Mauá e Santo André, nessa ordem, salvam o Grande ABC no G-22 (o Clube dos Maiores Municípios do Estado de São Paulo) no primeiro índice do macroindicador que vai revelar a situação econômica, tributária e social de um universo de mais de oito milhões de habitantes. O Grande ABC participa com cinco representantes.
Como os leitores vão poder acompanhar ao longo do tempo que virá, o encadeamento dos resultados vai desenhar com bastante clareza o que separa e o que aproxima os grandes municípios paulistas.
São Paulo, Capital do Estado, não integra esse projeto porque é descomunalmente maior que a soma de todos os participantes do G-22. O efeito-contaminação predominante da Capital poderia alterar os resultados gerais e levar a interpretações equivocadas.
PRIMEIRO ÍNDICE
O primeiro índice apurado corresponde ao coquetel do macroindicador do setor econômico. E trata especificamente da qualidade da mão de obra com carteira assinada. Entretanto é apenas um dos vários indicadores dessa atividade.
Os resultados que serão apresentados logo abaixo não querem dizer tudo sobre o ranqueamento visto como uma relação de vencedores e perdedores do G-22. Trata-se apenas de uma das muitas peças de um mosaico que será construído aos poucos.
Ou seja: que as comemorações sejam comedidas, porque novos dados poderão mudar as primeiras colocações do ranking geral do setor econômico do G-22.
PRODUTIVIDADE
O indicador escolhido para dar o pontapé inicial nessa disputa refere-se à produtividade do trabalhador industrial.
A equação é simples: pegamos o valor do PIB Industrial de 2019 (o mais atualizado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e dividimos pelo contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor industrial, também relativo ao ano de 2019.
A posição dos 20 concorrentes (o G-22 conta com participação informal de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, por integrarem o Grande ABC, mas não têm porte econômico para uma competição) demonstra com clareza uma combinação nada surpreendente: têm mais produtividade por trabalhador os endereços em que prevalecem atividades econômicas de alta intensidade tecnológica para os padrões brasileiros.
MAIS TECNOLOGIA
Exatamente por isso a prevalecente químico/petroquímica Paulínia, na região de Campinas, lidera com folga o indicador, com elevadíssima vantagem sobre São José dos Campos, segunda colocada e dominantemente aeroespacial. A produtividade por trabalhador industrial em Paulínia é mais de três vezes superior à de São José dos Campos.
Mauá e Santo André ocupam sólidas quarta e quinta colocações por conta da influência do setor químico-petroquímico do Polo de Capuava. Como Mauá é mais dependente dessas atividades, está à frente de Santo André.
Taubaté antepõe-se a Mauá e a Santo André como terceira colocada no ranking de produtividade do trabalhador industrial.
O peso da indústria automotiva na temporada de 2019 acabou prevalecendo. Mas a diferença entre Taubaté e a maioria das cidades que vem em seguida é muito menos expressiva do que a registrada por Paulínia frente à vice-líder São José dos Campos.
630 MIL TRABALHADORES
Há sinalização de que a atualização de dados do ranking de produtividade do trabalhador industrial poderá registrar mudanças quando forem revelados os dados do PIB Industrial de 2020. O PIB Geral dos Municípios Brasileiros de 2020, que incorpora o PIB Industrial, será revelado apenas em dezembro deste ano.
O contingente de trabalhadores industriais no G-22 em 2019 alcançava 630.746 carteiras assinadas, média por Município de 31.537 postos de trabalho.
A seletividade do emprego na líder Paulínia mostra o quanto o setor químico-petroquímico é econômico em mão de obra. O Município contava com 10.558 carteiras assinadas, ou seja, um terço da média setorial do G-22.
TAUBATÉ EM TERCEIRO
Taubaté e Mauá, entre as cinco primeiras colocadas, também registraram média bem abaixo da média geral. São José dos Campos e Santo André aproximaram-se da média geral.
Quanto mais um Município contar com maior estoque ativo de trabalhadores industriais, mais despenca na classificação do indicador. São Bernardo, 16ª colocada, conta com mais de o dobro de trabalhadores do que a média geral. Isso significa que a indústria automotiva, que integra a rede de empresas de alta tecnologia, convive com outras atividades, mais intensivas em mão de obra.
Dos 20 municípios listados no ranking de produtividade industrial do G-22, apenas Santos vai além dos registros da indústria de transformação. Por contar com efetivo muito relevante no setor de extração mineral, o ranqueamento soma as duas atividades. Mais da metade dos trabalhadores industriais de Santos consta como ativos da área da indústria de extração mineral. Nos demais municípios a participação é residual.
MUITOS CRUZAMENTOS
O cruzamento de dados envolvendo as atividades econômicas dos municípios do G-22 deverá desafiar interpretações sobre o histórico individual desses endereços.
Até que ponto posições mais destacadas em produtividade industrial por trabalhador significaria vantagem competitiva?
O domínio acentuado de determinada atividade econômica de alta intensidade tecnológica (e, portanto, de assalariamento médio mais privilegiado) seria suficiente como força de tração a resultados gerais mais vigorosos?
Até que ponto Paulínia, líder disparada no primeiro índice do tridimensional ranking do G-22, também brilharia em outras especificidades?
Tudo isso e muito mais acabará florescendo na medida que novos dados forem construídos.
MUITAS RODADAS
A medição geral obedecerá a critérios a serem revelados nos próximos dias. Cada indicador deverá ser visto como uma nova rodada de uma competição com algumas dezenas de etapas e cujos resultados individuais influenciarão o resultado geral.
Veja o ranking de produtividade por trabalhador industrial em 2019, resultado da divisão do PIB do setor pelo total de carteiras assinadas.
1. Paulínia com R$ 1.645.197 milhão de produtividade por trabalhador, resultado de um efetivo de 10.558 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 16.369.991 bilhões.
2. São José dos Campos com R$ 516.108 mil de produtividade por trabalhador, resultado de um efetivo de 31.076 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 16.038.579 bilhões.
3. Taubaté com R$ 309.542 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetiva de 19.768 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 6.119.040 bilhões.
4. Mauá com R$ 265.502 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 20.271 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 5.381.993 bilhões.
5. Santo André com R$ 245.865 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 26.281 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 6.461.595 bilhões.
6. Sumaré com R$ 230.191 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 17.229 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 3.965.968 bilhões.
7. Osasco com R$ 223.072 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 16.008 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 3.570.946 bilhões.
8. Mogi das Cruzes com R$ 212.097 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 16.210 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 3.570.946 bilhões.
9. Jundiaí com R$ 209.018 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 43.347 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 9.060.335 bilhões.
10. Piracicaba com R$ 206.645 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 36.331 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 7.507.609 bilhões.
11. Santos com R$ 203.438 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 8.458 carteiras assinadas e PIB Industrial (do setor de transformação e de minerais) de R$ 1.720.680 bilhão.
12. Campinas com R$ 199.420 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 48.057 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 9.583.517 bilhões.
13. Barueri com R$ 181.884 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 26.028 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 4.734.077 bilhões.
14. Sorocaba com R$ 175.290 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 50.646 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 8.877.890 bilhões.
15. Ribeirão Preto com R$ 172.211 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 21.561 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 3.713.055 bilhões.
16. São Bernardo com R$ 147.007 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 74.061 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 10.887.505 bilhões.
17. São Caetano com R$ 146.735 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 18.572 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 2.725.155 bilhões.
18. Guarulhos com R$ 142.525 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 87.940 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 12.533.704 bilhões.
19. Diadema com R$ 106.734 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 38.339 carteiras assinadas e PIB Industrial de 4.093.208 bilhões.
20. São José do Rio Preto com R$ 90.760 mil de produtividade por trabalhador, resultado de efetivo de 20.005 carteiras assinadas e PIB Industrial de R$ 1.815.669 bilhão.
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18/02/2026 A VERDADE SOBRE O CARNAVAL REGIONAL