Sociedade

Por que não esqueço de Emkes e detesto me lembrar de De Nadai

DANIEL LIMA - 21/12/2010

Uma coincidência agradável marca nesta data a reprodução da Reportagem de Capa de janeiro de 1999 que escrevi sobre a gestão de Mark Emkes à frente da Bridgestone Firestone e a notícia que recebo do amigo José Batista Gusmão, ex-assessor daquele norte-americano que marcou época em Santo André. Mark Emkes, o mesmo executivo que salvou mais de três mil empregos da unidade fabril do Grande ABC, aposentou-se depois de 33 anos de trabalho naquela multinacional. Agora, vejam só, foi nomeado secretário de Finanças e Administração do Estado de Tennessee, uma das 50 unidades federativas dos Estados Unidos.

Coincidentemente, vejo um outro personagem, muito menor é claro, da vida econômica do Grande ABC, Sérgio De Nadai, nas páginas sociais com a turma do Natal do Bem, que chamaria de Natal do Bem-Bom. Por que Sérgio De Nadai?

Porque, diferentemente de Mark Emkes, estrangeiro que ficou apenas alguns anos no Grande ABC, Sérgio De Nadai levou a miraculosa fábrica de marmitas para a Capital. Desfalcou os cofres públicos de Santo André e deixou milhares de trabalhadores locais sem emprego. O pragmatismo de Sérgio De Nadai é típico do empresariado nacional que só enxerga lucratividade. E ele ainda tem coragem de bater no peito e dizer que é andreense, vejam só.

É emblemático o fato de que sempre me dei bem com Mark Emkes, apesar das dificuldades com o idioma, e de não ter durado muito meu relacionamento com Sérgio De Nadai. Eles extratificam minha vida profissional. Não consigo engolir gente que não respeito, enquanto me emociono ao enunciar lembranças dos produtivos. Não falo com Mark Emkes há muitos anos, mas tenho por ele carinho especial. E os leitores vão ter a oportunidade de, ao ler a Reportagem de Capa que consta do link logo abaixo, reconhecerem um verdadeiro protagonista do conceito de responsabilidade social que está muito acima de festinhas de final de ano para amenizar as dores de consciência em forma de doações programadamente sob holofotes.

Coleciono em minha vida profissional — porque na pessoal sou bastante introspectivo, recluso, dedicado sobretudo à leitura — um grupo bastante seletivo de personagens como Mark Emkes. Infelizmente, também carrego a cruz de desastres simbolizados por Sérgio De Nadai.

Não bastassem os exemplos de empresário que se vale mais de oportunismos do que de oportunidades, Sérgio De Nadai cometeu o crime de lançar um empreendimento imobiliário sob o signo da malandragem e da irresponsabilidade. É claro que me refiro ao Residencial Ventura, plantado no Bairro Jardim à revelia dos trâmites legais de uso e ocupação do solo para caso de terreno contaminado ambientalmente. Irregularidade entregue ao Ministério Público do Meio Ambiente, que está tomando as providências necessárias.

O mínimo que repetiria aos leitores que não cansam de me enviar e-mails sobre o Residencial Ventura é que fujam desse perigo ambiental, porque não há nada que possa garantir ausência de intenso risco ao se estabelecer moradia num dos 300 apartamentos vendidos a peso de ouro.

Contrariamente a Sérgio De Nadai, a biografia de Mark Emkes está recheada de competências. Encerrou a carreira de executivo da Bridgestone este ano como titular absoluto da multinacional nas Américas. A simples lembrança entre os borracheiros dos anos que passou em Santo André, é evocar emoções. Foi com Mark Emkes como centro de uma reportagem histórica que os conselheiros editoriais de LivreMercado responderam com a melhor média de notas que um case empresarial já conquistou no Prêmio Desempenho, do qual a Bridgestone saiu vencedora.

É inevitável que este jornalista faça o contraponto entre Mark Emkes e Sérgio De Nadai. É imperioso que se exponha sem retoque um dos espectros de minha vida profissional combativa, incômoda, determinada, e tão atacada pela vanguarda do atraso.

Não nego e jamais negarei que flutuo entre o encantamento com o bem e a irritação com o problemático.

Sempre que vejo a badalação de colunistas sociais em torno de Sérgio De Nadai e sua turma do bem-bom, mais me sinto agradecido por ter feito escolhas em torno de personagens como Mark Emkes.

Deus é muito generoso comigo, porque me possibilita sempre, mesmo com eventual atraso aqui, atraso ali, discernir entre o positivo e o negativo, o construtivo e o deletério, o real e a fantasia.

Saudades imensas de Mark Emkes. Um dia vou perder o medo de avião e atenderei a antigo convite para visitá-lo nos Estados Unidos. Quem sabe como governador do Tennessee.

Santo André sabe o quanto perdeu com a morte de Celso Daniel. Mas não tem a mínima ideia do quanto se viu desfalcada desde que Mark Emkes galgou postos cada vez mais importantes na Bridgestone Firestone. Quanto ao evadido Sérgio De Nadai, o melhor é deixar para lá, com sua turma.

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