Seguramente, seguramente, sem risco estatístico, são necessários 21 pontos de 57 disputados. Até com 20 pontos e cinco vitórias daria para escapar da degola. Se bem que já houve edição em que com 19 pontos fugiu-se também da queda. Aliás, foram três edições nessas circunstâncias, desde a implementação de pontos corridos em turno único. Para ter a garantia de que não se vai cair nas profundezas da Série B do ano que vem, onde não há dinheiro da TV e o orçamento financeiro empobrece, o melhor mesmo é somar 21 pontos. Ninguém sabe o que pode acontecer daí para baixo, pelo menos até que as últimas rodadas se aproximem. Ainda faltam sete rodadas. É muito, inclusive para cálculos aritméticos de probabilidades de rebaixamento, que, neste momento, tem mais cara, cor e forma de loteria.
Fui aos arquivos para responder aos leitores sobre a pontuação mínima necessária para dar um drible no rebaixamento. Há alguns fatores que poderiam fazer flutuar a margem classificatória. Imaginei que estava à beira de uma grande descoberta, negligenciada por quem confere futebol apenas nas quatro linhas. Acreditava piamente que quanto mais pontos ganhassem os times chamados grandes (Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos), menos pontos seriam necessários para fugir da queda.
Também o peso de empates precisaria ser levado em conta? Quanto mais igualdades no placar ocorressem, menos pontos possivelmente seriam necessários para fugir da queda.
Como poderão observar os leitores logo abaixo, nada disso funcionou como suporte a interpretação mais profunda. As variáveis pontos ganhos dos grandes e números de empates não têm peso relevante como acreditava este jornalista.
Fiz um rastreamento na Série A do Campeonato Paulista desde a edição de 2005, primeira no regime de pontos corridos em turno único. Até o ano passado, classificavam-se os quatro mais bem colocados aos mata-matas. Nesta temporada, aumentou-se para oito o número de classificados.
Até que ponto essa alteração vai impulsionar novas transformações na estatística que apresento abaixo? A expectativa das equipes se altera diante da possibilidade de integrar o G8, grupo que vai disputar os mata-matas. Há provável rebuliço em zonas intermediárias da classificação, porque ao mesmo tempo em que se abre a bocarra da degola, tem-se também a projeção da classificação. Pelo menos até que possibilidades matemáticas virem fumaça.
Vamos, então, a um inventário das edições anteriores da Série A do Campeonato Paulista. Verifiquem que não há mesmo nada solidificado que se possa inferir interpretações que fujam da bitola da conclusão de que garantido mesmo para quem quer se manter na competição é somar 21 pontos.
Em 2005, o Internacional de Limeira (12 pontos), o Atlético Sorocaba (16), o União São João de Araras (20 pontos e cinco vitórias) e o União Barbarense (20 pontos e cinco vitórias) foram despachados para a Segunda Divisão. Última equipe acima da linha de corte de rebaixamento, o Rio Branco de Americana totalizou 21 pontos. O índice de aproveitamento de dois dos rebaixados que mais pontos fizeram (União Barbarense e União São José) foi de 35,08%. O São Paulo contabilizou 45 pontos, o Corinthians 37, o Santos 37 e o Palmeiras 25. Somando-se a pontuação de todos os grandes (144 pontos) atinge-se índice de aproveitamento de 63,15%. Esse é o resultado da divisão de 228 pontos possíveis dos quatro times grandes pelo número de pontos alcançados. Foram registrados 41 empates em 190 jogos da fase classificatória, ou 21,58% dos jogos.
Em 2006, caíram para a Série B o Mogi Mirim (10 pontos), a Portuguesa Santista (17 pontos), a Portuguesa de Desportos (18 pontos) e o Guarani de Campinas (19 pontos). Livrou-se da queda o Marília, último acima da linha de corte, com 20 pontos. O índice de aproveitamento do último rebaixado (Guarani) foi de 33,33% dos pontos. A soma dos quatro times grandes foi de 152 pontos, atingindo aproveitamento de 66,66%. Foram registrados 39 empates em 190 jogos, ou 20,52% dos jogos.
Em 2007, caíram para a Série B o Santo André (10 pontos), o Rio Branco de Americana (13), o São Bento de Sorocaba (16) e o América de Rio Preto (17 pontos). Última equipe fora da zona de rebaixamento, o Sertãozinho fez 19 pontos, quando 18 seriam suficientes. O índice de aproveitamento do último rebaixado (América) não passou de 29,82%. A soma de pontos dos quatro times grandes alcançou 158, atingindo aproveitamento geral de 69,29%. Foram contabilizados 48 empates em 190 jogos, ou 25,26% dos jogos.
Em 2008, caíram para a Série B o Rio Claro (13 pontos), o Sertãozinho (15), o Rio Preto (15) e o Juventus (17). Última equipe fora da zona de rebaixamento, o Guarani totalizou 19 pontos, quando 18 seriam suficientes. O índice de aproveitamento do último rebaixado (Juventus) não passou de 29,82%. A soma de pontos dos quatro grandes times alcançou 142, atingindo-se aproveitamento geral de 62,28%. Foram contabilizados 38 empates, ou 20% do total de jogos.
Em 2009, caíram para a Série B o Noroeste de Bauru (14 pontos), o Guarani de Campinas (14), o Marília (18) e o Guaratinguetá (19 pontos). Último acima da linha de corte, o Mogi Mirim também somou 19 pontos e só escapou porque apresentou melhor saldo negativo que o Guaratinguetá. O índice de aproveitamento do último colocado (Guaratinguetá) não passou de 33,33%. A soma de pontos dos quatro grandes chegou a 160, atingindo aproveitamento geral de 70,17%. Foram contabilizados 53 empates, ou 27,89% do total de jogos.
Em 1010, caíram para a Série B o Rio Branco de Americana (12 pontos), o Sertãozinho (14), o Monte Azul (15) e o Rio Claro (19 pontos). O Bragantino ocupou espaço logo acima da última linha de corte com 20 pontos ganhos. O índice de aproveitamento do último rebaixado, Rio Claro, alcançou 33%. A soma de pontos dos quatro grandes registrou 143, atingindo aproveitamento geral de 62,72%. Foram contabilizados 45 empates, ou 23,68% dos jogos.
Por medida de segurança e também no sentido de traçar com mais clareza as probabilidades de rebaixamento, fixarei mesmo em 21 pontos a marca da salvação.
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14/10/2025 SANTO ANDRÉ ANTECIPOU SAFIEL DO CORINTHIANS