Política

VOTO REGIONAL NÃO
É VOTO REGIONALISTA

DANIEL LIMA - 06/01/2026

É bastante provável que os eleitores do Grande ABC vão ser mais uma vez engabelados por motes publicitários disfarçados de responsabilidade social. Vivemos a abertura da temporada de eleições à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal e o que temos é uma cansativa média requentada de pregação ao voto geográfico que se pretende voto geoeconômico e, principalmente, geossocial no sentido mais amplo da palavra.

Sou francamente favorável ao voto em candidatos do Grande ABC, carrego história pessoal e profissional que me avalizam, mas é preciso condicionar essa decisão individual que também se acredita coletiva à valorização do ato de levar os pretensos representantes locais às casas de leis do Estado Estadual e do Estado Federal.

O Estado Regional no formato do Grande ABC e o Estado Municipal no formato das cidades do Grande ABC não podem ser sacralizados com o mote de voto regional. Muito menos de voto regionalista. Há turmas que só pensam naquilo e o naquilo não é exatamente o que os eleitores pensam.

O que sempre tivemos na história do Grande ABC ruim de  Política e ruim de Economia foram deputados estaduais e federais individualistas ou representantes de grupos e partidos políticos doutrinados a proteger o próprio umbigo. Todos ou quase todos cobertos pelo manto da regionalidade embutida malandramente como conceito siamês de regional.

DOMÍNIO MUNICIPAL

Não há autoria intelectual propriamente dita dessa distorção da atividade parlamentar. É o modus-operandi padrão de quem pode mais chora menos. E quem pode mais normalmente é quem tem a gestão municipal sob controle. O voto regional é dominadoramente voto municipal.

Voto Regional é uma coisa e Voto Regionalista é outra coisa. Voto Regional é configuração geográfica para enganar os trouxas. É a individualidade municipal que move os candidatos, exceto casos especiais. Voto Regionalista é configuração que leva em conta fatores sistêmicos  -- desde Economia passando pelo Social e o escambau.

Tudo indica, portanto, que vamos viver nesta temporada mais um circo de horrores de manipulação de conceitos, mais uma vez recheado de xenofobismo que pretende interditar votos a candidatos não domiciliados na região. Como se fosse possível  -- vejam só a tremenda estupidez -- impedir que o Coronavírus da política invadisse o território regional. O Voto Distrital subjacente ao voto municipal é uma realidade que adoradores dos candidatos locais querem levar ao paroxismo.

DEUSES DOS VOTOS

Outro dia o deputado federal Alex Manente fez um cálculo maluco de egocentrismo ilimitado ao sugerir que todos os eleitores da região fossem às urnas eletrônicas para digitar o número que ostentaria como suposto candidato a senador. Há determinados políticos tão mal-acostumados que se acreditam deuses.

Quando me refiro ao voto regional levado ao extremo como espécie de Coronavírus da política, o sentido não é necessariamente desclassificatório, como tradução enfática de que todo candidato não-residente no Grande ABC que recebesse votos no Grande ABC fosse nocivo ao processo democrático.

O sentido da expressão que utilizei acima foi exclusivamente de ordem epidêmico-metafórica, de invasão ou infiltração sem pedir licença a quem quer que seja.

O interessante em tudo isso é que os xenófobos que já se apresentam para supostamente protegerem  aliados políticos num esquema de colaboracionismo restritivo,  são os mesmos libertários, por assim dizer, que babam ovo diante de políticos estaduais e nacionais velhos de guerra que aportam no Grande ABC e dão sustentação aos aliados locais. Na maioria dos casos esses xerifões estaduais e federais desconhecem a realidade do Grande ABC.

XENOFOBISMO BOBO 

Mais que sustentação, os xenófobos dão suporte político-logístico para tornar esses parceiros estranhos à região pontes de pretensões além-fronteiras, inclusive no comando ou influentes em agremiações partidárias. Ou seja: a demonização dos chamados forasteiros é tremendamente seletiva e não considera que pau de xenofobismo que bate em Chico também bateria em Francisco, porque muito políticos locais vão buscar votos foram das fronteiras da região.

Se alguém pensou, como exemplo de relacionamentos flexível, no ex-prefeito de Santo André, e atual prefeito reserva de Santo André, Paulinho Serra, acertou na mosca. Um acerto, aliás, mais que obrigatório tamanha a frequência com que esse quadro aparece nas páginas de papel. Qualquer dia desses vou explicar porque chamei acima Paulinho Serra de prefeito reserva de Santo André, tendo a mulher Carolina Serra como vice-prefeita reserva.

O troca-troca de gentilezas programadas para abafar pressões e contrapressões que envolvem o casal oficial de plantão e o casal na reserva é obra de marqueteiros e mandachuvas da política de Santo André.   O lastimável é que temos um ambiente de completa prostração da cidadania não só em Santo André. Assiste-se às mais despudoradas operações de falsa realidade sem que uma peça qualquer do tabuleiro de suposta oposição democrática seja movimentada.

DEIXANDO DE LADO

Pretendia nesta análise lançar uma ideia sobre o que poderia ser aplicado na disputa eleitoral à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal com base em experiência já acumulada. Como, entretanto, desconfio de que já abordei a questão imaginada, vou ganhar um tempinho nestes dias para dar uma consultado nos arquivos.

Estou louco da silva para escrever agora o que tenho na cabeça,  mas vou me segurar. O mais importante de momento mesmo é dizer que a manipulação do conceito de voto regional, lançando-o à multiplicidade de voto regionalista, precisa ser denunciada.

Quando se junta espertamente a prática democrática do voto ao apelo territorial, sugerindo-se que os valores e as demandas locais estariam salvaguardados por gente da melhor qualidade para cuidar de nossos interesses, quando isso aparece mais que implicitamente nas pregações, o melhor é se preparar. Por que se preparar? Porque vem enganação por aí.

Exatamente por faltar o que falta e o que falta vai continuar a faltar porque não vou revelar neste texto, mas num próximo, ao longo da história tanto os deputados estaduais quanto os deputados federais eleitos pelo Grande ABC (e muitos dos quais também com votos fora do Grande ABC) só alcançaram algum sucesso como exceção, não regra.

Nem Celso Daniel, o mais brilhante prefeito regional da história (até porque o único) escapou da cilada fora de nosso território. Foi um deputado federal medíocre. A lista é extensa e pode ser automaticamente  acrescentada com os atuais ocupantes de cadeiras federais. 

Essa avaliação, entenda-se, tem tudo a ver com aquilo que vou deixar de revelar hoje. Para os leitores, eleitores e tudo o mais que não se incomodam com mediocridades, é possível compreender as razões que certamente teriam para se oporem  à constatação deste jornalista.

OLHO NA JOGADA

Durante várias décadas se vendeu a subliminaridade de voto regional com viés interpretativo de voto regionalista com o uso e o abuso de uma expressão guarda-chuva para todas as intempéries: Bancada do ABC. Cansei de dar cacetadas nessa estupidez .  

É possível que até ressuscitem essa excrecência política nesta temporada, porque se trata de expressão que cai no gosto dos espertalhões que transformam sedução em votação. Bancada do ABC é um dos fetiches que o Grande ABC cultivou e cultiva para reforçar o gataborralheirismo típico de quem se sente inferiorizado sociologicamente e reage da pior maneira possível ao procurar negar a realidade, quando não subvertê-la.

Vou ficar de olho vivo no noticiário regional para apontar o primeiro veículo de comunicação que registrar a expressão Bancada do ABC em tom ufanista de sempre, num contraste vergonhoso com o descalabro econômico que estamos cansados de provar. Acho que não vai demorar muito para aparecer tamanha desfaçatez.



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