Se você leu a pergunta da manchetíssima de hoje e apontou Diadema em que o Partido dos Trabalhadores esculpiu a sociedade e que por isso mesmo seria o endereço mais politizado da região, você cometeu um erro. Se apontou a conservadora Santo André, também errou. Igualmente a sindicalista São Bernardo. Esqueça Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, saídas do ventre separatista de Santo André. Sobrou São Caetano. Não dá para errar. É a mais que conservadora São Caetano que lidera o Campeonato Regional de Politização. Surpreso? Vamos explicar, e revelar também que não há diferenças substantivas entre os resultados do Grande ABC e a média estadual. Não somos nada diferentes politicamente quando se considera o que chamaria de margem de manobra interpretativa. Somos a cara do Estado.
Talvez haja muita discussão sobre o conceito de território politizado. Nada contra. Mas entendo que a fórmula que encontrei é a mais segura, exceto uma investida sustentavelmente melhor. Quer saber como cheguei à conclusão matemática que confere a São Caetano o título de campeã regional em participação política? Vamos lá.
Fui ao site do Tribunal Regional Eleitoral e capturei todos os resultados das eleições de 2022 para presidente da República, governador, deputado estadual, deputado federal e senador. Cinco modalidades para surgir o Campeonato Regional de Politização. Os resultados de cada disputa foram colocados em confrontos entre as sete cidades.
VOTOS VÁLIDOS
O denominador comum para aferição individual e coletiva da disputa é o indice de votos válidos, ou seja, o percentual líquido de eleitores que superaram barreiras de votos nulos e votos em branco. Gente que exercitou o direito de votar da melhor maneira possível, ou seja, votando num dos candidatos. Não utilizei o dispositivo de abstenções porque há muita polêmica a respeito, sobretudo possível desatualização cadastral.
Então, ficamos assim: para cada uma das cinco disputas, de presidente, governador, senador, deputado estadual e deputado federal, resgatei os pontos percentuais de voto efetivado em favor dos concorrentes. Tanto em situações de turno único como de segundo turno. Disputas para senador, deputado estadual e deputado federal comportam um turno. Para governador, são dois turnos. Como para presidente da República.
Antes de repassar os resultados definidos, convém lembrar que o título de São Caetano não é obra do acaso. Tampouco as colocações dos demais municípios. São Caetano lidera por conta de pelo menos três fatores básicos: Desenvolvimento Econômico, Educação e Demografia. Motivos opostos explicam que Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra abaixo. E que Santo André e São Bernardo ocupam posição intermediária.
VOTO CONSEQUENCIAL
Quem vê voto consumado sem enxergar o tripé consequencial provavelmente considera vetores culturais, sociais e econômicos como penduricalhos. Não é bem assim. Aliás, é muito diferente disso. É resultado disso, para ser mais preciso.
Os indicadores de diversos calibres sociais e econômicos de São Caetano em ranqueamentos nacionais dão sustentação à lógica de que o exercício formal da democracia tem tudo a ver com os respectivos ambientes que vão muito além dos ventos das campanhas eleitorais. Pelo menos quando se trata de efetividade do voto.
Dos 500 pontos possíveis que nortearam o Campeonato Regional de Politização, ou seja, as cinco divisões com o máximo de 100 pontos de métrica de votação líquida, noves fora votos nulos e em branco, São Caetano somou 455,30. Média geral de 91,06.
Do outro lado do balanço regional, como menor expressão de voto efetivado, está a pequena Rio Grande da Serra com total de 419,19 pontos de 500 possíveis, o que garante média geral de 83,84. Distantes fisicamente e também com culturas políticas divergentes ao longo dos anos, Ribeirão Pires e Diadema têm praticamente a mesma pontuação após a soma das cinco divisões hierárquicas da politica nacional. Diadema somou 429,54 pontos, o que representa média geral de 85,91. Já Ribeirão Pires somou 428,28 pontos no total de 500 possíveis, média geral de 85,66.
Outra concorrência forte envolve as vizinhas Santo André e São Bernardo na disputa do segundo lugar regional. Santo André está à frente por margem mínima: totalizou 438,71 pontos, com média geral de 87,74, enquanto São Bernardo chegou a 437,73 ponto, média geral de 87,54. Eis a classificação:
1. São Caetano com média de 91,06 pontos.
2. Santo André com média de 87,74 pontos.
3. São Bernardo com média de 87,54 pontos.
4. Diadema com média de 85,91 pontos.
5. Ribeirão Pires com média de 85,66 pontos
6. Mauá com média de 84,74 pontos.
7. Rio Grande da Serra com média de 83,84 pontos.
PRESIDÊNCIA LIDERA
Se o leitor acha que a competição acabou, está redondamente enganado. A seguir, mostramos a ordem de posicionamentos que envolve os cinco cargos em disputa. Do total de 700 pontos em jogo (100 pontos para cada cidade), vejam as respectivas pontuações:
1. Presidente da República com 656,33 pontos, com média geral de 93,76.
2. Governador do Estado com 620,69 pontos, com média geral de 88,67.
3. Deputado Federal com 608,62 pontos, com média geral de 86,96.
4. Deputado Estadual com 601,03 pontos, com média geral de 85,92.
5. Senador da República com 545,32 pontos, com média geral de 77,90.
Parece não haver dúvida quanto à importância relativa, com consequente grau de voto consumado, dos cargos em disputa nas eleições de 2022. A presidência da República está bem à frente dos demais postos eleitorais. A exposição midiática dos adversários no segundo turno, assim como no primeiro, é maciçamente dominante no ambiente nacional. A hierarquia estabelecida é uma combinação de fatores que tem mesmo a visibilidade do cargo em disputa como motor de tração. A última posição entre as cinco disputas da temporada de 2022, pelo Senado, segue a mesma coreografia de engajamento dos eleitores a partir da exposição pública que cada vez mais alimenta as redes sociais.
SENADORES ABAIXO
O posicionamento do candidatos a senador na escala de votos consumados está diretamente relacionado à dinâmica dispersiva da disputa, em turno único. São muitos candidatos que geram fragmentação expositiva que, por sua vez, alimenta a dispersão dos leitores. Talvez não exista explicação melhor do que o excesso de concorrentes e a relativa escassez de tempo disponível na grade de propaganda eleitoral obrigatória quando comparada a cargos mais próximos do dia a dia dos eleitores.
Num embate entre os votos consumados para senador e os votos consumados para deputados estaduais e deputados federais, que também não comportam dois turnos, a capilaridade dos concorrentes à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal conta com coreografia local e também regional de apelo aos eleitores como compensação às restrições televisivas. Os candidatos ao cargo de senador são quase que almas penadas em meio aos demais cargos em jogo.
REGIÃO X ESTADO
O comportamento do eleitorado do Grande ABC não difere substancialmente da média estadual, como mostram também os dados de 2022. No conjunto de pontos das cinco disputas (presidente, senador, governador, deputado federal e deputado estadual) o Estado de São Paulo de 545 município somou e média 87,47 pontos em 100 disponíveis de votos válidos, subtraindo-se, portanto, votos nulos e votos em branco. No Grande ABC a média dos sete municípios foi um pouco inferior – 86,65 pontos. Acompanhe:
1. A média estadual de votos válidos para a presidência da República foi de 95,41%, enquanto no Grande ABC registrou 93,76.
2. A média estadual de votos válidos para o governo do Estado foi de 89,20 pontos, enquanto o Grande ABC registrou 88,67.
3. A média estadual de votos válidos para o Senador Federal foi de 79,45 pontos, enquanto o Grande ABC registrou 77,90.
4. A média estadual de votos válidos para deputado federal foi de 87,49, enquanto o Grande ABC registrou 86,96.
5. A média estadual de votos válidos para deputado estadual foi de 85,82, enquanto o Grande ABC registrou 85,92.
VOTO PARA PREFEITO
Com base nos dados das eleições de 2024, e contando com a mesma metodologia aplicada aos cinco cargos em disputa em 2022, a corrida pelas prefeituras dos sete municípios do Grande ABC apresentou liderança nada surpreendente quando se mede o tamanho dos eleitores que votaram no turno único ou no segundo turno. Diadema ocupa a primeira posição com índice de voto consumado de 92,37% , um pouco acima de Rio Grande da Serra, que somou 90,64%. Os demais municípios não registram grandes diferenças entre si. São Bernardo alcançou o índice de 84,83%, São Caetano 88,56%, Santo André 87,27%, Mauá 85,44 e Ribeirão Pires 89,92%.
Como se verifica, a atratividade do voto para a presidência da República é maior do que para o índice geral às prefeituras do Grande ABC. A comparação é válida? Provavelmente sim, porque há apenas dois anos de distanciamento entre uma disputa e outra no calendário eleitoral.
O índice geral de votos para as sete prefeituras em 2024, média de 88,45 pontos resultado do total de 619,03 pontos, é semelhante ao registrado dois anos antes para o governo do Estado, com 88,67%. E acima dos demais cargos – deputado estadual, deputado federal e senador.
PRESIDENTE DOMINA
Em todos os municípios da região, a média de votos válidos para a presidência da República é maior que a média local para prefeito. As disputas locais se apresentaram mais incisivas. As disputas locais se apresentam mais incisivas do que as respectivas médias do conjunto de cinco disputa s anteriores a cargos fora do âmbito municipal, mas nada supera a participação nas urnas quando o que está em jogo é a presidência da República. Veja a comparação:
1. Em São Caetano, 88,56 pontos para o cargo de prefeito e 94,23 pontos para presidente da República.
2. Em Santo André, 87,27 pontos para a o cargo de prefeito e 93,46 pontos para a presidência da República.
3. Em São Bernardo, 84,83 pontos para o cargo de prefeitos e 93,94 para a presidência da República.
4. Em Diadema, 92,37 pontos para o cargo de prefeito e 94,13 pontos para a presidência da República.
5. Em Mauá, 85,44 pontos para o cargo de prefeito e 94,00 para a presidência da República.
6. Em Ribeirão Pires, 89,92 pontos para o cargo de prefeito e 93,31 para a presidência da República.
7. Em Rio Grande da Serra, 90,64 para o cargo de prefeito e 93,26 para a presidência da República.
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