidade para
sensibilizar a região
DANIEL LIMA - 15/05/2003
Vamos reunir hoje o primeiro grupo selecionado para integrar o IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). O happy hour no Baby Beef Jardim significa mais que o tiro de partida rumo a um regionalismo contemporâneo e, portanto, sem viés bairrista. O encontro significa a moeda da sorte da metropolização responsável a partir da Grande São Paulo. Sim, porque o pressuposto do IEME, sobre o qual jamais o Conselho Gestor se desviará, será a obsessão pela apresentação de estudos e propostas que visem, em primeiro plano, oferecer alternativas às lideranças governamentais e empresariais em busca de cidades menos precarizadas. Sem meias palavras nem meias verdades, e também sem preocupação alguma em ferir suscetibilidades, o Instituto de Estudos Metropolitanos não poderá cometer os erros que levaram o grandiloquente Fórum da Cidadania à ação vegetativa, o Consórcio de Prefeitos a coitos interrompidos, a Câmara Regional a desfile de propostas inexequíveis ou inócuas, a Agência de Desenvolvimento Econômico a solavancos e inanição financeira e as Secretarias de Desenvolvimento Econômico a medidas erráticas de uns e outros por falta de infraestrutura.
MAIS 2003
O Instituto de Estudos Metropolitanos não está chegando ao Grande ABC para resolver os problemas que competem às esferas governamentais e empresariais. Tanto isso é verdade que teremos vários representantes de governos e empreendedores locais no encontro de hoje. O IEME está surgindo para ser um agente sensibilizador. Para tanto, usará de todos os recursos de marketing e comunicação sempre em regime de parceria. Quem imaginar que o Instituto de Estudos Metropolitanos está chegando nesse pedaço sem eira nem beira do Grande ABC para distribuir sacos de porradas nos administradores públicos, repetindo iniciativa do Fórum da Cidadania posteriormente domesticado, provavelmente acredita que só é possível extrair produtividade das relações interpessoais e interinstitucionais pela agressividade vazia. O Instituto de Estudos Metropolitanos nasce sob o signo da cooperação crítica. O que significa isso? Que os representantes regionais mais bem preparados para o jogo da democracia sem partidarismo político e sem ideologias exacerbadas vão se juntar num mesmo espaço para agirem organicamente visando a um objetivo claramente definido: tornar o Grande ABC muito mais competitivo aos olhos de investidores internos e externos.
MAIS 2003
E temos de ter coragem de dizer que estamos jogados às traças de investimentos produtivos que nos coloquem na rota da associação de maior Valor Adicionado e mais empregos. Basta fazer uma análise (e a revista LivreMercado a fez no final do ano passado) sobre os efeitos praticamente nulos da chamada Lei de Incentivos Fiscais aprovada em todos os municípios. O Instituto de Estudos Metropolitanos precisará ter competência para mudar a pauta regional, retirando o varejismo oportunístico e geralmente inconsequente do foco midiático, além de convencer os formadores de opinião e os tomadores de decisão de que as soluções são mais complexas do que imaginam, mas, paradoxalmente, mais prováveis do que tentam fazer crer os triunfalistas que se negam a enxergar o óbvio. A conexão entre empreendedores, governantes e universidades será instalada nesse fórum de ideias que se tornará, acreditem, referência em democratização do capital intelectual nas regiões metropolitanas brasileiras porque não terá as velhas cartas marcadas de sempre como supostas cabeças premiadas. O encontro de hoje é apenas o começo de uma bola de neve de conhecimentos cumulativos que as competências individuais relacionadas tratarão de compartilhar.
MAIS 2003
Como um soldado dessa causa, da qual participarei com o meu quinhão de defensor intransigente de capital social, apresento alguns pontos que considero prioritários para a ação do instituto.
a) Redefinição dos critérios de distribuição do ICMS, levando-se em conta ponderáveis que considerem as regiões metropolitanas entes especiais no quadro constitucional brasileiro.
b) Incentivar os poderes públicos municipais do Grande ABC a darem transparência aos números relativos à colheita de impostos locais, permitindo, dessa forma, a socialização de informações essenciais para o debate público da carga tributária sem que se caia no enviesamento partidário e municipalista.
c) Redistribuição de impostos federais em favor dos municípios. Um exemplo: por quê parte da CPMF que sai do bolso de todos os brasileiros não retorna diretamente aos cofres municipais?
d) Um plano estratégico voltado especificamente para questões logísticas que levem em conta a regionalidade do Grande ABC. Explicação: somos carta fora do baralho das consultorias de investimentos porque estamos encalacrados na Grande São Paulo.
e) Um plano estratégico sobre a importância da indústria de plástico no Grande ABC como divisor de águas da excessiva dependência do setor automotivo.
f) Um plano estratégico de abrangência municipal para tornar os pequenos negócios menos vulneráveis à macroeconomia e, principalmente, à microeconomia, considerando-se como fator decisivo o fortalecimento dos bairros como disseminadores de enraizamento dos consumidores.
g) Uma atuação diferenciada do BNDES no Grande ABC, considerando-se os aspectos destrutivos de matrizes produtivas ao longo dos últimos anos. Precisamos de uma espécie de Plano Marshall. Não serão linhas de créditos convencionais que recolocarão nossa economia nos trilhos.
h) Manutenção de indicadores econômicos e sociais absolutamente confiáveis e imunes a subjetividades para lastrear as ações estratégicas e, também, para estabelecer comparativos de desempenhos municipais e regionais.
i) Acompanhamento atento das políticas públicas voltadas ao mercado de trabalho, especialmente o contingente de desempregados.
j) Defesa da reorganização institucional da Região Metropolitana de São Paulo de acordo com as características socioeconômicas e culturais dos 39 municípios.
k) Acompanhamento das instâncias regionais voltadas ao Desenvolvimento Econômico Sustentado, no caso a Agência de Desenvolvimento Econômico, o Consórcio de Prefeitos e a Câmara Regional.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL