Regionalidade

QUAL MARCELO LIMA TERÁ
O CLUBE DOS PREFEITOS?

DANIEL LIMA - 16/01/2025

O prefeito de São Bernardo já é o prefeito dos prefeitos do Clube dos Prefeitos. Resta apenas a formalização. A escolha é perfeita no sentido de importância política, econômica e institucional. O que pergunto é o que será da gestão do prefeito regional que está apresentando como prefeito municipal todas as digitais de uma mistura de diplomacia com os adversários derrotados em outubro e uma guerra surda contra quem o ajudou a ser eleito?

O que se desenha para o Clube dos Prefeitos é o aperfeiçoamento da inutilidade histórica. Marcelo Lima está sendo cooptado por terceiros que jamais fizeram nada pelo Clube dos Prefeitos, exceto procrastinar medidas por razões variadas. Teremos um Clube dos Amigos, um Clube dos Lambe-Lambes, um Clube da Patotinha ou um Clube da Panelinha. Essa conjunção aparentemente redundante é um combo perfeito da imperfeição. E do desencanto. Tomara que Marcelo Lima acorde a tempo de entender o riscado.

Vou tratar do Marcelo Lima prefeito dos prefeitos ou prefeito regional porque Marcelo Lima prefeito de São Bernardo ainda tem muito chão a percorrer até que se consiga ter as primeiras avaliações mais seguras.

Entretanto, é impossível, reconheço, não rebocar o prefeito municipal Marcelo Lima às funções de prefeito regional Marcelo Lima sem considerar algumas digitais já impressas em duas semanas de mandato. 

BEM-QUERER?

Se Marcelo Lima carregar para o inútil Clube dos Prefeitos a mesma filosofia de suposto prefeito bem-querer de São Bernardo,  o que teremos de fato e para valer será um prefeito de mesmices redundantes, com perdão do pleonasmo.

O Clube dos Prefeitos precisa de um choque de realidade, algo que a Prefeitura de São Bernardo, entregue por um prefeito que foi o melhor prefeito deste século para a cidade,  dispensaria formalmente. Os pelos em ovos que Marcelo Lima anda encontrando são pelos em ovos até prova em contrário.

E provas em contrário se dão de duas formas. A primeira, no campo da moralidade, com materialidades às acusações e desconfianças tornadas públicas. A segundo, no campo administrativo, respeitando-se indicadores oficiais que não sejam contaminados por efeitos especiais.

Espera-se que à frente do Clube dos Prefeitos Marcelo Lima seja o que os antecessores não foram. Desde a morte de Celso Daniel, para ser reto e direto, sem remelexo semântico. Tenho cá comigo e espero estar muito enganado, porque o engano seria a minha alegria, tenho cá comigo, conforme dizia, que Marcelo Lima será mais do mesmo. Só não o será se como prefeito regional diferenciar-se do que se está apresentando como prefeito municipal.

CADEIA DE CHOQUES

O Clube dos Prefeitos precisa sim de um choque estrutural que por sua vez adviria de em choque conceitual que por sua vez viria de um choque cultural que por sua vez viria de um choque econômico. Nada do que abarca o Clube dos Prefeitos, um caos organizacional (como disse ainda outro dia José Auricchio Júnior ao Diário do Grande AB C, na condição de ex-prefeito de São Caetano, serve para o Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

Esse é o ponto central da reconstrução do Clube dos Prefeitos. Todo o restante que subsista como temática tem valor, claro, mas é periferia diante da centralidade de uma região há 30 anos à deriva.

Se o prefeito municipal Marcelo Lima, que será formalizado prefeito regional no próximo dia 28 (conforme o cronograma da instituição) não se der conta de agir com responsabilidade, dureza, pragmatismo, pioneirismo até, teremos mais uma peça tosca de uma corrente de elos integracionistas perdidos.

COSTURAS ELEITORAIS

O que me preocupa é que,  quanto mais se apresenta de olho na reeleição daqui a quatro anos, porque constrói desde já algumas alianças, inclusive com o PT de Luiz Fernando Teixeira, Marcelo Lima transponha essas intenções ao campo da regionalidade. Ou seja: faria do Clube dos Prefeitos uma extensão política da Prefeitura de São Bernardo.

Aliás, de fato e para valer, não faria inovação alguma porque o antecessor Paulinho Serra não fez outra coisa ao transformar a entidade num puxadinho de suas ambições locais e externas em Santo André.

Estaria este jornalista com olhares menos descrentes se o prefeito municipal Marcelo Lima sinalizasse para o prefeito regional Marcelo Lima algo alvissareiro no campo econômico, com a tomada de uma iniciativa que impactasse para valer o espírito de regionalidade prática.

O que seria esse toque de Midas de regionalismo? Que com três meses de espaço para pensar a São Bernardo do futuro, eleito que foi em outubro, já houvesse anunciado uma extraordinária medida.

OBVIEDADE DECISÓRIA

Que medida é essa? Que teria formulado uma parceria estratégica com a Anfavea, o Clube das Montadoras de Veículos, a fim de, em conjunto com técnicos que atuariam no Clube dos Prefeitos, definir uma linha de ação que mantivesse o parque automotivo da região, principalmente São Bernardo, São Caetano e Diadema, o menos vulnerável possível aos estragos chineses, entre outros que a configuração de suprimento de indústrias dos mais variados setores já está em campo.

Os acomodados vão dizer que é muito cedo, que o prefeito municipal Marcelo Lima não teve tempo para se sentar na cadeira, que o prefeito regional Marcelo Lima nem tomou posse. Bobagem, bobagem e bobagem. A desindustrialização do Grande ABC ainda não virou passado porque está presente e como tal deve seguir uma lógica meridiana: exige um gabinete de crise envolvendo os municípios locais mais dependentes da Doença Holandesa que nos abate nessa área.

Fosse prefeito de São Bernardo teria anunciado essa medida e os nomes que comporiam o gabinete de crise há pelo menos 40 dias. Com isso, sinalizaria  à sociedade que, mesmo antes de assumir o comando da cidade mais poderosa da região e também de uma instituição que tenta consertar a burrada do processo emancipacionista do século passado, não abriria mão do sentimento latente de cada um dos quase três milhões de moradoras.

VACA NO BREJO

Que sentimento? De que a vaca está indo para o brejo -- e não é de hoje, Tanto não é de hoje que na primeira edição da revista de papel LivreMercado, origem deste  CapitalSocial, usei essa mesma expressão para denunciar com vasta documentação algo que chocou os incompetentes – o Grande ABC já experimentava o processo de desindustrialização. Data desta sentença? Março de 1990.

Só para se ter uma ideia, naquela década a região perdeu 100 mil empregos industriais com carteira assinada. Foi uma catástrofe só superada pelos dois anos de recessão de Dilma Rousseff, entre 2015-2016. 

Fosse o prefeito de  São Bernardo conhecedor de fatos históricos da economia do Grande ABC, e seus pares das demais prefeituras que vão estar à frente do Clube dos Prefeitos (provavelmente sem a companhia do emancipacionista Tite Campanella) não atribuiria a este jornalista e a quem quer que seja qualquer resquício de apressamento a decisões que esperam por lideranças fortes e sem rabo preso  com os mandachuvas locais, aos quais Marcelo Lima está se juntado diante da necessidade freudiana de agradar.

NOVO ELO PERDIDO?

Espero sinceramente que Marcelo Lima não seja mais um prefeito regional da lista de inoperância neste século no Grande ABC. Aliás, de fato e verdadeiramente, não só neste século, mas  desde 1989, quando Celso Daniel botou a mão na massa e liderou a criação dessa instituição – e de outras de cunho regional, inclusive a Agência de Desenvolvimento Econômico, outra farsa que atua como puxadinho inoperante do Clube dos Prefeitos.

Para que tenha um futuro distinto dos antecessores que ocuparam a presidência rotativa do Clube dos Prefeitos Marcelo Lima precisa ir além dos cuidados diplomáticos que manifesta como prefeito municipal.  Cada um responde por seus atos como prefeito municipal, o que não implica o silêncio covarde ou acomodatício do jornalismo independente.

Agora, quando se trata de um cargo não elegível na esteira das disputas quadrienais, caso do Clube dos Prefeitos, a situação é completamente outra. As medidas precisam ganhar  conotação coletivista que saia da pasmaceira histórica. É isso que esperamos do prefeito regional. Do prefeito municipal somente o tempo desvendará os resultados. Sem efeitos especiais, certamente.

Para completar, Marcelo Lima só se mostrará expressamente liberto dos mandachuvas locais se tomar a decisão de consultar com conhece do riscado econômico regional para solicitar colaboração. Nomes não faltam para atuar direta ou indiretamente como cooperadores.  

A lista negra dos mandachuvas é uma espécie de macartismo de cunho institucional autoprotecionista utilizado pelos covardes temerosos de desmascaramentos. Por isso querem evitar de todas as formas que o modelo de regionalismo reformista substitua o trágico grupismo oportunista. Estar nessa relação discriminatória é um diploma de honra ao mérito, mas no caso de Marcelo Lima, a aceitação dessa regra do submundo é um crime de lesa-regionalidade. Esperamos que o prefeito dos prefeitos reaja a isso.



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